Pietro Ubaldi   Profecias
153 pág.

Pietro Ubaldi Profecias


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia89 materiais1.827 seguidores
Pré-visualização50 páginas
Aqui, a missão se iniciou com essa prova de força, descida dos planos 
espirituais, para convencer também os céticos. Cristo quis, desse modo, 
manifestar Sua presença, confundindo os métodos humanos, vencendo com o 
sistema oposto do Evangelho. 
Isso não só nos confirma o passado quanto empenha o futuro, dando-nos 
garantia do êxito final. Tudo isso prova que a missão continuará a desenvolver-
se até o fim, porque as forças do mal podem desafiar, mas nunca vencer os 
planos do Céu. 
Em termos mais amplos, esta é uma prova de que o Evangelho é 
verdadeiro e que se pode venturosamente triunfar com seu sistema da não-
resistência. 
O que é certo é que Cristo não nos ofertou essa nova prova para minha 
glória, mas tão-somente para glória Sua e do Seu Evangelho. A grande dádiva 
que Cristo quis fazer-nos foi um caso vivido, a proporcionar-nos a 
demonstração concreta de que o Evangelho, também quando é trazido aos 
entrechoques de nosso dia-a-dia, nada tem de utópico, antes, representa uma 
real utilidade prática. 
Na difícil arte de vencer, supremo sonho de todos os viventes, é assim 
demonstrada a superioridade do método evangélico sobre todos os outros. E é 
maravilhoso ver, como neste caso, que ele se revela plenamente eficaz, mesmo 
se praticado de modo individual no seio de uma sociedade não-evoluída. 
Esse método pode ser, portanto, usado vantajosamente para cada pessoa, 
que por si própria o fará funcionar, antes mesmo que ele venha a ser 
compreendido e usado pela coletividade. 
A muitos poderá parecer que essa renovação dependa da reciprocidade, 
não podendo ser alcançada senão coletivamente. 
Profecias Pietro Ubaldi 
 33 
Ao contrário, este caso nos mostra como o ingresso a superiores planos 
de vida está aberto a todos, de modo geral. Mas, logicamente, também a cada 
um, de maneira pessoal, desde que esteja preparado para poder neles entrar. 
São estes os alicerces sobre os quais se elevará o novo edifício. A grande 
veracidade deste caso nos ensina \u2212 e isso seria muito útil ao homem 
compreender \u2212 que a Lei defende quem a segue, mesmo que seja uma criatura 
isolada no seio de todo o universo. 
 Para isso não é necessário que o estado orgânico superior já tenha sido 
atingido por toda a raça humana. 
Existem humanidades superiores que já vivem nesse estado orgânico. O 
indivíduo, alcançada sua maturação, passa automaticamente a fazer parte delas. 
E quem nelas ingressa, embora materialmente esteja vivendo no ambiente 
terrestre, passa a usufruir todas as defesas e dispor de todas as forças e poderes 
que, de direito, pertencem aos seres daquele plano. 
Para entrar no círculo de tais humanidades e desses planos superiores de 
vida, a estrada aberta a todos é \u2212 viver a Lei. 
A conseqüência prática, compreensível também neste mundo, é que a Lei 
não defende quem não a segue: para este não existe a Divina Providência. Ele 
é, portanto, deixado às suas próprias forças, já que, pelo seu sentimento 
egoísta, ele mesmo desejou isolar-se do organismo das forças espirituais, que 
governam o universo com bondade e justiça. 
Esta é a triste sorte dos involuídos que ainda não querem participar da 
ordem divina. 
Ainda outra conseqüência prática, repetimos: a Lei defende quem a 
segue, de modo que, em conclusão \u2212 ninguém é tão bem defendido quanto o 
justo. 
Esta, que parece a maior das utopias, é a ousadíssima tese, aqui apenas 
esboçada, que sustentaremos no volume A Grande Batalha. Nele 
demonstraremos que o mais elevado sistema, o melhor meio de vencer na luta 
pela vida é o sistema da retidão do Evangelho. 
 
São Vicente, Natal de 1955. 
 
