Pietro Ubaldi   Cristo
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Pietro Ubaldi Cristo


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oposto 
do ser. Se isso se deu, foi porque atrás e dentro Dele mesmo, havia Deus e a sua Lei para sustentá-lo. É 
por isso que Cristo pôde desafiar o mundo e vencê-lo, sendo Ele força positiva mais potente do que 
qualquer força negativa. 
Tudo isso de que falamos não é uma ordem de fenômenos experimentalmente reproduzíveis e 
controláveis. É necessário todavia levar isso em consideração, se quisermos saber algo sobre as primeiras 
origens de Tudo o que existe. No entanto, se tais fenômenos não são experimentalmente controláveis, não 
deixam, porém,
 
de sê-lo racionalmente. Existe pois o fato de que, com a interpretação que lhes demos, 
eles encaixam lógica e analogicamente com o funcionamento dos fenômenos ao nosso alcance, de cujas 
causas primeiras dão assim, uma explicação de que a ciência não dispõe. Com esta os problemas 
permanecem, mesmo se não são resolvidos. Eles não se resolveriam nunca se não existissem como 
problemas. Este seu concomitante entrosar-se na fenomenologia conhecida, completando-se na parte 
ainda ignorada, é uma prova de veracidade que poderá ser assumida pelo menos como hipótese de 
trabalho, como diretriz na busca de uma explicação dos fenômenos, mais completa e profunda do que 
aquela alcançável hoje em dia. 
Cristo Pietro Ubaldi 
 
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II 
 
 
O FENÔMENO DA QUEDA 
 
 
Uma mais exata aproximação que melhor explica as origens do fenômeno da 
queda. O problema da perfeição,
 
liberdade,
 
conhecimento da Criatura no Sistema. 
 
 
 
A encarnação e Paixão de Cristo não se podem explicar senão em função do dualismo positivo e 
negativo, S e AS, involução e evolução, fenômenos que se constatam e se demonstram. Explicamos acima 
que o que se costuma chamar de Criação,
 
não é a formação do S, mas a do nosso universo físico, é a 
Queda do espírito na matéria, isto é, do S, no AS. Cristo se inseriu plenamente neste fenômeno, no 
sentido que se propôs a corrigi-lo impulsionando, com a redenção, o homem para o S. A obra de Cristo 
consiste em reerguê-lo para o Alto, eliminando esta Queda, endireitando o que fora emborcado. A 
redenção e esta obra de salvamento. 
Nos volumes antecedentes, para não nos arredar de nossa habitual positividade, apresentamos 
sob forma de hipótese nossa interpretação das origens da queda, isto é, da revolta. Com efeito essa revolta 
não é suscetível de provas, podendo apenas deduzi-la das suas conseqüências, o único fato por nós 
experimentável. Contudo, e esta a única hipótese logicamente satisfatória capaz de explicar o porque 
daquelas conseqüências. Ela explica muitos fatos com que nos deparamos e se apresenta com o mais alto 
grau de veridicidade, e tal que se não quisermos aceitá-la, seremos forçados a continuar mergulhados nas 
trevas do mistério. 
Nestas explicações temos de considerar que, para nós seres humanos,
 
é difícil imaginar o 
comportamento de seres que se constituem apenas de pensamento abstrato, vivendo em outras dimensões, 
sem matéria e sem os respectivos meios sensórios. Trata-se de um plano de existência, extremamente 
afastado do nosso, no espaço e no tempo, e, por isso, fora do alcance de nossas normais capacidades de 
controle. E nem mesmo as nossas capacidades mentais nos permitem atingir o fundo do fenômeno. 
Reconhecemos assim que a nossa compreensão do mesmo fenômeno só pode ser aproximativa. Devemos 
contudo admitir que ela é também progressiva, em relação ao nosso grau de evolução. É, pois, razoável 
admitir que ela se desenvolva com o tempo e prepare para o amanhã uma interpretação mais avançada e 
perfeita. Eis que, também na sua relatividade, cada interpretação é útil. É assim que atraídos agora pelo 
aprofundamento da missão do Cristo, voltamos com mais maturidade ao assunto da Queda (já tratado no 
volume: O Sistema), para tentarmos dela uma mais exata aproximação. Reportemo-nos, pois, as primeiras 
origens da Criação às quais tudo, inclusive o fenômeno do Cristo, esta ligado. 
Deus é tudo. Nada pode existir além de Deus. Para criar, Deus não podia deixar de recorrer a 
Substancia de que Ele era feito. 
Com esta substância Deus criou as criaturas, e assim nasceu o S. 
Inquirimos, alhures, acerca da admissão ou não de uma primeira Criação e da possibilidade de 
ter Deus constituído, desde a eternidade, o organismo do S. Mas que tenha havido ou não tal Criação, o S 
constitui-se no fato incontestável perante o qual nos encontramos, qualquer que tenha sido sua origem. 
Deus é livre. Sendo então, da mesma Substância, também a criatura deve ser livre. 
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Deus é perfeito. Sendo a criatura da mesma Substância também há
 
