Pietro Ubaldi   Cristo
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Pietro Ubaldi Cristo


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de homem como as de Deus. Assim concebida, esta Sua dupla 
natureza é fato logicamente compreensível e não uma suposição aceitável apenas por um ato de fé. 
Aquela vida humana de Cristo foi a Sua última na dimensão AS, isto é, do tipo de vida decomposta no 
dualismo positivo-negativo, vida-morte, modelo vigorante nesse mesmo AS. No S esta cisão dualística é 
superada e sanada num tipo de vida unitária, que não conhece mais a morte. Assim podemos afirmar que 
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a ressurreição de Cristo foi verdadeira, pois Ele venceu definitivamente a morte e porque daquele 
momento em diante, entrando na vida eterna depois da Sua ressurreição, jamais teria voltado a morrer. O 
reviramento da pedra do sepulcro simboliza perfeitamente esta definitiva vitória sobre a morte. 
É neste mais profundo sentido espiritual e não no sentido material e corporal que há de ser en-
tendida a ressurreição de Cristo. Desse modo permanecemos na ortodoxia ao admitirmos que Cristo era 
filho de Deus, pois Ele foi,
 
com efeito, homem e Deus ao mesmo tempo, como ao admitirmos a Sua 
ressurreição, embora procuremos dar a estas palavras um significado capaz de torná-las, aceitáveis. 
Respeitemos a vontade do Cristianismo de deificar à sua maneira o Cristo para que sinceramente 
conheçamos a sua verdade. Mas ela é concebida em forma mitológica obtida com a velha forma mental 
das massas. Trata-se, portanto, de uma deificação de modo algum racionalmente compreensível, portanto 
sempre menos adequada à psicologia moderna em rápida evolução. 
A tal ponto aceitamos o conceito de Cristo, Homem-Deus, que distinguimos nitidamente entre 
Jesus Nazareno que é o homem e o Cristo, que é Deus. Por isso nos ocupamos bem pouco do primeiro 
que fora utilizado e depois abandonado pelo AS \u2014 mas sobretudo nos ocupamos do segundo, isto é, 
daquele que não nasceu e não morreu senão no sentido de se ter antes revestido e depois despojado 
daquele instrumento físico necessário para manifestar-Se na Terra. É o Cristo que, percorrido o Seu 
caminho através do AS, pertence ao S, e por isso é Deus, porque é o ser tornado ao perfeito estado de 
origem em que foi criado. Por isso é de Cristo e não de Jesus que nos ocupamos, isto é, da criatura que 
retorna a Deus porque esta é a sua substância, o significado básico da sua vida na Terra, o fenômeno que 
nos concerne a todos de perto. 
Que Cristo seja Deus não é aceitável senão concebendo-O como elemento do S, isto é, como 
um dos infinitos momentos dos quais este organismo é constituído. Depois da Paixão purificadora este 
elemento se reintegrou na sua posição de origem. Uma encarnação de Deus, isto é, de todo o S, num ser 
humano é coisa inimaginável. Procuremos agora fazer-nos uma idéia de Deus deduzindo-a da observação 
de nosso universo, o único fato positivo para nós suscetível de exame. 
Calcula-se que no universo existam cem quintilhões de estrelas radiantes (um cento seguido de 
dezoito zeros: 100X1018). Suponhamos que uma só estrela num milhão tenha um sistema de planetas e 
que apenas um planeta num milhão se assemelhe à nossa Terra, isto é, que apresente as condições 
necessárias para o surgir da vida. Com tais astronômicas reduções ficam sempre cem milhões de planetas 
onde a vida é possível. Mas é provável que tal cálculo seja muito reduzido. Assim nos dizia um 
astrônomo. 
A teoria das origens elétricas da vida, por nós sustentadas no volume: A Grande Síntese, está 
recebendo da ciência sempre novas confirmações. Além daquelas mencionadas em nossos escritos, lemos 
que a mesma Teoria é hoje sustentada pelo Prot. Harlow Shapley astrônomo em Monte Wilson e diretor 
do Observatório da Universidade Harvard (USA). Ele sustenta que o surgimento da vida é inevitável 
quando as condições do ambiente são favoráveis. Ora, estas condições, assim como na Terra, verificaram-
se em milhões de planetas. Segue-se disso que a vida deve ter aparecido também nesses planetas e que 
depois, dado \u2014 como nos é possível ver \u2014 que ela procede por evolução, deve ter progredido desde as 
primeiras formas de "protovida" em direção a outras formas sempre mais complexas e psiquicamente 
sempre mais evoluídas, como aconteceu para o homem. 
Partindo das cifras baseadas em tais dimensões, há uma grande probabilidade que estas 
deduções correspondam à realidade. Não há como se negar que a evolução deve ser um fenômeno 
universal e não um modelo particular reservado só à nossa Terra. E se as condições que tornam inevitável 
o aparecimento da vida se verificaram em milhões de planetas, é altamente provável \u2014 estatisticamente 
\u2014 que existam neles milhões de humanidades pensantes. A aparição da inteligência faz parte desta 
evolução e é uma fase do próprio desenvolvimento da vida. Isto a ciência começa agora a reconhecê-lo, 
enquanto já o havíamos afirmado no referido volume: A Grande Síntese, com a teoria do físio-dínamo-
psiquismo, segundo a qual a evolução de nosso universo, partindo da fase matéria, atravessa a da energia 
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e alcança a do espírito. 
Dessa forma não se pode excluir que a evolução bioquímica se tenha verificado em milhões de 
outros planetas, atingindo o nível psíquico como no homem e até além. Tudo isto leva a necessidade de 
redimensionar o homem como cidadão do universo, julgando-o não mais como escopo e centro do 
mesmo, mas como uma entidade muito menos importante de quanto o seu orgulho o tenha induzido a 
crer. 
Agora \u2014 como dizíamos acima \u2014 podemos fazer-nos uma idéia positiva de Deus, deduzindo-
a da observação de nosso universo. É evidente que, com tais premissas, não pode interessar-nos uma 
divindade humanizada para uso exclusivo de nosso planeta. Deus deve ser universal, como tal para todos 
os seres pensantes da Criação,
 