 
 
 
1. O PORVIR DO MUNDO 
 
 
Estas páginas foram escritas em 1953. Era indispensável esclarecer que 
foi esse o ponto de vista, ou seja, o centro da perspectiva, no tempo, para os 
acontecimentos de que tratamos e que, hoje, são futuros. Passará o tempo, e 
então o leitor os achará passados, e seu centro de perspectiva será diferente. 
Demos com precisão, o ano, porque, neste caso, a visão desceu por intuição à 
dimensão tempo em que se desenvolve o conteúdo da mesma. Quisemos, 
outrossim, traduzi-la nos termos racionais correntes, como são usados e aceitos 
Profecias Pietro Ubaldi 
 34 
pela forma mental moderna. Dessa forma, mais se concretizou a visão, 
encouraçada na lógica. Em outras palavras, tornou-se prática, acessível à 
psicologia do homem que age na Terra. A fim de que a visão se adapte melhor 
a essa psicologia que não admite sonhos, apresentamo-la aqui, apesar de descer 
ela de outros planos de consciência, como uma simples hipótese, sem nada 
mais pretender; hipótese passada ao crivo do raciocínio, que lhe poderá 
controlar o realizar-se, quando os acontecimentos, hoje futuros, terão ficado 
atrás, no passado. 
Para sermos práticos, digamos logo que é inútil iludir-se, acreditando em 
ideologias. Se quisermos caminhar em terreno sólido, temos que ater-nos às 
leis biológicas. E as leis da vida são bem diversas das teorias abstratas, que os 
pensadores desejariam aplicar à pele dos povos, para forçar os acontecimentos 
históricos. A História tem sua inteligência própria, já o dissemos alhures, e o 
demonstraremos melhor nestes capítulos. O que diremos é a conseqüência 
lógica dos princípios do sistema que até aqui foram desenvolvidos. Não 
trabalhamos, pois, com fantasia. A História tem suas leis, seus grandes ciclos, 
seus períodos menores, seus círculos de força, seus motivos dominantes que 
tendem a repetir-se, ainda que em planos diversos. A História passa e repassa 
pelos mesmos pontos, repisa a mesma estrada, volta aos mesmos pontos 
críticos encontrando os mesmos perigos, desmoronamentos, dores, reações e 
ressurreições. Assim, em última análise, a História, em seus motivos formais, 
pode parecer sempre a mesma, ainda que não idêntica. 
Mas, há outra História, a verdadeira, que não é envernizada de 
idealismos, nem feita para uso exclusivo do vencedor, para legalizar, como 
direito e justiça, diante de Deus e dos homens, sua primeira violência e 
extorsão, de que nasce, depois, como arranjo qualquer direito. A realidade que 
se encontra atrás das compilações artificiais da História, é sempre a que se 
produz pelo choque de egoísmos de indivíduos ou classes sociais, ou povos e 
nações, que todos querem viver. Esta é a realidade de substância, a da luta pela 
vida, para atingir os próprios fins dessa luta, de esconder-se e se reveste de 
ideologias, de princípios teóricos, que assim permanecem até que essa mesma 
realidade ache vantajoso encobrir-se com tais mantos fictícios. Dessa forma, 
eles vão e vêm, desmoronam e ressurgem transformados, passando sempre 
como verdades absolutas e continuamente se contradizendo, num círculo 
vicioso absurdo, porque bem diferente é a verdadeira linha da História. Uma é 
a História feita pelo homem, outra a História feita por Deus, e esta também 
contém, acima da luta pela vida, os grandes idealismos que devem ser 
alcançados. Mas estes não correspondem às ideologias e programas 
proclamados pelo homem com o intuito de esconder sua luta para viver. Por 
isso, acharemos a História um modelo de absurdos, um discurso sem pé nem 
cabeça, se a olharmos superficialmente, tal qual se acha escrita nos livros; no 
entanto, se a olharmos em profundidade, em sua realidade substancial, achá-la-
emos um modelo de lógica, uma admirável coordenação de acontecimentos 
dirigidos a metas precisas. 
Assim, a Revolução Francesa mata um rei para criar um imperador, isso 
enquanto proclamava o povo como soberano. Destruiu uma aristocracia para 
fazer outra. Desse modo os franceses, cansados de um longo período de paz 
sob os últimos reis, preferiram ir