Pietro Ubaldi   Cristo
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Pietro Ubaldi Cristo


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positivas a sua ação será de todo construtiva e seja qual for a coisa que ele 
toque, mesmo a mais danosa, tudo tenderá a sarar tornando-se útil. 
Eis como tudo isto acontece. Uma personalidade é um feixe de forças lançado numa dada 
direção. Temos assim um impulso dirigido conforme uma trajetória já assinalada, segundo um caminho 
obrigatório que deverá atravessar campos de forças de tipo similar, porque por elas as forças da 
personalidade são atraídas por afinidade, e porque estas por sua vez encontram nesses campos elementos 
semelhantes a atrair. É assim que a mesma personalidade acaba por construir em redor de si um ambiente 
congenial a sua natureza, ou ao seu tipo, seja de bem, seja de mal. 
Eis, pois, que a primeira raiz do mal ou do bem esta dentro de nós, trazendo cada qual o seu 
destino dentro de si, em sua natureza. Assim sendo, pertencendo o involuído à negatividade do AS, é 
fatal que, com tal tipo de personalidade e campos de forças, atraia sobre si a dor incumbida pela 
providência da Lei a cumprir a função corretiva daquela natureza de tipo AS. Destarte, não pode o mesmo 
viver senão num regime de correção, o que significa dor, mas exercendo a função de sanear aquele mal, 
levando para a felicidade do S. Esta é a técnica salvadora que a Lei fatalmente impõe para libertar-nos do 
mal e conduzir-nos ao bem. 
Com esta técnica corretiva não somos punidos por sermos culpados ou por estarmos fora do 
lugar. Serve a mesma para possibilitar a cada um cursar a sua escola e receber a lição que lhe cabe e que 
lhe é necessária para evoluir. Cada um está no seu justo lugar cumprindo o trabalho evolutivo que é 
proporcionado ao seu nível. Cada um realiza as experiências do tipo que é útil para a sua evolução, o 
santo como santo, o delinqüente como delinqüente, partindo cada qual de seus próprios impulsos para 
chegar a seus resultados respectivos. 
Todos devem experimentar. Não se vive para evolver? E então, se e este o escopo da vida, não é 
justo que cada um deva viver as experiências que servem ao mesmo fim? E por isso que cada um deve 
fazer o tipo de experiências que correspondem a sua natureza e que servem para a sua evolução. E é 
justamente a isso que conduz a técnica de redenção que aqui estamos observando. 
\u2014 Se como acabamos de dizer \u2013 o bem e o mal que nos atingem dependem da estrutura de nos-
sa personalidade, eis que cada qual recebe automaticamente as provações mais adequadas a fazer com que 
possa a mesma corrigir-se e evolver. 
Pois bem, dizíamos acima que tal correção acontece progressivamente, qualidade por qualidade. 
Quando a Lei \u2014 por meio de provas corretivas \u2014 tenha alcançado o endireitamento de uma trajetória 
errada, naquele campo de forças a fadiga da evolução cessa e o resultado fica definitivamente adquirido. 
Começa então o trabalho em outro setor ainda atrasado, de tipo AS. O instinto move-se em tal direção, e a 
ignorância das conseqüências, devida à inexperiência de quem ainda não passou por elas, impele a 
satisfação daquele instinto, e o indivíduo se lança atras de sua miragem. Movendo-se ele em direção ao 
AS, isto é, a anti-Lei, a insatisfação final e a desilusão são inevitáveis. Tratando-se de movimentos em 
sentido negativo, às avessas, eles não podem conduzir a alegria, mas apenas a dor. A Lei permite que a 
miragem convide ao erro, porque o errar serve para aprender, para corrigir-se, para melhorar, finalmente, 
para salvar-se. Isto quer a Lei. Chega-se, deste modo, ao choque contra a realidade, pelo qual o indivíduo 
sofre, enxerga, compreende e se corrige, alcançando aí seu objetivo. 
Terminada a experiência nesse setor ou qualidades ou campo de forças da personalidade, 
continua esta em outro campo ainda não experimentado. Assim a exploração e correção vão se 
