Pietro Ubaldi   Evolução e Evangelho
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Pietro Ubaldi Evolução e Evangelho


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VI 
 
DINÂMICA DA EVOLUÇÃO
 
 
O telefinalismo da evolução. Não mais materialismo evolucionista, 
mas evolucionismo espiritualista. Da matéria à vida. A técnica construtiva 
da evolução. Uma inteligência dirige o fenômeno, que é regresso à perfeição 
perdida, meta preestabelecida e fatal. Objeções. A técnica da tentativa 
prova e não desmente o telefinalismo. A entropia. Dinamismo cósmico e 
dinamismo biológico. A vida na conquista do movimento para domínio da 
dimensão espaço. 
 
 
Até aqui estudamos, a propósito de um caso vivido, o fenômeno do choque entre involuído e 
evoluído, explicando seu significado com teorias gerais. Observamos, depois o mesmo fenômeno, mas em 
dimensões maiores, na luta entre o Cristianismo como representante do Evangelho, e o mundo, e ao 
contrário. Até agora permanecemos num terreno prático, como a realidade da vida se nos apresenta na 
terra. Nesta última parte do presente volume, dilataremos ainda mais os nossos horizontes, ampliando a 
nossa visão para considerar outro aspecto diferente de A Grande Batalha. 
 
Revelar-nos-á ele o vasto e profundo significado biológico do fenômeno dessa batalha, sua 
importância para o desenvolvimento da vida, e a que resultados maravilhosos tende o fenômeno, levando 
com ele o ser. Isto nos erguerá acima deste mundo, do qual tivemos que ocupar-nos até agora, colocando-
nos em contato com os princípios universais, que estão na raiz mais profunda desse fenômeno, do qual 
traçam o caminho e impõe as conclusões. Esses princípios são os teológicos, demonstrados nos dois 
volumes: Deus e Universo e O Sistema, princípios que aqui voltam, aplicados e confirmados em contato 
coma realidade da vida, onde são observadas onde são observadas as suas conseqüências práticas. Essa 
subida permitir-nos-á unir a realidade do relativo aos princípios que o dirigem, no plano das causas 
primeiras, e isto com absoluto sentido unitário que liga tudo, e tudo funde monisticamente, fazendo achar 
a causa no efeito e o efeito na causa. 
 
Poderemos justificar assim, racionalmente a concepção de involuído e evoluído em que se baseia 
este tratado, dando a esta concepção fundamento cientificamente positivo, de acordo com o que a biologia 
admite. Poderemos explicar e provar nossa afirmação de que o Evangelho representa a lei da humanidade 
futura. Mesmo pelas teorias da ciência, poderemos sustentar que a evolução leva o homem à sua própria 
espiritualização, pois é esta direção em que a vida progride, e é no espiritualizar-se que verdadeiramente 
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consiste o telefinalismo da evolução. Assim, por outros caminhos positivos, poderemos dar plena 
confirmação às afirmativas em que nos baseamos no desenvolvimento desta obra, uma confirmação 
lógica, enquadrada no seio da lei, ou seja, no seio do plano que dirige o funcionamento e a evolução do 
universo. 
 
Que haja um telefinalismo na evolução e que ele seja representado pela espiritualização, já o 
afirmamos várias vezes neste volume, em rápidas referências. Desenvolvamos agora esses pontos, 
explicando-nos o que isto significa e analisando o fenômeno e as razões pelas quais isto acontece. Reside 
a explicação lógica desse fato numa razão profunda. 
 
No volume O Sistema, foi demonstrado que a evolução representa o trabalho de reconstrução do 
sistema, a partir das ruínas do anti-sistema em que aquele caíra. Trata-se de uma experiência do fenômeno 
da evolução que são mais exaustivas e profundas do que as oferecidas pela ciência que, segundo a 
concepção materialista de Darwin e Haeckel, sem penetrar no mundo das causas, se detém na superfície 
dos efeitos, onde aparece apenas o desenvolvimento morfológico dos órgãos. A este, que é um 
materialismo evolucionista, podemos agora substituir um evolucionismo espiritualista. 
 
