Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia91 materiais1.844 seguidores
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se hoje a História chama a Rússia, que função poderá confiar-
lhe, proporcionada e condicionada a suas capacidades, se não as da destruição? 
É o duro trabalho de varrer o terreno, para que, desimpedido, possam sobre ele 
surgir novas construções. Isso foi confiado aos bárbaros germânicos, contra 
Roma, para que, liquidada sua civilização pagã, pudesse surgir a civilização 
cristã. E esse trabalho ingrato foi também confiado, na revolução francesa, aos 
involuídos, aos mais ferozes e violentos. E não pode negar-se que na Rússia 
domine a violência. Com efeito, não é essa a qualidade escolhida, em todo o 
mundo, para as atividades comunistas? Que nos revela esse método de andar à 
procura da miséria, provocando-a, talvez, não para ajudar os deserdados, mas 
para excitá-los à violência, subvertendo a ordem? Não se trata aqui de uma 
ação benéfica construtiva, mas de uma atividade corrosiva, desagregante, uma 
função de assalto contra tudo o que manifeste sinais de fraqueza, de putrefação, 
de ruína, uma ação limpadora e destruidora dos poderes enfraquecidos, 
lançando contra eles as massas mais rebeladas pela miséria. Isto recorda e 
repete, no plano social, o assalto dos micróbios patogênicos, que submetem os 
indivíduos doentes e fracos a uma prova, da qual ele sairá ou curado e forte, ou 
então morto. A vida é sábia e pode confiar à Rússia a depuração biológica dos 
povos cansados, função que nasce quando uma civilização madura (como a de 
Luís XVI, liquidada pela revolução francesa) deve ceder lugar a outra mais 
jovem, para que a vida se renove, e possa continuar a subir. Desse modo, o 
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valor e a superioridade da Rússia seriam apenas relativos, isto é, dados pela 
fraqueza e inferioridade da Europa cansada. 
Com o que acima expusemos, procuramos compreender e explicar a atual 
e futura situação mundial, em suas razões mais profundas, seguindo a lógica 
que nos foi dada pelas leis da vida. Neste escrito, está sendo utilizado, para a 
compreensão do momento histórico atual e futuro, todo o trabalho de 
orientação realizado nos nossos volumes precedentes, onde expusemos a 
filosofia do funcionamento orgânico do universo. Por isso, nossas conclusões 
têm, por trás de si, todo um sistema filosófico, e, se bem que tivessem sido 
obtidas pelo método da intuição, foram submetidas a controle racional. Ainda 
que as ofereçamos como hipótese, derivaram-se de uma concepção universal, e 
nosso tempo, com seus acontecimentos, está logicamente situado dentro de 
uma visão cósmica. Procuramos, assim, prever o futuro por meio de um 
trabalho de orientação, seguindo as linhas da lógica, que forçosamente está na 
História e no pensamento de Deus. 
 
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Falta-nos agora apenas completar o quadro com algumas observações 
particulares e práticas, especialmente em relação ao futuro desdobrar-se dos 
acontecimentos. Todos os povos que aspiram ao domínio proclamam a paz, 
mas a paz própria, sob seu comando. E para conseguir essa paz, eles fazem a 
guerra. Defendem uma nova ordem, mas uma ordem em que eles mandam e os 
outros servem, e para obtê-la subvertem e assaltam para destruir a ordem 
precedente, que não é a deles. Apresentam-se sempre como libertadores, ainda 
que os povos invadidos não desejem absolutamente ser libertados. Mas, dessa 
forma, os invasores, camuflando-se de libertadores, podem libertar-se melhor 
do próprio inimigo, vencer e sujeitar o povo invadido. É divertido observar 
esse jogo de contradições entre o que se diz e o que se faz, jogo de ilusões 
psíquicas, cujas razões já vimos. Tudo isso porque, por trás do que se diz, está 
agindo a dura realidade biológica, que fala e age muito diferentemente. Por aí 
se vê quanto podem valer as bandeiras humanas, e quanta luta feroz pela vida 
se realiza atrás delas. Na prática, pela realidade biológica, no plano de 
evolução animal do homem, cada ordem só pode estabelecer-se e manter-se 
com a força, imposta por um dominador, já que se não formou ainda uma 
conseqüência capaz de compreendê-la e mantê-la por convicção espontânea. 