de ser perfeita. 
O S é um organismo constituído de elementos hierarquicamente ordenados. 
Cada ser é perfeito dentro dos limites da individualidade que o constitui e define. 
O princípio de Deus é afirmativo: "EU SOU" 
Os seres, enquanto elementos do Seu organismo, também podiam afirmar: \u201ceu sou\u201d, dentro 
porém dos limites da sua individualidade. 
Mas os seres que se rebelaram à ordem da Lei, transpuseram tais limites e assim, de elementos 
do S (+), inverteram-se, tornando-se elementos do AS (\u2014). 
Isto foi possível porque o ser era livre e jamais poderá perder esta qualidade quem é feito da 
Substância de Deus. 
Com o S, Deus não tinha criado uma maquina automática com funcionamento determinístico, 
mas um organismo de seres livres como Ele. Não se podendo suprimir a liberdade, não se elimina a 
possibilidade do erro. O S não era feito de autômatos, mas de seres livres. 
Objeta-se: Mas Deus é perfeito, portanto não podia criar senão elementos perfeitos 
impossibilitados de errar. 
Respondemos: todavia um elemento fundamental da perfeição é a liberdade. A perfeição não é 
mecânica e determinística como quem subtraindo a liberdade, cria autômatos. A perfeição consiste em 
conceder a liberdade a um ser consciente e responsável que saiba livremente autodirigir-se e aprender a 
reerguer-se, em caso de erro. 
Confrontemos as duas perfeições: I) uma obra feita de elementos automáticos, sem liberdade, 
que não erram porque não possuem a liberdade de errar; II) uma obra feita de seres livres, e por isso 
podem errar, mas que permanecem vinculados à Lei de Deus, sujeitos as suas sanções, mesmo dolorosas, 
que os constrangem a redimir-se. Qual dessas duas obras é mais perfeita? 
E isso que se verifica no ciclo involutivo-evolutivo, onde a maior perfeição de Deus se 
manifesta no poder curativo da doença. Logo, o fim da Queda se resolve com a reconstrução da parte 
invertida do S e, para os espíritos rebeldes, na aquisição de uma nova experiência, que elimina para 
sempre a possibilidade de novos erros. 
Perguntamos, novamente, qual obra é mais perfeita: aquela que não se pode deteriorar; ou 
aquela outra que, mesmo deteriorando-se, possui em si os meios para voltar ao seu estado de perfeição? E 
a vida imperfeita porque está sujeita a doenças e morte, ou é perfeita porque em cada momento sabe 
ressurgir das doenças e da morte? Estas não conseguem de modo algum matar a vida que permanece 
vitoriosa. Em vez de parecer uma fraqueza sua, e um elemento fundamental do seu contínuo renovar-se, o 
que permite a sua ascensão evolutiva. 
Eis que devemos reconhecer a perfeição da Criação, mesmo que ela contenha possibilidade de 
erros, e que o fator liberdade aumenta e não diminui aquela perfeição. 
Uma outra objeção: A Queda é um erro devido a
 
ignorância. Mas como podia a criatura estar 
sujeita a
 
ignorância, se ela era feita da Substância de Deus, Senhor do conhecimento? Ora a criatura 
possuía o conhecimento, mas só dentro dos limites da própria