Pietro Ubaldi   Evolução e Evangelho
104 pág.

Pietro Ubaldi Evolução e Evangelho


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia91 materiais1.844 seguidores
Pré-visualização50 páginas
a que acima fizemos referência, pela qual 
parece estranho que o nosso planeta ou sistema planetário se tenha achado em condições tão felizmente 
excepcionais e superiores, que pôde ter o privilégio, só ele,
 
ou poucos mais, de hospedar um fenômeno tão 
elevado, como a vida, e o desenvolvimento de consciência que ela tende a produzir. Fato este tanto mais 
difícil de admitir, quando se pensa que todo o processo reconstrutivo da evolução teria ficado sustentado 
por este único e tênue fio, que é a vida na Terra, enquanto todo o resto do universo teria ficado sem 
Evolução e Evangelho Pietro Ubaldi 
 
 76 
significação nem objetivo, em relação aos fins supremos que deviam ser atingidos, e que já agora 
demonstramos suficientemente. Não se compreende como a evolução possa permanecer operando, 
concentrando-se apenas num ponto, no meio de um deserto sem limites, e que seria qualificado como 
inútil. Como admitir tão flagrante absurdo, no meio de uma logicidade constante,
 
que vemos aparecer a 
cada momento do funcionamento e evolução do universo? Como se explicaria uma tão excepcional 
violação dos tradicionais métodos de utilitarismo e economia que dirigem o transformismo evolutivo? 
Não se consegue imaginar um universo tão sem finalidade; sua existência sem uma razão que a justifique; 
tanta sabedoria e poder para nada. Não se pode admitir também o outro absurdo, isto é, que a sabedoria e 
poder de Deus, para atingir seus fins mais altos, se tenham dirigido só para este ponto, escolhido em todo 
o infinito dos mundos, para esta nossa invisível Terra a fim de, fazer do homem o mais alto modelo dos 
produtos da vida. 
 
Só com a teoria acima exposta tudo se explica; inclusive as estrelas e as galáxias. Deste modo a 
existência no plano físico e dinâmico, adquirem um significado e assumem uma tarefa que se realiza em 
função do telefinalismo de toda a evolução. A infinita multiplicidade do transformismo fenomênico e 
reconduzida a um conceito unitário, e se compreende a razão última de tanto esforço para subir. Só assim 
tudo o que existe, seja na forma de matéria,
 
ou de energia, ou de espírito, tem sua função a realizar e sua 
lógica razão de ser, para atingir a meta final de tudo, Deus. No ilimitado universo não gira no vazio tanta 
matéria morta inútil, mas caminham muitos mundos que servem de apoio onde se possa desenvolver a 
vida, para que depois, por meio dela, possa reconstruir-se em seu estado espiritual, que e o único que pode 
agasalhar perfeição e felicidade. 
 
O trabalho da evolução esta assim distribuído no universo: nos planos da matéria, o trabalho se 
realiza nas estrelas e galáxias; nos planos de energia, nestas e nos espaços interestelares; nos planos da 
vida, na superfície dos planetas. Aqui amadurece o universo e evolui, através da vida, para sua fase 
superior, que é a do espírito. O ser subirá de forma em forma, de ambiente em ambiente, de planeta em 
planeta, até que, evoluindo e desmaterializando-se, assuma formas tão espirituais que para elas não será 
necessário suporte planetário, e a vida poderá existir sem o concurso da matéria, sobrevivendo, no fim do 
universo físico, como produto final de sua transformação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VIII 
 
O PROBLEMA DA MORAL 
 
 
A moral biológica positiva. Convicção e não terror. Andar a 
favor,
 
e não contra a vida. Moral positiva de construção. Se surge um 
Evolução e Evangelho Pietro Ubaldi 
 
 77 
conflito entre a ética e a vida, é esta que vence. Moral mais livre, mas 
consciente e responsável. Moral é tudo o que faz evoluir para Deus,
 
e 
ao contrário Utilitarismo superior. Definição de moral. Na evolução, 
ela é relativa. Conceito de ética progressiva, em várias dimensões. 
Respeitar os direitos da vida. Suas três exigências fundamentais, os 
três maiores instintos humanos e as obrigações da ética. A atual é 
moral de guerra, não de justiça. Garantir: 1) A conservação do 
indivíduo (bens e propriedades); 2) a conservação da espécie (amor e 
família); 3) a evolução (defesa do evoluído). A dor é desarmonia. 
Renúncia e castidade. As virtudes positivas. Triste sorte do gênio. 
 
