Pietro Ubaldi   Cristo
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Pietro Ubaldi Cristo


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é relativa e progressiva. 
Assim como se passou da religião do Deus vingativo a do Deus de bondade, da mesma forma se passa 
hoje a religião da inteligência. Como se passou da fase do temer àquela do amar, assim se passa hoje 
aquela do compreender. É assim que hoje se procede a uma rápida desmitificação, demolindo o passado. 
Mas neste, trabalho é necessário que os dirigentes estejam atentos a não propor verdades antes que as 
massas as possam compreender. A revelação da verdade há de ser proporcionada à capacidade de 
compreendê-la; por isso não deve ser concedida levianamente quando pode ser prejudicial às massas. 
Estas, com efeito, dada a sua ignorância,
 
poderiam ser levadas a fazer um mau uso delas. É por isso que 
elas, às
 
vezes, não podem ser iluminadas enquanto não alcançarem a maturidade necessária para entender 
o verdadeiro no seu justo sentido. E necessário sempre fazer as contas com as reações da forma mental à 
 
qual um princípio é aplicado. 
 A atual crise é profunda porque o velho esta caindo enquanto o novo não esta pronto para lhe 
ser substituído. Estamos, assim, pairando no vazio. Ora, apesar de o nosso tempo contestar os valores 
espirituais, eles são necessários à 
 
vida. É, pois, fatal que quando o homem sentir falta deles e deles tiver 
fome, então ele deverá apressar-se a reconstruí-los, se bem que num nível mais evoluído. Esta é uma crise 
laboriosa e perigosa. Mas, afinal de contas trata-se de uma crise salutar, uma crise de desenvolvimento. 
Vivemos numa época de transição, feita de dois momentos históricos: o primeiro representa o 
velho mundo na hora de seu ocaso; o segundo representa o novo mundo que agora esta surgindo. A nossa 
Obra levada a termo nos quarenta anos situados no centro do século XX, representa esta época de 
transição porque se situa em cima desta transformação. Ela com efeito se iniciou quando o velho mundo 
estava em pleno vigor e se conclui agora, quando o mesmo esta em declínio e o novo mundo desponta. 
Por isso entre a primeira e a segunda parte da Obra poderá parecer a um observador superficial que haja 
contradição. Trata-se, porém, de uma continuação que é maturação devida a um desenvolvimento natural 
que acompanha o do momento histórico Ao qual a Obra é o espelho. 
Esta transformação e continuação de diversas interpretações esta hoje se processando também 
para a figura do Cristo, que é objeto principal deste volume. Como hoje se faz com tudo, até a figura do 
Cristo é dissecada com a analise. Mas, assim fazendo, o mundo se arrisca a ficar tendo em suas mãos a 
figura de um Cristo totalmente destruído. É por isso que procuramos satisfazer a necessidade de uma 
síntese reconstrutora do Cristo, em forma adequada aos novos tempos, baseado não sobre a crença, que 
hoje não rege mais, e sim sobre a compreensão. Também aqui não se trata de contradição entre o velho e 
o novo, mas de uma continuação que é maturação e natural desenvolvimento do modo humano de 
entender as coisas. 
A desmitificação deve ser uma atualização não um aniquilamento. Quando os mitos já cumpri-
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ram a sua função, então, naturalmente, se tornam falsas e morrem por si próprios de velhice. Não é 
necessário destruí-los. A vida pensa sozinha em renovar-se. Em muitos casos, tratar-se-á apenas de dizer 
as mesmas verdades, embora de um modo mais completo, mais controlado, mais racional, mais genuíno, 
sem mitos; o que torna as mesmas verdades ainda mais verdadeiras. Que um espontâneo processo de 
desmitificação esteja hoje em ação, é mais que evidente. Ele revela a superação da fase infantil da 
humanidade da qual esta está saindo. Em vez de se construírem mitos e impô-los, em seguida, em nome 
da fé, a ciência se colocara perante a Lei de Deus e estudara com objetividade seu funcionamento. 
Será este o novo modo de caminhar em direção a Deus. É por isso que tanto insistimos em falar 
naquela Lei. É sobre ela que se baseará a nova religião positiva e a idéia de Lei é, com efeito, a que me-
lhor satisfaz a forma mental dos adultos, por estar ligada a um princípio racional, experimentalmente 
controlável. A mente infantil do passado queria envolver os fatos no encantamento do mito, acalentava o 
mistério, a fé, o prodígio, o estado emotivo, o sentimento; pois, à mesma mente repugna tudo aquilo que, 
como a Lei, é positivo, racional, rigorosamente estruturado, o que exige um espírito crítico e processos de 
investigação da mesma espécie. É por isso que muitos ainda resistem à atual necessidade de 
redimensionar sua forma mental, libertando-a das míticas construções do passado. 
 
