Pietro Ubaldi   Cristo
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Pietro Ubaldi Cristo


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Cristo Pietro Ubaldi 
 
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CRISTO 
 
Autor: Pietro Ubaldi 
 
Tradutores: Manuel Emygdio da Silva 
e 
Romano Galeffi 
 
 
 
ÍNDICE 
 
Primeira Parte \u2014 A FIGURA DE CRISTO 
 
 Prefácio 
 I \u2014 Tudo-Uno-Deus 
 II \u2014 O Fenômeno da Queda 
 III \u2014 A Via Crucis de Cristo 
 IV \u2014 A Nova Figura do Crista 
 V \u2014 O Choque entre Sistema e Anti-Sistema 
 VI \u2014 Necessidade Mitológica 
 VII \u2014 O Método da Não Violência 
 VIII \u2014 Ciclo Involutivo-Evolutivo 
 
Segunda Parte \u2014 EVANGELHO E 
PROBLEMAS SOCIAIS 
 
IX \u2014 A Justiça Social 
 X \u2014 O Sermão da Montanha 
 XI \u2014 Pobres e Ricos 
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 XII \u2014 O Ideal na Terra 
 XIII \u2014 A Origem da Justiça Social 
 XIV \u2014 A Economia do Evangelho 
 XV \u2014 Valores Terrenos 
 XVI \u2014 Valores Espirituais 
 XVII \u2014 Finalidades da Vida 
 XVIII \u2014 Ofendido e Ofensor - Seus Destinos 
 XIX \u2014 A nova Técnica de Relações Sociais 
 X \u2014 Principio de Retidão 
 Conclusão 
 
 
 
