Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia91 materiais1.847 seguidores
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esses acontecimentos. E, no mínimo, não 
se pode deixar de vê-los, porque eles são reais. Como não há de nascer, pois, a 
dúvida, até nas mentes mais céticas, de que o instrumento não esteja sozinho? 
E que, junto dele, opere alguma força, embora desconhecida dos que 
descrêem? 
Se pelos efeitos é que se determina a natureza da causa, essa força deve 
ser inteligente e poderosa. O tipo dos movimentos que vemos nos indica a 
espécie do motor de que derivam. 
O mundo não enxerga essa arma, não sabe de que é feita, nem como 
funciona. Nosso mundo vive no plano biológico caótico, onde o melhor é 
aquele que oprime pela força ou pela astúcia, e não no plano orgânico, em que 
todos cooperam dentro da ordem da Lei. 
É difícil explicar aos seres de um plano de evolução os princípios 
vigentes num plano mais alto. No nível humano, a luta pela vida nos habituou 
de tal modo à desconfiança que, mesmo quando sinceramente se expõe uma 
verdade, a primeira reação é a de que ela seja uma mentira. Estas minhas 
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sinceras explanações podem, assim, ser consideradas uma astúcia requintada e 
inédita. 
Será, realmente, bem difícil fazer compreender a natureza e as funções 
dessa arma: é a arma da não-resistência, de que o Evangelho nos fala há dois 
mil anos. Na realidade, porém, bem poucos a usam, porque em mãos comuns 
ela não funciona. E desaparece ante os olhos dos homens práticos, na direção 
de planos de vida por estes desconhecidos. 
O instinto, entretanto, fareja qualquer coisa sobre o assunto. Todas as 
vezes que existe algo que interesse à vida, sobretudo como ameaça ou perigo, 
ela tem a intuição do fato, embora sem percebê-lo bem. 
Neste caso em exame, há luta e vitória, duas coisas que fazem parte da 
vida, mesmo em seus planos inferiores, e que, portanto, todos compreendem. 
Quando se verifica uma vitória, todos procuram saber quais foram as armas 
usadas pelo triunfador, pois isso lhe interessa porque também querem vencer. 
O tipo humano comum fica, então, perplexo ao verificar, no caso de uma 
vitória qual a de que falamos, a ausência de armas dele conhecidas, as que 
todos usam, acreditando sejam as únicas que conduzem ao êxito. 
Os céticos dizem, então: que tipo de lutador é este, que vence dessa 
maneira, desarmado e sem fazer guerra? 
Eis aí o nó do problema, para o qual agora tão somente chamamos a 
atenção do leitor, pois ele resume o caso atual, mas merece um particular e 
adequado estudo, quando será desenvolvido. 
 Isso será feito num outro volume \u2212 A Grande Batalha, último da 1ª 
Trilogia desta II Obra. Nesse livro, voltaremos a encontrar-nos, para cuidar em 
profundidade de tão excepcional assunto. Baseando-me na experiência destes 
meus três anos brasileiros, nele poderei descrever esta nova e poderosa 
estratégia, bem pouco conhecida no mundo - a da não- resistência, pregada 
pelo Evangelho. Será, assim, dada conclusiva solução ao presente problema. 
Explicaremos como, perdoando e amando, se pode vencer muito melhor que 
agredindo e odiando. Veremos também as poderosas forças que a Lei possui de 
reserva a favor de quem a cumpre. 
Desenvolveremos, assim sendo, os conceitos de A Grande Síntese, cap. 
XLII "A Nossa Meta, a Nova Lei", onde se diz: "Não existe senão uma defesa: 
o abandono de todas as armas"; cap. XC, "A Guerra, A Ética Internacional" e 
ainda o cap. XCI, "A Lei Social do Evangelho", onde parcialmente se 
desenvolve o referido tema, de modo especial nos aspectos social-político e 
individual. 
O homem atual conhece bem pouco da técnica das reações da Lei. Tem 
apenas uma vaga idéia fideísta desse fenômeno, cuja mecânica as religiões 
realmente não lhe explicam. Por isso, nele permanece o instinto que o leva a 
admirar o vencedor. Não conhecendo, todavia o fenômeno, que pertence a 
outros planos de vida que lhe escapam, só lhe resta um supersticioso temor que 
o desconhecido sempre inspira. 