 
 
 
VII 
 
 
O MÉTODO DA NÃO VIOLÊNCIA 
 
 
Martírio planejado. No S desaparece o egoísmo separatista. A potente 
personalidade de Cristo. O inovador. O Cordeiro de Deus. São Francisco. O método 
da não violência. Como o inerme pode vencer enquadrando-se na Lei. 
 
 
 
Observemos a vida e a Paixão de Cristo ainda sob outros aspectos. Ele dá o grande salto em 
direção ao S e o vemos neste supremo momento em que se conclui o ciclo involutivo-evolutivo,
 
porque o 
ser percorreu todo o caminho do retorno ascensional. Os executores da Paixão,
 
tantos e diversos, cada 
qual a seu modo e movido por seu próprio interesse, coordenam as suas ações num quadro único e as 
fazem convergir ao fim visado por Cristo que todavia não conhecem. Isto faz pensar num plano 
preestabelecido, que não esta na mente deles, mas na lógica da Lei, que funciona no momento devido. 
Cada um deles é um músico que conhece e toca apenas seu próprio instrumento e todos em conjunto 
formaram uma orquestra. Somente Cristo é consciente daquilo que se da no meio de uma multidão de 
ignaros do verdadeiro significado de Suas ações. Em Cristo o espírito se revela nítido e possante em cada 
momento. A cada passo Ele mostra segurança, precisão, tempestividade, nenhuma vacilação própria de 
uma tentativa. Cristo exprime a luz,
 
os outros expressam as trevas. Enquanto estes tateiam,
 
Cristo sabe. 
Ele vai direto ao seu objetivo, os outros tergiversam, oscilam, movem-se ao acaso, a seu capricho, nada 
compreendem do jogo de Cristo e o executam como se fizessem seu próprio jogo. Assim eles ajudam, de 
fato, Cristo a levar a efeito seus próprios planos,
 
enquanto acreditam fazer o oposto. Matando-O, eles não 
fazem outra coisa senão expulsá-Lo do inferno em que eles esta o mergulhados, para fazê-lo reingressar 
na felicidade do S. 
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Do mesmo modo que aqueles nada entenderam então, também hoje,
 
nada entende quem não 
tenha percebido qual era o escopo de Cristo. Trata-se de um trabalho perfeitamente enquadrado nos 
princípios da Lei, portanto planejado com exatidão. Mas como era possível, então, compreender que 
quando Cristo dizia vencer o mundo, Sua intenção era querer sair do AS para entrar no S? A questão é, 
acima de tudo, Sua, pessoal; e é de tal forma individual que ela se apresenta a cada um de nós para que 
um dia, uma vez amadurecidos, possamos imitar o exemplo recebido. 
O homem interpretou a seu modo a idéia de o Cristo querer vencer o mundo. O instinto de luta 
impeliu-o a entender aquela idéia não no sentido de superação, mas de esmagamento,
 
enquanto para 
Cristo ela tinha um sentido construtivo e não destrutivo. Como superação a encara quem esta maduro para 
o S, do outro modo a vê quem está no AS. Para o evoluído a vida é harmonia e não oposição entre os seus 
diversos graus de desenvolvimento, porque estes não são senão fases sucessivas de um mesmo caminho. 
É, pois, absurdo sermos inimigos do mundo para vencê-lo, enquanto ele tem uma razão de