Pietro Ubaldi   Cristo
113 pág.

Pietro Ubaldi Cristo


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia91 materiais1.844 seguidores
Pré-visualização50 páginas
aceitas por todos. Na minha longa experiência de vida isso aconteceu repetidas vezes e o fato se repete 
com freqüência crescente. Assim este livro que poderá, hoje, parecer batalhador, tem porém a função de 
purificar; e se alguém poderá julgá-lo como condenatório, na realidade só visa a apontar o 
desenvolvimento. Todavia ele não é um livro de contemplação mas de luta, voltado, porém a um fim feliz, 
porque o trabalho de demolição \u2014 se tal possa parecer \u2014 finaliza-se com a reconstrução. O mesmo não 
se dirige a nenhum determinado grupo humano, e sim, à Lei, isto é, não visa à divisão, mas à unificação; 
por isso não tende ao separatismo, pois volve-se em direção ao Sistema. Com efeito, aquela Lei é 
apresentada em forma positiva, racionalmente controlável, não como abstração teológica ou mera 
aspiração mística, mas como realidade biológica que a todos nós estrutura e que se poderá 
experimentalmente analisar. É verdade que deste modo a figura do Cristo tende a ser em parte 
desmistificada, mas se algo se perde como criação de arte e beleza poética, em compensação, muito mais 
ela ganha em veracidade e portanto em aceitação. 
 Atinge-se assim uma interpretação do Cristo não só reservada a quem crê mas também a quem 
pensa: um Cristo para adultos visto não só pela fé mas também com a lógica e a razão, bem mais 
convincentes porque mais adequadas à mentalidade positiva do homem moderno; um Cristo que também 
o ateu pode levar em consideração, porque lhe é proposto sem esquecer os termos da sua forma mental. 
Tal universalidade de resultados conduz à unificação, o que é um progresso. 
Assim este livro é uma tentativa para canalizar a revolução interior que já está em ato 
secundando-a, mas em forma de continuação do passado, de sua complementação e enriquecimento, no 
caminho da evolução. Apresentamos assim um Cristo logicamente implantado na estrutura físico-
espiritual de nosso universo, de maneira que o homem novo possa continuar a utilizar, de forma mais 
adequada aos novos tempos, a idéia salvadora por Ele oferecida. 
É assim que deixamos de lado o aspecto humano do Cristo, para vê-lo sobretudo em seu 
aspecto cósmico e divino, como representante do Pai, vindo para fazer-nos conhecer a sua Lei, para 
ensinar-nos e ajudar-nos a subir a Deus, levando-nos consigo do Anti-Sistema ao Sistema. 
 
* * * 
 
O presente volume representa o termo conclusivo de uma Obra em 24 volumes perfazendo 
cerca de 10.000 páginas. Trata-se de um longo caminho, do qual este escrito constituí-se na fase de 
maturação hoje alcançada \u2014 a guisa de coroamento \u2014 através de todo aquele percurso. 
É o resultado de quarenta anos de trabalho, que vão de 1931 a 1971. Desenvolvem-se 
concomitantemente às transformações históricas deste período, do qual acompanhou o desenvolvimento 
que vai do velho conservadorismo estático ao nosso tempo de abertura. A Obra, antes que este chegasse, 
foi desde o seu início inspirada no espírito de renovação \u2014 hoje atual \u2014 sendo até \u2014 no começo - 
condenada por "erros" que não são mais, hoje, considerados como tais: e foi profética \u2014 a despeito de 
sua condenação \u2014 porque hoje se revela bem mais realizada de quanto não tivesse previsto. Podemos 
portanto acreditar que, resultando deste modo inserida no momento histórico atual, esta Obra tenha 
nascido em função do mesmo. 
Podemos dizer, agora, que esta Obra está cumprida, bastando \u2014 para deduzi-lo \u2014 observar o 
ritmo musical segundo o qual ela se desenvolveu e agora se conclui. Ela nasceu no Natal de 1931 e 
terminou neste Natal de 1971. São exatamente quarenta anos, situados no centro do século XX, isto é, 
entre os primeiros trinta anos do início \u2014 de 1901 a 1931 \u2014 e os trinta anos depois da sua execução \u2014 
de 1971 a 2.000 \u2014. Estes quarenta anos podem dividir-se em dois períodos de vinte anos cada. \u2014 No 
primeiro deles foi escrita a "primeira obra", na Itália, até 1951, época da mudança de seu autor para o 
Brasil; no segundo período foi escrita a "segunda obra", no Brasil, até 1971. 
A obra foi iniciada na metade da minha vida, isto é, aos quarenta e cinco anos. A minha vida de 
Cristo Pietro Ubaldi 
 
