Pietro Ubaldi   Evolução e Evangelho
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Pietro Ubaldi Evolução e Evangelho


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ainda maior do que aquela ali descrita. 
É a batalha entre sistema e anti-sistema na evolução do universo, para que este possa regressar a Deus. No 
presente volume, estamos dilatando cada vez mais a visão do caso narrado, até chegar a uma visão muito 
maior, de caráter universal, que nos mostra os erros da conduta humana diante da lógica da vida. Assim, 
subindo sempre e ampliando os horizontes, chegamos a harmonizar a realidade dos fatos que todos 
vivemos na terra, com as teorias expostas nos dois volumes: Deus e Universo e O Sistema. Em contato 
com aquela realidade, pudemos verificar que elas receberam plena confirmação, demonstrando ainda uma 
vez, depois do controle racional, a sua verdade com o. controle experimental. 
 
Chegados a este ponto,
 
podemos responder melhor as perguntas que fizemos um pouco acima: Que 
acontecera ao homem no futuro? Aonde o levara a evolução? A isto já respondemos em parte. Podemos 
agora caminhar mais à frente e perguntar: A que estado chegará o homem na conclusão dessa 
interminável viagem da evolução? Este será um momento muitíssimo distante,
 
mas é certo que deverá 
chegar um dia. O ambiente terrestre não pode conter as possibilidades para todos os futuros 
desenvolvimentos da vida. Nem pode ele ser eterno. Onde e como poderá continuar a viver e evoluir o 
homem, quando o sol estiver apagado e a terra morta? E,
 
mesmo que a raça humana tivesse de perecer,
 
onde e como a vida, que não pode extinguir-se continuara sua evolução? Já dissemos pouco atrás que o 
universo tende a sua destruição como forma material, por desintegração atômica, e como forma dinâmica, 
por entropia. Que acontecera, então, com a vida que se desenvolve na superfície dos planetas? Como 
poderá ela continuar a evoluir, sem um suporte físico, ao qual estamos hoje habituados a vê-la ligada? 
 
Se bem observarmos, veremos que o processo da liquidação do universo físico e dinâmico não é um 
fenômeno isolado; mas que, paralelo a ele, se verifica um correspondente processo genético de um 
universo espiritual. Nada se cria e nada se destrói. O que morre, tem de renascer sob outra forma. A 
substância que desaparece como manifestação no plano físico e dinâmico, reaparece em diferente 
manifestação no plano espiritual. Os dois fenômenos de destruição e reconstrução estão equilibrados, e o 
seu transformar-se de um no outro é apenas um processo criativo de reintegração, através da mudança de 
forma. 
 
Diz-nos esse paralelismo que, quando o universo físico e dinâmico forem liquidados e desaparecer 
esta sua forma, então a vida humana terá superado sua atual forma física e, por haver-se espiritualizado 
completamente, ter-se-á transferido ao plano do imponderável. Ser-lhe-á possível, dessa maneira, 
continuar a existir, sem ter mais necessidade de suporte físico. Portanto o homem nada tem de temer, 
quanto a destruição de seu planeta e do sistema solar. 
 
O problema é vasto e diz respeito as espécies todas da vida, a qual sabemos não poder existir sem 
apoiar-se no suporte material, oferecido pela superfície de um planeta. Deduz-se que a vida esta sob a 
dependência do fenômeno da formação e existência dos planetas no universo. Segundo a velha concepção 
antropomórfica-egocêntrica, seguida pelos teólogos, a terra teria sido o único ponto habitado do universo, 
o centro e o fim da criação. Embora fosse aceito isto também porque, sendo muito honroso, podia 
satisfazer ao míope orgulho humano e ao natural instinto egocêntrico da maioria pouco evoluída, 
continuava o absurdo de um tão ilimitado universo existir apenas em função de um tão minúsculo 
homem, que mal o conhece, perdido sobre um grãozinho de poeira que gira nos espaços. Então todo o 
resto existiria para nada. 
 
