Pietro Ubaldi   Evolução e Evangelho
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Pietro Ubaldi Evolução e Evangelho


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o 
luxo de viver um Evangelho integral, abandonando as armas e abraçando o inimigo que o estrangula. Para 
o ser comum, isto não passa de loucura, mas é nessa loucura que se revela a diferença do tipo biológico. 
Cada um é o que é, e com o próprio comportamento revela o que seja. É inútil vestir-se como evoluído, 
quando não se é tal. E cada um, de acordo consigo mesmo, vai situar-se no plano que lhe compete, porque 
é o seu, e nele encontra o ambiente apto a viver. O homem comum está proporcionado ao ambiente 
terrestre em que encontra os elementos correspondentes à sua natureza, aptos a neles poder realizar-se. 
Isto lhe dá o direito de viver na Terra, dela fazendo sua própria pátria, naturalmente, onde ele se encontra 
à vontade, e onde o evoluído se acha constrangido. Mas isto lhe torna também mais difícil a saída, que 
para o evoluído é fácil e espontânea. O involuído encontra na Terra inimigos a cada passo, mas possui 
instintivamente, como sua maior sabedoria, a de saber fazer guerra contra eles, para se não deixar 
esmagar. Dessa forma, todos passam a vida agredindo-se. Para o evoluído, isto é estúpido e bestial, mas 
para eles é até alegre, porque vencer um inimigo representa a maior vitória da vida. O evoluído encontra 
ainda maiores inimigos, mas repugna-lhe guerreá-los,
 
porque são o seu próximo. Estes agridem e ele 
perdoa,
 
deixa-se espoliar e tratar de louco por haver perdoado e ter-se deixado roubar. Ele mesmo não se 
adapta a viver na Terra, onde tudo lhe sai errado, e é expulso dela. Ora, isto que constitui a maior 
condenação para o involuído, porque significa expulsa o do pr6prio ambiente, e, com isto, renuncia a 
única forma de vida de que é capaz, representa não uma perda, mas um lucro para o evoluído, que assim 
se vê expulso e lançado para o seu ambiente próprio, e com isto regressa à sua própria forma de vida. 
 
Todavia, há mais ainda. Se o evoluído se encontra na terra, seja mesmo por exceção, é para realizar 
alguma tarefa, e não para nada. Essa tarefa interessa a vida em sua fundamental exigência, que é a 
evolução. Então a vida, por ele vivida, não pode desinteressar-se de sua sorte e, com sua inteligência, 
movimenta forças dinâmicas de tal forma que a existência biologicamente preciosa do inerme evangélico 
não seja desperdiçada, servindo apenas para engordar os lobos vorazes, de que o mundo esta cheio. A 
vida se defende a si mesma, em todos os seres que a representam e sobretudo naqueles que constituem 
seus maiores valores. Se protege os seres inferiores, fornecendo-lhes armas naturais, necessárias para 
resistir na luta, é impossível não ter de admitir \u2014 dada a inteligência que a vida demonstra a cada passo 
\u2014 que ela não forneça meios defensivos aos seres superiores, aos quais, justamente por isso, está 
confiada uma tarefa mais importante para a obtenção de seus fins. Eis a razão biológica pela qual 
acontece aquele milagre que observamos no caso examinado no último volume.1 
 
 
1
 A Grande Batalha (N. do T.) 
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 8 
Se nos planos mais baixos da vida, o ser é submetido a uma dura escola, a luta pela seleção do mais 
forte, isto tem sua boa razão de ser. Se não houvera essa premente necessidade de manter-se sempre alerta 
para o ataque e a defesa, o que induziria o ser a realizar experiências para aprender, desenvolver a 
inteligência e assim evoluir? Devorar-se mutuamente constitui uma das maiores ocupações do animal, 
tanto quanto para o homem fazer a guerra. Esta é a lei de quem vive nesse plano de vida. Mas isto torna-
se absurdo logo que se suba aos planos mais evoluídos, onde, para atingir os seus fins, a vida precisa 
realizar um trabalho totalmente diferente. Para ela, conhecedora de tudo, um evoluído que se exercitasse 
no jogo do ataque e da defesa não tem sentido, porque é diferente a seleção que se deve fazer nos planos 
superiores. Então, para um evoluído, fazer semelhante trabalho é perda de tempo, inútil dispêndio de 
energia, representa uma atividade atrasada e contraproducente. É natural então que a vida, que demonstra 
ser sábia e econômica, não dirija, com o mecanismo de suas forças, o ser para atividades que, neste caso, 
o fariam retroceder para planos evolutivos inferiores, e procure, ao contrário, impeli-lo para os mais 
adiantados, como supremo fim da evolução, lei fundamental da vida. 
 
