Pietro Ubaldi   Evolução e Evangelho
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Pietro Ubaldi Evolução e Evangelho


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aquele maravilhoso 
edifício biológico, em que vemos, no fim, aparecer o pensamento e o espírito? 
 
Dado o ponto de partida estatisticamente falando, o fenômeno do surgir da vida é estranhamente 
improvável, e o seu desenvolvimento até ao homem é inexplicável. Usando o cálculo das probabilidades 
pode demonstrar-se matematicamente a impossibilidade de explicar,
 
apenas com o acaso, o aparecimento 
espontâneo da vida na terra. As primeiras células não podiam nascer de uma desordem caótica por uma 
combinação fortuita de elementos atômicos, mesmo que, dispondo de um tempo ilimitado, fosse possível 
teoricamente qualquer combinação. Antes de tudo, para a terra, há limites de tempo, imensamente inferior 
ao necessário para que tal combinação tenha podido verificar-se em larga escala. Além disso, as 
propriedades da célula implicam, não uma simples combinação de elementos, mas pressupõem uma 
coordenação de complexidade que jamais poderá resultar do acaso, mas apenas de uma direção 
inteligente. Sem dúvida foi utilizada matéria prima menos evoluída. Mas não significa absolutamente que 
isto seja a causa do fenômeno. Devemos admitir, ao invés, que a vida não é uma criação da matéria, mas 
apenas uma manifestação e revelação através da matéria. Igualmente temos de aceitar que o espírito não ó 
uma criação da vida, mas somente uma manifestação e revelação através dela. É inevitável, então, 
concluir admitindo que o mundo biológico não ó o produto gerado pelo mundo físico e dinâmico; que o 
mundo psíquico espiritual não é um efeito determinado pelo mundo biológico, mas que todos eles são a 
expressão de um princípio superior que utiliza as construções precedentes para delas realizar outras cada 
vez mais complexas e perfeitas coordenando seus elementos em combinações cada vez mais sábias. Se 
nada se cria, e nada se destrói, e se do nada, nada se produz, não nos resta senão buscar naquele princípio 
superior uma causa, para esses efeitos. 
 
Passando, ao evoluir, do mundo físico ao dinâmico, ao biológico, ao psíquico e espiritual, assistimos, 
em cada degrau,
 
a uma inovação radical, como se fora uma revolução em que se manifestam efeitos que 
as causas existentes nos planos inferiores não contêm e não explicam. A cada salto para frente nasce um 
mundo novo, dirigido por novos princípios, que são muito mais do que simples conseqüência dos pre-
cedentes. Nada se destrói, o velho continua a existir no novo, mas apenas em posição subordinada, como 
meio e suporte de algo que ele não conhece. 
 
Além disso, podemos observar um fato estranho. O plano da vida e do pensamento constituem um 
mundo físico e energeticamente de grandeza desprezível, diante daquela grandeza imensa dos astros e 
planetas, e da quantidade e potência das energias cósmicas. Trata-se de um mundo quantitativamente 
menor, mas qualitativamente superior. A que causa atribuir essa superação qualitativa? Não, de certo, aos 
planos inferiores, dos quais é, justamente, uma superação. Nenhuma entidade sozinha pode conter os 
elementos aptos a produzir a própria superação, que lhe permitam sair das próprias dimensões elevando-
se acima delas. È verdade que, nos planos inferiores, encontramos maior riqueza de quantidade. Mas 
poderá a quantidade sozinha produzir a qualidade? 
 
A evolução parece proceder construindo em forma de pirâmide, selecionando cada vez mais, quanto 
mais sobe, os seus elementos e mandando para a frente apenas os mais escolhidos. E assim que a evo-
lução consegue fazer qualidades com a quantidade, extraindo-a da massa. Mas para que isto seja possível, 
seria necessário que a quantidade contivesse, embora em medida reduzida, a qualidade. Ora, como pode 
um plano inferior conter as características complemente diferentes que individualizam um plano superior? 
 
