Pietro Ubaldi   Evolução e Evangelho
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Pietro Ubaldi Evolução e Evangelho


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sua natureza, em suas condições de vida, realizando o próprio tipo, utilizando os 
meios que possui, obtendo aquilo que lhe compete. O ser inferior continuará a agredir o mais evoluído, 
acreditando que assim está vencendo, ao passo que perde a melhor ocasião para subir; e o mais evoluído 
continuara a sacrificar-se até que, com a bondade e o amor, tenha conseguido derrubar as portas do 
egoísmo e da ignorância, e vencer a animalidade, fazendo emergir o homem de seu baixo plano de vida. 
Assim ira o Evangelho lentamente, através dos milênios, caminhando para a sua realização. Mas entre os 
dois, involuído e evoluído, o mais forte é o segundo, porque está protegido pelas forças da vida que quer 
ascender. A ele caberá a vitoria final. Se ao outro pertence o passado, a ele pertence o futuro. 
 
Evolução e Evangelho Pietro Ubaldi 
 
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Neste capitulo, procuremos definir melhor as duas posições fundamentais e antagônicas, de evoluído 
e involuído, que se poderiam chamar os dois extremos do biótipo humano. Procuremos ver os direitos e 
deveres de cada um, as vantagens e desvantagens de estar situado num ou noutro ponto. Antes de 
enfrentar outros aspectos e problemas, resumamos, para esclarecer cada vez melhor este assunto, alguns 
de seus pontos fundamentais \u2014 alguns dos quais já referidos \u2014 definindo com mais exatidão as 
respectivas posições e condições de vida: 
 
1) Neste estudo, quisemos apenas comprovar, com absoluta imparcialidade, alguns aspectos das leis 
da vida, explicando seus princípios e funcionamento, sem condenar ninguém. Ao involuído cabe, ao 
contrário, compaixão, já estando ele condenado pela própria involução, a qual lhe dá, no entanto, o direito 
de ser ajudado por parte dos mais evoluídos. 
 
2) Em substância, segundo suas relatividades, todos têm razão, porque cada coisa está em seu lugar. 
E isto é lógico. Nem poderia ser diversamente, se tudo depende da sabedoria de Deus e da Sua lei. Assim, 
na grande ordem do todo, cada elemento fica em sua verdade relativa, que representa a sua posição no 
seio da verdade universal, que abraça todas as verdades relativas numa unidade orgânica. Assim, evoluído 
e involuído permanecem em suas verdades, relativas à sua posição, que é a que compete a cada um 
segundo a sua natureza, da qual não podem deixar de sofrer as conseqüências estabelecidas pela lei. 
 
3) As diversas condições de evoluído ou involuído representam apenas posições diferentes ao longo 
da escala da evolução, pela qual todos os seres caminham. Portanto, não significam superioridade ou 
inferioridade em sentido absoluto. O mais evoluído tem sempre, acima de si, outro que o é mais; e o mais 
involuído tem sempre, abaixo de si, quem é ainda mais involuído. Ao longo da escala da evolução, cada 
um se acha sempre nas mesmas condições, ou seja, situado entre um tipo superior e um inferior, de 
maneira que não há de modo algum superior nem inferior em sentido absoluto. Cada evoluído é um 
involuído em relação ao que lhe é superior, e cada involuído é um evoluído em relação ao que lhe é 
inferior. Num mundo assim, em que tudo é relativo, não existe, racionalmente, lugar para orgulho ou 
acanhamento de ninguém. A palavra involuído não tem nenhum sentido depreciativo,
 
mas apenas o de 
imaturo, que amanhã amadurecerá. 
 
