Pietro Ubaldi   Cristo
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Pietro Ubaldi Cristo


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para a frente e o favorece. Eis que o tratamento que recebemos 
depende de nossa conduta. E assim que o caso limite de uma péssima conduta é o de provocar como seu 
efeito, a absoluta falta de tudo; enquanto o caso limite de uma ótima conduta é a de produzir, como efeito, 
a gratuita abundância. 
Explicam-se, deste modo, as estranhas afirmações do Evangelho,
 
porque se vê qual é a lógica 
que as fundamenta. Explica-se também porque em nosso mundo sucede o contrário do Evangelho, e 
como, por este fato, sejamos induzidos a crer que seja este uma absurda utopia. Mas o absurdo não está no 
Evangelho, e sim em nossos olhos que, sendo filhos do AS, vêem tudo pelo avesso. Na realidade tudo 
corresponde a um princípio de justiça, segundo o qual funciona a Lei. Ela é um equilibrado mecanismo de 
ações e reações, proporcionados às posições evolutivas e portanto ao respectivo comportamento do 
indivíduo. O absurdo que o mundo vê naquelas afirmações do Evangelho é o de poder receber algo por 
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acréscimo, gratuitamente, porque aquele procurar o Reino de Deus e a sua justiça, no ambiente terrestre, 
dadas as suas leis, não representa um meio apropriado para ganhar algo. É certo que o Evangelho põe uma 
condição e com isso estabelece a necessidade para o indivíduo de mover uma causa e obter aquele efeito. 
Mas a forma mental humana é produto de experiências de todo inadequadas a construir uma tal conexão 
de idéias. Aquela que se estabeleceu na Terra é o fruto de experiências opostas, isto é, de revolta contra a 
Lei, para violá-la, e da respectiva resposta da Lei, sob forma de dolorosas lições corretivas. 
Podemos agora dar-nos conta da estrutura dos dois métodos de viver e de operar, e compreender 
as duas diversas lógicas que os regem. Embora correspondam ao mesmo princípio de justiça que e 
fundamental na Lei, elas são muito diferentes na forma de ação e reação, de modo a resultarem 
irreconciliáveis. Mas isto também é lógico, porque num caso se trata de ação e reação de tipo AS, e no 
outro de ação e reação de tipo S, dois universos de que já apontamos as opostas características. Eis que 
quando colocamos cada coisa no seu devido lugar, tudo resulta racionalmente justificado. 
A economia do involuído, de baixo nível biológico, é uma economia de assalto e de abuso, 
portanto de injustiça, o que coloca o indivíduo que a aplica sempre em déficit para com a justiça da Lei. 
Há sempre uma lesão de direitos de outrem a reparar. Esta é uma economia de pecado, que não pode 
conduzir senão à penitência, por débitos que não podem permanecer insolutos. Trata-se de uma economia 
negativa, improdutiva, famélica,
 
somente de destruição. A humanidade presa nesta engrenagem deve 
arrastar-se carregando nas suas costas o imenso peso desta negatividade; pretenderia derrubar a Lei, mas,
 
pelo contrário, derruba-se apenas a si mesma, de modo que, sedenta de felicidade, se encontra carregada 
de sofrimentos. É esta a economia de nosso mundo. 
A economia do Evangelho é a do evoluído, de alto nível biológico, e se poderia chamar a 
economia do justo. Ela é feita de ordem e retidão, pela qual o indivíduo não contrai débitos para com a 
Lei, portanto é livre da preocupação do dever de pagar. Balanço honesto, no qual as contas do dar e do 
haver redundam a favor do interessado. Sábio regime de paz, isento de preocupações, oposto ao regime 
do mundo,
 