Na prática há uma só verdade político-social; a do vencedor. Não é a idéia que 
vale, vale apenas a idéia que vence. Hoje todos olham para o Comunismo 
porque a Rússia venceu e é forte. Por isso a França teve que ser forte e vencer 
no período napoleônico, porque, sem força nem vitória, as idéias da revolução 
não teriam interessado a ninguém. Se a Rússia perder, o comunismo se 
despedaçará nos fragmentos que sobrarem nos vários Estados em que penetrou. 
O que conta é vencer. Se Hitler tivesse vencido, sua idéia seria hoje a verdade 
na Europa, e a verdade política alemã seria a única verdadeira. E vencer é 
problema de meios bélicos. Mas os vitoriosos foram a Rússia e os Estados 
Unidos, e hoje, no mundo, só existem essas duas verdades, porque foram eles 
os vencedores. Desse modo, através dos séculos, tivemos várias verdades, a 
Romana, a Francesa, a Inglesa, etc., de acordo com quem triunfava. Quando 
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um povo vence, estabelece e impõe sua verdade, feita por ele em benefício 
próprio. Ele faz tudo o que fazem todos os grupos humanos, ou seja, declarar-
se da parte de Deus e do direito, condenando todos os outros. Qualquer 
homem, só ou em grupo, diz sempre: só eu tenho razão. Temos assim tantas 
verdades políticas, religiosas, filosóficas, sociais etc. Se cada um tivesse a sua 
verdade sem condenar as outras, tudo iria bem. Mas cada um é dogmático e 
absolutista e combate todos os outros, e justifica-se disso, porque, para ele, as 
outras são o erro. Segundo ele, só ele é o bem, todos os outros são o mal. 
É assim que nasce cada ordem nova, filha da desordem e do 
esmagamento; nasce a paz, o direito, as artes, as ciências e o progresso, dando 
o tom a um período histórico. Os resultados de agressividade, que 
normalmente é delinqüência, legitimam-se e a glória do triunfo cura tudo, os 
ministros de Deus na Terra aprovam e abençoam, fixam-se as novas posições 
até que outra guerra ou revolução provoque nova derrubada. Esta é a 
florescência das tempestades sociais, um progredir de ordens a nascer, cada 
uma, das ruínas da precedente, cada vez mais perfeitas, repetindo assim o 
processo de rearmonização do universo, que, da mesma forma, parte do caos, 
para voltar a Deus. É esse o caminho da vida, lógico, justificado, como não o 
são as palavras dos homens. 
Continuemos a observar os fatos mais próximos, a realidade biológica 
que é tão diversa das aparências, sempre escondida na substância dos fatos. Na 
realidade a vitória do proletariado no mundo inteiro significaria, hoje, o 
domínio de Moscou; assim como a vitória de Cristo em todo o mundo poderia 
significar o domínio do Vaticano. Recordemos que, no fundo, o protestantismo 
nasceu sobretudo pela luta de raças. E como hoje poucos combatem o Cristo, 
mas muitos combatem os padres que se inculcam ministros Seus; assim poucos 
combatem a justiça social do Comunismo, mas muitos combatem o 
bolchevismo russo, que se inculca ministro daquela justiça. Logo, tudo é luta, 
porque, na Terra, as idéias universais, supernacionais e de superação, não 
existem na prática, mas, ao contrário, tudo está personificado em homens que, 
por trás dos ideais, fazem um trabalho muito diferente, ou seja, lutam por sua 
própria vida. Esta é a realidade biológica. Imaginemos que, num quarto cheio 
de objetos pequenos para nosso uso, venha habitar uma multidão de insetos. 
Eles utilizarão tudo para si mesmos, transformando-os para outros objetivos, 
usando-os como esconderijos e trincheiras, como meios de ataque e defesa, 
para a luta de vida e de morte, que é sua principal ocupação. Assim as religiões 
e os ideais,