Uma necessidade lógica nos força a admitir que as formas planetárias necessárias a evolução da vida, 
estejam bastante espalhadas, para que esse importantíssimo fenômeno possa realizar-se nas devidas 
proporções. Mas vejamos o que a respeito diz a ciência. Até ha pouco tempo, os astrônomos geralmente 
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acreditavam que os sistemas planetários do universo fossem muito raros e, portanto, também a vida neles. 
Isto porque se supunha,
 
como no caso de nosso sistema solar, que a série dos planetas nascesse de uma 
colisão de estrelas. A matéria tirada da massa de nosso sol, ter-se-ia assim destacado do corpo central e 
recolhido nos planetas em torno dele. Com efeito, eles continuam a girar em redor do sol na mesma 
direção em que ele gira em torno de si mesmo e quase no mesmo plano. E no mesmo sentido os planetas 
continuam a rodar em torno de seu eixo polar, e a girar em redor deles os seus satélites. Isto, exceto o caso 
de Urano e do movimento retrógrado dos satélites mais externos de Júpiter e Saturno etc., é verdade até 
agora. 
 
Há o fato, porém,
 
de estarem as estrelas muitíssimo distantes uma das outras. Então esse 
método de gênese estelar torna a formação de sistemas semelhantes ao nosso, extremamente improvável. 
Pensava-se que menos de um caso sobre um milhão pudesse dar lugar a essas formações. Concluía-se que 
a nossa terra habitada devia enumerar-se entre os acidentes raríssimos. 
 
Os astrônomos modernos acreditam, ao invés, que as estrelas se formam por condensação de 
levíssima matéria cósmica, antes difusa, a qual, concentrando-se, começa a esquentar até ao ponto de 
gerar reação nuclear, e assim a brilhar e irradiar energia, a maneira da bomba de hidrogênio. Durante esse 
processo formam-se correntes interiores turbinosas espiralóides, que lançam á periferia menores massas 
rotativas, que formam os planetas, que continuarão a girar em redor da estrela. Sua matéria 
condensar-se-á cada vez mais em torno de seu centro de rotação e eles formarão corpos separados. 
 
Eliminada assim a hipótese do choque, coisa improvável, preside então á gênese planetária uma 
causa mais comum, que pode facilmente verificar-se em muitos momentos e pontos do universo. Então 
pode aceitar-se que as formas planetárias não sejam de modo algum raras. Pode-se supor,
 
com razão; que 
em redor de muitíssimas estrelas existam planetas em que é possível a vida, embora em forma diferente, 
mas dirigida pelos mesmos princípios fundamentais e dirigida para os mesmos objetivos finais para a qual 
caminha a nossa. Esses planetas não são visíveis, porque não possuem luz própria e estão muito próximos 
aos seus respectivos sóis, com os quais se confundem ao serem observados da terra. Mas a oscilação da 
luz de muitas estrelas faz pensar que outro corpo se mova diante delas,
 
interceptando-lhes a luz 
intermitentemente. Hoje a ciência aceita que uma galáxia possa conter desde o máximo de um milhão, até 
um mínimo que não seria inferior a cem mil sistemas planetários. 
 
A hipótese sustentada por Flammarion, da pluralidade dos mundos habitados, tornou-se mais 
aceitável pelo fato de que os astrônomos julgam que a composição do universo seja resultante mais ou 
menos dos mesmos elementos fundamentais. Deduz-se daí que os outros planetas devem ser constituídos 
pelo mesmo material que o nosso, de modo que neles poderão ter sido produzidos ambientes e condições 
semelhantes de vida, o que implica a possibilidade de que essa tenha podido aí manifestar-se e 
desenvolver-se, tal como ocorreu na terra. Não é, portanto, contrário as conclusões da ciência admitir que 
exista,
 
espalhada pelo universo, uma infinidade desses berços da vida. Isto significa que esta se espalha 
por todo o universo e que a evolução possui, desta maneira vastíssima base de operações para desenvolver 
a consciência e despertar o espírito, avançando de fato para o seu telefinalismo, como acima explicamos. 
 
A ciência nos confirma também aquela exigência lógica,