que está cheio de lutas, fadigas e preocupações. Economia positiva, construtora de valores, o 
que eleva em direção a Deus. Avançamos, assim, ajudados pela corrente da Lei, leves e rápidos, em 
posição reta, de modo a aproximar-nos sempre mais da felicidade, como exige a nossa natureza. Esta é a 
economia do Evangelho. 
Se o homem fosse mais inteligente poderia calcular que o método da justiça é muito mais 
vantajoso do que o da força que é pouco seguro e de escassíssimo rendimento, porque carregado de atritos 
que absorvem meios e desperdiçam energias. Mas com a evolução se chegará a compreender também 
isto! E quanto a vida resultaria facilitada substituindo o método do Evangelho àquele do mundo É fácil 
imaginar que produtividade imensa se poderia obter do esforço humano, quando fosse dirigido só ao 
trabalho, em vez de o ser à guerra. Mas para chegar a compreender é necessário uma maturação evolutiva 
ao alcance da qual se exigem milênios de fatigantes e de dolorosas experiências. A idéia da existência de 
uma Lei não é nova, é, porém nova a idéia de meter-se a estudá-la para conhecer-lhe o conteúdo e a 
técnica funcional, aprendendo, assim, a manejá-la com habilidade, e a calcular os efeitos das próprias 
ações. Por que o homem ainda não consegue compreender que todos os males que se abatem sobre ele são 
causados por ele próprio, devido ao seu errôneo comportamento no seio de uma ordem perfeita? 
É necessário compreender que existimos dentro e como elementos constitutivos de um 
organismo universal que funciona segundo normas precisas. Daí a necessidade de nos comportarmos com 
disciplina conforme esta ordem. Acontece, porém, que agimos às avessas, provocando desordens, das 
quais assim se satura a nossa vida. Ora, um estado de ordem é entendido como positivo, favorável a nós, 
regurgitante de vida, de bem, de felicidade; enquanto um estado de desordem é entendido como negativo, 
inimigo, portador da morte, de mal, de dor. 
Disto se vê quão erradamente calculamos os nossos assuntos quando praticamos o mal. Fazê-lo 
é andar contra si próprio, é um carregar-se de dores, é um suicídio. Damos prova de termos a forma 
mental emborcada, própria do AS, se continuamos a crer que a egoística e exclusiva procura da própria 
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vantagem em prejuízo de outros nos possa trazer alguma utilidade! Mas precisamente isto prova que 
estamos emborcados no AS. O caso seria desesperador, uma cegueira sem salvação, se a função da 
evolução, à qual afortunadamente estamos ligados, não fosse a da reconstrução da ordem e portanto das 
qualidades positivas, a nós favoráveis. A fórmula da salvação é muito simples, é "Reingressar na ordem". 
Eis a solução de todos os males. 
O estudo do pensamento que dirige esta ordem nos pode levar à descoberta de leis biológicas 
novas, vigentes em mais altos planos de evolução e diferentes daquelas que já conhecemos, em vigor nos 
planas mais baixos. Trata-se de leis que nos guiarão no futuro e que tomarão o lugar daquelas que nos 
guiaram no passado e nos guiam no presente. Podemos então prever sistemas de funcionamento da 
sociedade humana e, no âmbito desta, de comportamentos individuais, completamente diversos dos 
atuais. É lógico que, a uma nossa ação com métodos de tipo S, a Lei responda com uma forma positiva e 
favorável, pela mesma razão pela qual a uma nossa ação com métodos de tipo AS, a Lei hoje responde 
numa forma negativa e desfavorável. Se isto acontece hoje, é porque a nossa ação é de tipo AS. Isto 
significa que sucederá o contrário quando a nossa ação for de tipo S. Eis que a chave de nossa felicidade 
está em nossas mãos, porque ela é um problema de método de vida. 
A diversidade de rendimentos em vantagem do homem está no fato de que no sistema do mundo 
os esforços individuais,
 
dirigindo-se em direções contrárias,
 
se destroem reciprocamente,
 
enquanto no do 
Evangelho se coordenam e se somam. Isto é devido ao fato de que quanto mais se retrocede 
evolutivamente, tanto mais se mergulha no separatismo do AS e respectivo estado caótico de desordem, e 
quanto mais se avança evolutivamente, mais se sobe em direção à unificação do S e respectivo estado 
orgânico de ordem. No primeiro caso nada é garantido porque se vive de esforço