Ele percebe confusamente que existe qualquer coisa que se lhe escapa, 
qualquer coisa também poderosa que, por isso mesmo, pode também prejudicá-
lo muito. Para ele, o homem espiritual é um enigma. Enxerga-o armado de 
forças espirituais desconhecidas, sobre as quais não tem poder. Nasce-lhe, 
então, a dúvida: aquele estranho homem que sabe vencer é realmente mais 
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poderoso, porque auxiliado enquanto estiver unido ao Alto? E nós, queríamos 
utilizá-lo somente para nós mesmos, por que não o compreendemos? E se 
assim é, que reações poderão atingir-nos agora, vindas daquele misterioso 
mundo espiritual que nós violamos? 
O problema torna-se, então, vivo, pois não se manifesta tão-só por 
demonstrações racionais, mas pela alegria ou dor, pela vitória ou derrota de 
seres vivos. Aqui, a Lei se transforma em exemplo e lição prática. 
Foi isso que aconteceu nesses três anos. E aconteceu para oferecer um 
exemplo, assegurando-nos da presença de Deus e dando-nos uma prova da 
legitimidade da missão. É também uma advertência para os céticos e uma 
evidente manifestação da Lei, para que todos sintam sua existência e 
funcionamento. Significa ainda a afirmação da invulnerabilidade das obras de 
Deus e, portanto, da impotência, diante delas, de quem quer que procure 
destruí-las. 
São muitas as lições que este caso nos oferece, sobrelevando-se a maior 
delas: quem faz o bem a si mesmo o faz e quem faz o mal também o faz a si 
próprio. 
Este caso aqui descrito tem o profundo significado de ser um dos infinitos 
momentos da universal luta do mal contra o bem, em que este sai triunfante, 
pois esta é a lei. 
Dessa luta cósmica este é apenas um caso particular, que acontece 
conosco todos os dias, aplicando-se nele as normas do caso geral. Assistimos 
aqui ao combate de forças opostas, de dois diversos tipos biológicos, de dois 
planos de evolução. E o resultado é que o mais evoluído vence, demonstrando 
que as forças do espírito, porque mais avançadas, são mais fortes que as da 
matéria. 
A Divina Providência intervém e a cada injusto prejuízo, sofrido por 
quem não o merece, proporciona como compensação o equivalente justo, 
firmemente protegendo quem obedece à Lei, a expensas de quem a violou. 
Vemos, desse modo, funcionar na Terra a lei de planos mais altos, 
segundo a qual triunfa não o mais forte ou mais astucioso, porém, o mais justo. 
Noutros termos, a lei segundo a qual vence o mais prepotente egoísta, na 
desordem, é substituída pela lei que concede vitória ao homem orgânico e reto, 
dentro da harmonia da ordem. Em lugar da lei da força é estabelecida a lei do 
mérito. 
Dada a dificuldade de fazer sentir e admitir a presença real e operante de 
Deus entre nós, os cérebros humanos, habituados à astúcia, são levados a ver 
em tal sucesso, a maior de todas. O valor deste caso é haver oferecido uma 
lição no próprio terreno das confusões humanas, onde tanta gente se 
movimenta, o que quer dizer, no ambiente mais cheio de atividades e mais 
acessível à sua percepção. 
Como pode, de outro modo, a Lei fazer-se compreender por quem só 
acredita na força e na esperteza, e não na ordem, dentro da qual ela tudo 
regula? 
Como introduzir, diferentemente, em cérebros condicionados a idéia de 
luta, e que não admitem outra coisa, o conceito orgânico do funcionamento do 
universo, do qual o homem faz parte, sendo-lhe vantajoso saber coordenar-se 
dentro desse organismo, ao invés de rebelar-se para impor-se? 
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Para persuadir essas almas, acostumadas a respeitar somente o vencedor 
\u2212
 porque este deu provas de ser o mais forte \u2212 que mais pode ajudá-las