existentes em todos os planetas sob todas as formas possíveis. Hoje o Céu 
não é mais um reino mitológico que a guisa do Olimpo funcione como uma sede para a Divindade. Hoje o 
céu é observado, começa-se a percorrê-lo e fazem-se as contas daquilo que ele possa conter. Nos an-
tecedentes volumes explicamos a origem e a função deste universo físico que nós vemos. Logo, de Deus 
não poderíamos fazer-nos uma imagem dimensionalmente inferior aquela agora contemplada. 
Para nós que devemos pensar a base de lógica e não de mistérios e trabalhar para compreender 
e não por fé, Deus é o organismo espiritual do S que constitui a contrapartida do organismo material de 
nosso universo que é o AS. Ora, que tal organismo \u2014 do S, do qual podemos imaginar o valor e a 
imensidade \u2014 possa degradar-se como nível evolutivo e descer como potência e dimensões até o plano 
humano, é coisa que não podemos conceber. Nem se compreende para qual fim visaria a sugestão de um 
absurdo tão grande. É para provar isto que quisemos fazer esta divagação astronômica,
 
confirmando as 
nossas antecedentes afirmações e procedendo por eliminação das outras hipóteses possíveis. Assim, se 
quisermos compreender a vida terrena de Cristo, não nos resta senão entendê-la como a apresentamos 
aqui, isto é, como reintegração de um elemento no S. Ao contrário, se quisermos entender a vida de Cristo 
como o ato de um único filho de Deus para redimir a humanidade, deveremos também admitir que 
constituiria uma grave injustiça se isso não fosse repetido para a humanidade de cada um dos cem 
milhões de planetas que, como vimos, devemos supor habitados. Desse modo, o trabalho de redimir esta 
mais ampla humanidade exigiria, por parte do Filho de Deus, cerca de cem milhões de encarnações. 
Voltemos a observar o fenômeno da passagem do AS ao S, vivido por Cristo. Está escrito no 
plano de desenvolvimento do percurso do ciclo involutivo-evolutivo