 
 
Referimo-nos, no capitulo precedente, a uma moral biológica positiva, racionalmente demonstrada, 
baseada nos princípios que regem a vida, e prometemos que delinearíamos o seu conteúdo. Podemos 
agora, ao concluir o presente volume, desenvolver este assunto. 
 
As normas da ética tiveram, no passado, a função de disciplinar a vida do homem, refreando-lhe e 
guiando-lhe os instintos animais, para que adquirisse outros mais evoluídos. Essa moral, dirigida ao 
grande objetivo de refazer o homem, melhorando-o, foi por ele aplicada, porém, segundo a sua forma 
mental e instinto dominante, ou seja, com espírito de ataque e defesa, que corresponde a lei de seu plano 
animal, a da luta pela seleção do mais forte. Como conseqüência, a execução das normas dessa moral é 
confiada, em grande parte, ao terror de sanções punitivas, ao cálculo do pr6prio prejuízo, o que introduz, 
no seu utilitarismo criador, próprio da vida, um elemento negativo, tendente a invertê-lo, dando-lhe um 
aspecto de agressão e destruição. 
 
A nova moral, ao contrário, é concebida não contra, mas em função da vida. Sempre e totalmente 
positiva e construtiva, jamais e em coisa alguma negativa, destrutiva ou agressiva, pois, mesmo visando 
ao bem, jamais poderá posicionar-se contra as leis da vida. Trata-se de uma moral mais evoluída, que não 
destrói, mas respeita toda a moral precedente e atual, e que justamente, por ser mais evoluída, não pode 
deixar de perder alguns de seus caracteres negativos, feitos de luta e imposição, os quais são necessários 
nos planos inferiores de vida porque se destinam a conquistar, a partir daí, outros planos positivos, feitos 
de amor e compreensão, possíveis apenas nos níveis mais elevados da existência. Tudo o que evolui, \u2014 e 
também a moral não pode deixar de evoluir, procedendo do anti-sistema ao sistema, \u2014 tem de perder 
cada vez mais os caracteres do primeiro, para substituí-los pelos do segundo. Feita para um ser mais 
evoluído, a nova moral, perderá os opressores e anti-vitais atributos de culpa, pecado,
 
condenação, que 
significam esmagamento, e a vitória do mal infligido pelo mais forte com sua sanção punitiva, para 
basear-se, não na coação pelo medo do prejuízo, mas pela convicção de ir ao encontro da vantagem 
própria. É um reerguimento de posições, pelo qual se trabalha não mediante repulsão, mas por atração, 
sendo o móvel não a fuga de um mal que nos ameaça, mas a consciência da utilidade de obedecer às 
normas da ética. Só se pode, porém, chegar a essa nova moral, quando a evolução tiver amadurecido bem 
o homem, para que este novo modo de concebê-la possa ser usado sem prejuízo; ou seja, quando o 
homem tiver chegado a um tal desenvolvimento como inteligência e sensibilidade, que,
 
para alcançar os 
objetivos educacionais que a moral se propõe, possa dispensar-se o chicote dos terrores infernais. Então 
bastará o fato de compreender que obedecer à Lei de Deus não está em contraste, mas concorda perfeita-
mente com o nosso instinto de subir. Esse é o próprio instinto da vida, isto é, o de atingir a maior 
vantagem: utilitarismo que se justifica pelo fato de ser um meio para subir, avizinhando-se, assim, cada 
vez mais da realização dos supremos fins da evolução. 
Evolução e Evangelho Pietro Ubaldi 
 
 78 
 
Deduz-se daí que, quando dizemos nova moral, não queremos com isso condenar e muito menos