Observando bem tudo, não se pode acusar a ninguém. Pode-se apenas compreender que tudo esta em 
seu devido lugar, para realizar o trabalho que compete a cada um, de acordo com a sua natureza. O 
involuído está bem nesta terra, com as duras condições de luta que aqui se encontram, porque estas são 
proporcionais a ele, que está revestido por aquelas qualidades instintivas que o tornam apto a esse 
ambiente. O evoluído aí está bem, na sua posição de exilado, da qual deverá ser libertado, e pela qual será 
recompensado logo que tiver cumprido sua função civilizadora entre os mais atrasados. Desenvolve-se o 
jogo da vida protegido em ambos os casos pelos recursos próprios, embora diferentíssimos. Para o 
involuído existem seus instintos belicosos e as armas da luta terrena. Para o evoluído vem a intervenção 
das forças do Alto, que realizam o que aparece como prodígio no plano do primeiro. Colocar-se-á, então, 
a favor do Evangelho quem tem a inteligência para compreendê-lo e um grau de evolução suficiente para 
poder praticá-lo. Os outros, bem convencidos, no segredo de seus corações, de que se trata de loucura 
perigosa, evitarão vivê-lo seriamente, e o deixara o no terreno teórico, limitando-se a uma gloriosa 
exaltação verbal. Este é o único modo pelo qual pode hoje o Evangelho existir na Terra, dado o grau de 
evolução humana. Mas é útil repeti-lo, embora sem eco, porque fazendo isto durante milênios, alguma 
coisa se fixa na forma mental das massas e aí fica. Assim, mesmo que a pregação apenas realize uma 
função educadora, somente através da sugestão, jamais pede uma demonstração racional,
 
inacessível à 
maioria. 
 
Desta maneira, ninguém está errado e cada um tem o que lhe compete. O homem atual emerge de um 
recente estado de barbárie, e se pôde chegar até aqui, ele o deve exatamente às suas capacidades 
combativas. Sem a luta feroz, de que ainda conserva o instinto, como teria podido desenvolver a sua 
inteligência? O passado o exigia, e assim se justifica a presença atual dos resíduos. Por isso, o involuído 
não merece condenação alguma. Está tudo bem. 
 
Todavia, se esta posição atual se explica e se justifica diante do passado, o mesmo não acontece em 
relação ao futuro. Aceitá-la para o futuro, significa adaptar-se a viver naquele estado de barbárie. O 
homem atual não merece condenação, antes até, admiração, por ter sabido emergir, até aqui, de estados 
tão selvagens. Se, diante destes, ele pode julgar-se civilizado, está bem longe de o ser diante de seu 
futuro. Eis por que pode considerar-se o homem atual como um ser ainda semi-selvagem, que precisa 
urgentemente ser civilizado. Eis aí, então, a função do biótipo evoluído para executar esse trabalho 
necessário, ou seja retirar da barbárie a massa involuída, que ainda se encontra atrasada, vivendo no plano 
animal. Trata-se de multiplicar cada vez mais o biótipo do evoluído, em substituição ao outro tipo mais 
atrasado, que é o involuído. Trata-se de ajudar a vida neste seu laborioso processo de maturação dos 
espíritos, exigido pela lei de evolução. Trata-se de secundar a história, no grande trabalho desse seu parto 
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doloroso de evoluídos em massa, e não mais de casos esporádicos excepcionais: só essa massa