 
Cristo 
 
Primeira Parte 
 
A Figura de Cristo 
 
 
PREFÁCIO 
 
 
O presente volume é dividido em duas partes: a primeira diz respeito à "figura do Cristo", a 
segunda ao "Evangelho e problemas sociais". Do Cristo se fala freqüentemente nos 24 volumes da Obra. 
É assim que neste, que é o último deles, são expostos apenas os aspectos do tema não tratados 
anteriormente. Na segunda parte é exposta, deduzida do Evangelho, a doutrina de Cristo, sobretudo no 
seu aspecto social, que é o que mais interessa ao nosso mundo moderno. 
Cristo e a sua doutrina são, neste volume, apresentados em forma diferente da tradicional, 
baseada no amar e no crer. Aqui, em vez, quisemos adotar a psicologia dos novos tempos, baseada no 
pensar e no compreender. Nos damos conta de que hoje vivemos em plena crise religiosa, que é crise de 
crescimento espiritual, pela qual o homem, de menino, se está tornando adulto, assumindo a respectiva 
forma mental. Acompanhamos este desenvolvimento apresentando um Cristo e sua doutrina, vistos com 
os olhos de um mundo mais maduro que entra na era da inteligência, pelo que ele não pensa mais com 
base nos impulsos instintivos do subconsciente, isto é, por sentimento e por fé, mas pensa consciente e 
controlado, seguindo a razão e o conhecimento. 
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Desta atitude nasceu um estilo que não é o do tradicional e cego conformismo, mas é de crítica 
que quer se dar conta de tudo. Expusemos, assim, ao leitor as mais variadas dúvidas, para apresentar-
lhe depois a solução. Submetemos o Evangelho a esta crítica, mas para melhor compreender e não para 
demolir, para desbastar e chegar ao essencial e não para destruir, para encontrar o consistente que não 
cai com o tempo, e se alguma coisa cair, para reconstruí-la mais aderente à realidade. Esta franqueza 
poderá perturbar as velhas formas mentais. Mas, sem uma nova e mais substancial interpretação, o 
Evangelho pode em alguns pontos parecer inaplicável no mundo moderno e ser assim liquidado como 
doutrina inútil à vida. Procuremos, dessa forma \u2014 a risco de sermos julgados pouco ortodoxos \u2014 
colocar-nos no momento histórico atual, que impõe em todos os campos uma renovação. 
Depois disso procuramos colher no Evangelho, para lá da letra, o que não muda com o tempo, 
porque constituído segundo os princípios estabelecidos pela Lei de Deus. Um deles é o da evolução que 
leva à contínua superação de fases \u2014 da inferior à superior \u2014 no desenvolver-se da vida. A lei da 
evolução sobre a qual nos baseamos é um princípio biológico comprovado e universalmente aceito, e 
capaz de oferecer-nos uma sólida base para a interpretação do Evangelho. Pudemos, assim, eliminar a 
acusação de envelhecimento movida àquela Doutrina que caminha há dois mil anos. 
Assim, enquanto o mundo está volvido a tudo contestar e demolir, aqui procuramos levar 
avante o trabalho positivo do construtor, sem o qual, à força de contestar, corremos o risco, de 
permanecer no vazio, sem as diretrizes, que são contudo necessárias à vida, ou por ficar somente com os 
deploráveis sub-rogados das diretrizes tradicionais, o que significa retrocesso involutivo em vez de 
progresso. Outrora usava-se o método do autoritarismo e da aquiescência; hoje tende-se ao da liberdade 
e responsabilidade. O Evangelho que foi dirigido ao homem menino de então, há de ser relido e 
entendido com a mente do homem adulto de hoje, situado perante problemas que não são mais os 
mesmos de então. 
Isto não só é possível, pois, é a exigência de progresso imposta pela própria lei da vida que é a 
lei de movimento. O homem se ufana em apontar suas verdades como inalteráveis, mas inalterável é 
apenas o princípio da sua continua transformação. Todavia as verdades ditas absolutas são 
indispensáveis como referência e ponto final de chegada, e para dar um mínimo de estabilidade às 
posições que se sucedem ao longo do caminho, a fim de regular sua própria evolução. Isto implica, pois, 
relatividade de compreensão e de juízo, a respeito daquelas verdades. Assim o escandalizar--se é 
compreensível em relação à fase precedente mais atrasada, o que seria impossível se aquela fase não 
estivesse superada de maneira a poder ser vista e julgada a partir de uma fase mais avançada. Enquanto 
se vive mergulhando num dado plano de evolução do qual se faz parte, não se percebem as diferenças 
que permitem o confronto, porque elas só poderão ser vistas de um diferente ponto de vista; nem 
tampouco, podem perceber-se seus respectivos defeitos, porque não foram ainda experimentadas suas 
tristes conseqüências. Assim sendo, dado que naquele grau inferior tais defeitos servem à vida, eles 
podem ser julgados como virtudes, enquanto o que é moral num determinado nível poderá ser reputado 
imoral passando-se a um nível mais avançado. Permanecendo imbuídos de uma dada forma psicológica 
não podemos compreender certos atos como errôneos. Só quando se sair fora daquela "forma mentis" 
poderão os mesmos ser diversamente avaliados e, consequentemente, condenados e evitados. 
Isto acontece em relação à própria posição biológica de cada sujeito e ao nível alcançado. 
Assim, por exemplo, o corajoso assaltante, outrora considerado como herói, porque útil para a conquista 
e a defesa, hoje se começa a considerá-lo um delinqüente, porque surgiu o conceito de pecado social, 
segundo o qual a virtude consiste, em vez, em não danificar o próximo. A evolução é uma construção na 
qual todos estamos trabalhando, elevando-nos assim, sempre mais. 
Este volume sobre Cristo e sua doutrina acompanha, deste modo, os novos tempos, sendo 
racional e positivo para quem sabe pensar e quer compreender, sem excluir, antes, procurando levar a 
este nível quem segue a psicologia do sentimento e da fé. Aliás, livros deste tipo sobre Cristo não faltam. 
Mas aqui, em vez de contrapormos as suas formas mentais, procuramos conservar o bem e a verdade que 
existe na velha, iluminando-a com a nova em via de afirmação. Estamos, pois, em fase de transição e este 
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livro a acompanha, procurando ajudar o novo a nascer do velho. 
Alguns poderão escandalizar-se com afirmações que são, hoje, novas, mas que serão amanhã