Podemos assim penetrar o significado íntimo do fenômeno da evolução, ou seja, o de ser um 
processo de reconstrução de um sistema destruído. Impõe-nos este fato conseqüências importantes. Com 
efeito, o modelo a reconstruir preexiste ao processo evolutivo e estabelece a sua meta que constitui 
justamente o telefinalismo. Esse modelo já existe e, se o atual estágio de evolução ainda está distante, ele 
já possui um objetivo determinado, que deverá atingir ao identificar-se com o modelo. As fases sucessivas 
do progredir e aperfeiçoar-se da vida são gradativas aproximações a este estado final. Este é estabelecido 
pelo sistema perfeito, não decaído, que representa a primeira criação operada por Deus. Eis então que a 
evolução não caminha ao acaso, abandonada a si mesma, mas é guiada pela atração para a meta 
longínqua, para a qual tende a marcha, como sobre um binário marcado por um raio de luz. 
 
Há mais, porém. Se conhecemos o ponto de chegada sabemos também qual é o ponto de partida da 
nossa evolução: a matéria. Em A Grande Síntese traçamos todo o caminho a que a evolução submete o 
ser, da matéria ao espírito. Chegamos a saber, assim, mais do que pode dizer-nos a ciência, porque, 
conhecidos o ponto de partida e o ponto de chegada da evolução, pode estabelecer-se também todo o 
traçado do seu caminho. É verdade que, no relativo, as estradas pela quais se pode evoluir são muitas; 
mas se são diferentes na forma, são iguais na substância, porque todas levam ao mesmo objetivo, e 
partindo da matéria vão ao espírito, ou seja, ao sistema e a Deus, que é o seu centro. Tudo parte de um 
pólo onde tudo se encontra no negativo (mal, trevas, dor, morte etc.), e caminha para um pólo em que 
tudo se encontra no positivo (bem, luz, alegria, vida etc.). 
 
Eis então que a evolução se nos revela em seus mais profundos significados, como um fenômeno não 
casual e isolado, mas como um processo fundamental, enquadrado na ordem universal, como parte 
integrante do sistema, em função do objetivo supremo desta; um fenômeno guiado por uma inteligência e 
poder que o disciplinam, determinado por Deus e sujeito à Sua Lei, que permaneceu de pé mesmo depois 
da queda, para dirigir e salvar tudo. Os primeiros biólogos que descobriram a evolução nem sequer 
sonhavam com tudo isto. O conceito de telefinalismo está implícito nessa concepção. Ainda que o 
particular seja deixado ao livre-arbítrio individual, à mercê das tentativas e do erro, em suas grandes 
linhas o fenômeno da evolução é fatal e amarrado a um caminho próprio preestabelecido. Pode-se evoluir 
de várias maneiras, mas somente caminhando para Deus. 
 
Já está, portanto, estabelecida a forma que deverá assumir no futuro da evolução humana, ou seja, 
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que ela só pode consistir no espiritualizar-se. Seu profundo trabalho criador faz-se no terreno das causas 
primeiras, que está no íntimo do ser, mesmo que se trate, como no passado, de construções morfológicas, 
que explicamos como produto ideoplástico. O regresso a Deus só pode significar o despertar, no ser, de 
todas as qualidades espirituais que aproximam de Deus. Assim se explica por que a evolução, quanto mais 
se sobe, mais se deve verificar no íntimo, no profundo, onde Deus está em nós. Assim se explica por que 
o caminho da evolução, para a raça humana que já se tornou madura, só pode continuar na forma de sua 
espiritualização. Significa isto o despertar do ser por conquista do conhecimento e consciência; significa 
desenvolver a vida interior; compreender e viver o espírito do Evangelho, e com isto realizar na terra o 
reino de Deus: espiritualização, porque a evolução vai da matéria para Deus, que é o espírito; 
desenvolvimento da vida interior, porque Deus é interior e não exterior ao ser e ao universo. 
 
Aqui se vão delineando os argumentos