 5 
trabalho vai assim dos cinco aos oitenta e cinco anos. Na primeira metade, isto é, dos cinco aos quarenta 
e cinco, vão quarenta anos de preparação através de várias vicissitudes. A segunda metade vai dos 
quarenta e cinco aos oitenta e cinco anos e compreende quarenta anos de compilação da obra. Assim ela 
foi iniciada após um período de preparação igual ao de execução e precisamente na metade da minha 
vida, ou seja, aos quarenta e cinco anos. 
Na introdução ao volume Profecias, terminado no Natal de 1955, apontei o ritmo dos quatro 
períodos de vinte anos que constituíam a minha vida. Observei então que o primeiro vai dos cinco aos 
vinte e cinco anos (1891-1911), o segundo dos vinte e cinco aos quarenta e cinco (1911-1931), o terceiro 
dos quarenta e cinco aos sessenta e cinco (1931-1951). Concluí assim que o último período da minha 
vida deveria ser dos sessenta e cinco anos aos oitenta e cinco anos (1951-1971). O controle da última 
parte desta contagem se podia fazer somente hoje.- Pois bem, ela sucedeu como fora previsto em 1955. 
Naquele ano escrevia no referido volume Profecias (Gênese da II Obra): "O atual quarto e último 
período da minha vida deveria durar até completar os meus oitenta e cinco anos. O meu trabalho deveria 
durar, aqui no Brasil, até o ano de 1971.1 
Uma outra coincidência: a Obra se iniciou com "Mensagens Espirituais" que vão de 1931 
(Natal) a 1933 (Páscoa). Tais mensagens param nesse ano em que decorre o XIXº centenário da Morte de 
Cristo, para continuarem depois \u2014 à guisa de um ritmo decenal \u2014 com uma mensagem em 1943 e outra 
em 1953 (esta apareceu apenas na edição mais recente das Grandes Mensagens). 
Uma tal harmonia não previsível e só percebida agora que ela aparece visível depois de 
terminado o trabalho, isto é, independente do meu conhecimento e vontade enquanto escrevia a Obra, faz 
pensar na presença de uma mente oculta, organizadora e diretora, e na harmonia que caracteriza a 
positividade da Lei nas suas obras de tipo benéfico . 
Esta idéia me conforta. As teorias desenvolvidas na Obra as apliquei e vivi. E dado que as 
experimentei, sinto com justa razão que elas são verdadeiras. Dá-se, além disso, o fato de que, durante 
quarenta anos, e num mundo revolto pelas guerras, a Obra continuou a desenvolver-se, \u2014 eu diria com 
exatidão cronométrica \u2014 vencendo mil obstáculos, enquanto desmoronavam nações e desapareciam 
personagens que com esta mesma Obra tiveram relacionamento, e eu me transferia para o oposto 
hemisfério. Este fato revela que a Obra é sustentada por uma força interior e dirigida por um princípio 
ordenador que é típico da Lei e que com o acaso não se coaduna, pois este é desordem, incapaz, 
portanto, de manter uma tal ordem durante tão longo período. Ora, onde existe ordem deve existir uma 
Lei e, se como neste caso se verifica que ela não depende de nossa vontade, nem de cálculos e previsões, 
então não se pode deixar de pensar que esta mesma ordem provenha de uma outra fonte. Quem 
compreendeu a Obra bem sabe onde se encontra a ordem e de onde provem. Naturalmente poderá 
parecer ousado afirmá-lo. Com efeito, nos encontramos, aqui, perante um fato e é, pois, lícito e natural, 
se procurar uma explicação que satisfaça a razão e o sadio desejo de compreender. 
 
Natal de 1971. 
 
* * * 
 
 
 
 
I 
 
 
1
 De fato, uma vez concluído o seu trabalho, o autor faleceu aos 85 anos, dois meses após o 
termino do presente volume, em 29.02.1972. (N. da E.) 
 
Cristo