estendendo sempre mais, de tal forma que, quando tiverem sido explorados e corrigidos todos os campos 
de forças da personalidade, o indivíduo ter-se-á transformado a ponto de poder sair do AS e reentrar no S. 
Naquele momento o processo evolutivo terá sido cumprido. Então, houve um conjunto de correntes de 
pensamento ou feixes de forças ou qualidades de tipo AS, cujas trajetórias negativas de tipo anti-Lei 
coube a evolução corrigir em trajetórias positivas de tipo Lei ou Sistema. 
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É nisso que consiste a técnica da redenção. Quando nos tivermos corrigidos \u2014 por dolorosa 
experiência \u2014 de um dado defeito, filho da ignorância num determinado campo, e, dentro dos limites 
deste, aquela ignorância tiver desaparecido, passa-se, então, a errar em outro setor da vida, no qual somos 
ainda ignorantes. Depois de ter quitado o novo débito, acabamos por redimir-nos de novo, e assim 
sucessivamente, até que se tenha vasculhado toda a nossa personalidade e corrigido todas as suas 
qualidades negativas de tipo AS. Chega-se, desse modo, a ultima crucificação, depois ressurgiremos 
como Cristo para reingressarmos, salvos e redimidos, no S. 
A crucificação de Cristo mostra-nos o mais alto momento desta técnica de recuperação. Esta 
última fase da evolução é espontânea. Dá-se portanto este fato que: quanto mais estamos atrasados na 
evolução, tanto mais esta nos é imposta à força pela Lei como é indispensável para a nossa evolução, 
enquanto seres que somos, por ignorância incapazes de autodirigir-nos E quanto mais avançamos na 
evolução tanto mais o esforço e as dores necessárias as para realizá-las são aceitos livremente. Com 
efeito, quem é consciente da Lei sabe quanto é vantajoso segui-la. Passa-se, deste modo, de uma dor 
tenebrosa, infernal e maldita, como é a de Satanás, para uma dor luminosa, santa e bendita como foi a de 
Cristo. Vê-se, então, que juntamente com a evolução se transforma o seu instrumento: a dor. De fato a dor 
de Cristo na cruz não é mais uma amarga e raivosa derrota como no AS, mas é o glorioso e feliz triunfo 
do regresso ao S. 
Com o aproximar-se desta última fase, o indivíduo converte-se num consciente colaborador da 
Lei no trabalho da correção de seus próprios defeitos e atitudes anti-Lei. Quem vê a Lei não pode deixar 
de compreender sua vantagem em colaborar com ela. Só então o indivíduo consegue compreender quanto 
seja útil para ele aceitar a escola da Lei. Assim aquele trabalho torna-se mais fácil, menos fatigante e 
doloroso. Então, como fez Cristo, é o próprio indivíduo que se oferece em holocausto a justiça da Lei, 
porque ele sabe que, pagando-lhe o que lhe deve, se liberta e se salva. É assim que podemos entender a 
razão pela qual Cristo abraça a Cruz. 
Vê-se, dessa forma, claramente como Ele se encontra nos antípodas do homem do AS, o qual 
resiste a correção e persiste no erro, recusando-se a mudar de caminho, sujeito, portanto, as suas 
conseqüências. E deve-se ao fato de se encontrarem em posições opostas, que o homem decidido a ficar 
no AS não esta em condições de compreender a verdadeira finalidade e o verdadeiro significado da 
paixão de Cristo. 
 
 
 
 
XVIII 
 
 
OFENDIDO E OFENSOR \u2014 SEUS DESTINOS 
 
 
O problema da justiça e do perdão. Aparentes contradições. O perdão não é 
injustiça. O método de pagamento de tipo S a cargo da Lei. As vantagens do perdão: 
para o ofendido e para o ofensor. Involuído e evoluído. Duas verdades e respectivos 
métodos de vida. A evolução sana a contradição. Reconstruir. A retidão,
 
método de 
defesa conforme o Evangelho. 
 
 
 
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Abordemos agora o problema da justiça e do perdão. Contra uma ofensa o mundo faz justiça 
com o método da reação e punição; o Evangelho com o do perdão. O primeiro é o sistema da luta, 
vigorante nos planos evolutivos mais baixos,
 
os do AS, segundo o