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Eis que quanto mais observamos e raciocinamos mais somos arrastados para o mesmo ponto. Os 
fatos e a lógica nos constrangem a aceitar, como explicação de tudo isto, a presença de uma inteligência e 
poder diretores, preexistentes ao fenômeno da evolução, à qual impõe determinado caminho e 
telefinalismo. Torna-se então explicável essa transformação de potência criadora, compreendendo-a não 
como uma absurda derivação do menos no mais, mas como uma destilação progressiva de valores 
substanciais, já contidos em potência, como numa semente, que depois gera a árvore, contidos numa coisa 
que não é menor, mas apenas aparece assim, porque ainda não se desenvolveu. Mas donde derivam, 
então, esses valores substanciais, e como podem existir no estado latente, não-expresso, à espera de 
desenvolvimento, mesmo nos mais baixos planos da evolução? Para responder, é indispensável ter 
compreendido a teoria da queda, explicada em nossos dois volumes Deus e Universo e O Sistema, e o 
desenvolvimento evolutivo traçado em A Grande Síntese,
 
que se pode definir: a teoria do reerguimento. 
Nesses livros está explicada a origem da matéria, pela queda, corrupção ou involução do espírito, e o 
regresso, pelo caminho da evolução, àquele perfeito estado originário, o que é um estado de reerguimento 
ou reconstrução do sistema, a partir do anti-sistema, sob a guia daquele mesmo Deus que, tirando-o de si, 
tinha criado tudo. 
 
O fenômeno da evolução torna-se, então, bem compreensível, como um caminho de volta, paralelo e 
inverso ao de ida; compreensível, porque toda a trajetória do projeto se toma visível, equilibrada em suas 
duas fases opostas de descida e subida, do ponto de partida até ao pólo oposto, e, deste, recuperando tudo 
o que perdeu, novamente até ao ponto de partida. Explica-se, assim, esse estranho fenômeno do "mais" 
que nasce do "menos", pelo qual a qualidade emerge da quantidade, o complexo, do mais simples, porque 
esse mais não é gerado do menos assim como a qualidade não o é da quantidade, nem o complexo do 
simples. A posição precedente, de menos, de quantidade, de simplicidade, não representa a causa do 
"mais", da qualidade, do complexo, mas apenas uma fase de diverso grau de desenvolvimento de um 
mesmo processo, que consiste na restituição ao estado atual daquilo que se reduzira ao estado latente. 
Restituição, isto é, regresso e reerguimento, porque a involução é uma queda do espírito na matéria, da 
substância na forma; ao passo que, com a evolução, da matéria reaparece o espírito, da forma emerge e 
revela-se a substância. Com eleito, esse é o processo evolutivo, que significa tornar a subir a Deus, que é, 
ao mesmo tempo, ponto de partida e de chegada. 
 
Leva-nos tudo isto, fatalmente, ao conceito telefinalístico, que agora nos parece indispensável, para 
poder compreender e explicar-nos o processo evolutivo que, não podemos deixar de admitir, é presidido 
por esse guia que fixa a meta preestabelecida e fatal. Assim, podemos agora explicar-nos, finalmente, o 
significado e as causas da distinção entre involuído e evoluído em que se baseia este volume. Sabemos 
agora qual é o poder que faz nascer, num plano inferior, os primeiros exemplares de um superior. Agora 
vemos qual a força que preside ao fenômeno, que defende e salva, num ambiente ciumento e inimigo,
 
esses tipos biológicos fora da série, como todas as exceções isoladas e contrastadas pela massa diferente 
dos menos evoluídos, que é contrária a elas. Explica-se dessa maneira como o mais adiantado, que é mais 
difícil e complexo para sobreviver, pode vencer a batalha da vida, e fixar-se como novo tipo biológico, 
fazendo desse modo progredir; a evolução. Tudo se explica, mas por obra de um conceito metafísico, que 
já agora se torna indispensável até à ciência; pois enquanto esta não descobrir o lado imponderável do 
fenômeno, só poderá atingir uma visão parcial, insuficiente para compreender o processo evolutivo, que