4) Temos de esclarecer este ponto, porque muitas vezes acontece que a primeira coisa que alguns 
leitores compreendem, não é se uma teoria corresponda ou não à verdade, mas se alguém quis colocar-se 
em certa posição de superioridade, que, como tal, os humilhe e ofenda. Ora, a finalidade deste livro não é 
estabelecer nenhuma superioridade, mas apenas mostrar como funciona a vida, segundo as leis feitas por 
Deus,
 
diante das quais só temos de obedecer. Nós as vamos descrevendo para vantagem de quem lê, a fim 
de que possa tirar delas o maior proveito para si mesmo. O universo é uma grande máquina perfeita, até 
mesmo nos métodos com os quais vai procurando a perfeição nos pontos em que ainda não a possui. 
Chegar a conhecer como tudo isto funciona, pode representar precioso guia, para evitar erros prejudiciais, 
pelos quais depois deveremos pagar, e ainda para atingir o nosso bem, acabando por sabermos 
comportar-nos. Difundir esse conhecimento pareceu-nos coisa urgente, num mundo, que a esse respeito, 
se comporta loucamente, mas que deverá depois sofrer em proporção. 
 
5) Em relação à meta final, Deus, todos estamos igualmente a caminho. O que nos irmana é o fato de 
que somos todos viandantes ao longo do ilimitado caminho da evolução. Uns caminham mais depressa, 
outros mais devagar. Imóvel é que ninguém pode permanecer. O grande impulso para a frente impele a 
todos. Assim, o involuído de hoje tende a tornar-se o evoluído de amanhã. Trata-se de uma grande 
marcha, de que todos os seres participam. 
 
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6) Na evolução não há barreiras insuperáveis, compartimentos estanques, portas fechadas. A estrada 
para evoluir está aberta a todos,
 
e qualquer um, desde que o queira, pode tornar-se um evoluído, subindo, 
se ainda o não e. Cada inferior pode sempre subir, merecendo-o, ao posto do superior, que considera um 
dever e uma alegria ajudá-lo nisto. 
 
7) Quanto mais são avançadas as posições,
 
menos podem ser de egoísta vantagem para si, mas antes 
de altruísmo, que se inclina sobre os inferiores para ajudá-los a subir. Evoluindo, não crescem os direitos, 
mas os deveres; não se ganha em comando, mas em obediência. A evolução representa uma demolição 
progressiva, egocentrismo separatista, estado de caos ao qual se substitui o estado orgânico unitário. É 
natural que, caminhando para a ordem, se vá para a obediência, para a confraternização, para o altruísmo 
que destrói o separatismo. 
 
8) A verdadeira posição psicológica dos menos evoluídos, em relação aos mais evoluídos, não deve 
ser a de inveja e ciúme, mas a de alegria, pelo fato de possuir um amigo mais adiantado, que nos ajuda, 
para vantagem nossa. A função dos que mais progrediram é a de trazer para a frente, consigo, os que estão 
mais atrás. Esta é a lei. Não se pode subir sozinho e só por si mesmo. É verdade que quanto mais se sobe, 
mais direitos e liberdades se conquistam. Mas, se tudo é equilibrado, quanto mais se sobe, mais deveres e 
obediência à lei nos esperam. Se o evoluído não aceita isto, comete um erro tão grave, que o faz 
retroceder ao grau de involuído. Tudo isto é lógico, dado que a evolução avança para a unidade orgânica. 
 
9) Conseqüência de tudo isto é que a idéia de inferioridade, de inveja, de um lado, e a suposição de 
que do outro lado se possa ser orgulhoso, é própria apenas ao plano do involuído, e desaparece logo que 
se passe para além dele. Ao evoluído, muitas coisas interessam, mas não a de gabar-se, e muito menos 
aproveitar-se da própria superioridade. No momento em que ele pensasse dessa maneira cairia de seu 
plano de vida, tornando-se parte de outro tipo biológico. A primeira qualidade espontânea do evoluído é a 
de ignorar a sua superioridade; a sua maior paixão é a de tornar evoluídos os outros seres. Esta é a forma 
mental do biótipo do evoluído e, se não a possuísse, não seria mais um evoluído. 
 
Concluindo este capítulo, quisemos fazer compreender, cada vez melhor,
 
o significado biológico do 
Evangelho, isto é, não só como fenômeno religioso, mas como força de vida, da qual representa um 
elemento básico da maior finalidade desta, que é a de fazer evoluir. 
 
 
 
 
II 
 
 
O EVANGELHO E O MUNDO
 
 
 
O Evangelho e os bens materiais. Cristo ignorava a 
realidade da vida? Quem tem razão,
 
Cristo ou o mundo? 
Como