Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia91 materiais1.838 seguidores
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na Terra, são transformados e utilizados pelos homens, que antes de 
tudo lutam para viver, como esconderijos e trincheiras, como meios de ataque e 
defesa, na luta pela vida, que é sua ocupação primordial. Só os ingênuos 
podem deixar de ver essa dura realidade, por trás de tantas bandeiras 
desfraldadas, e acreditar que se possa viver de ideais. Estes, para atuarem na 
Terra, têm que dar contas à realidade biológica, que muitas vezes é bestial. 
Quando acusamos em nome da virtude, será que somos sinceros, e 
verdadeiramente acusamos pela virtude, ou será porque ela limita a expansão 
do próximo, e disso se aproveita nosso egoísmo expansionista? Assim é que se 
prega sem crer. É assim que os ideais na Terra aparecem, sobretudo, como 
mentira. 
 
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Concluamos lançando um olhar no futuro do mundo. Se quisermos 
compreender quais são os motivos que fazem caminhar os homens na História, 
teremos que olhar por trás das bandeiras e das ideologias, para a supradita 
realidade biológica, que é a verdade da vida na Terra. Verdade dura, mas 
verdadeira, que como tal permanece para quem olhe profundamente, ainda que 
ela goste de ocultar-se na luta atrás de verdades fictícias e aparentes. É verdade 
que a História obedece em suas grandes linhas ao pensamento diretivo de 
Deus, imanente na História. Mas o homem obedece a isso inconscientemente, 
pois só conhece o particular em que está imerso, em que se realiza não o 
progresso do mundo \u2212 que é confiado a mãos bem diversas \u2212 mas a 
experimentação do homem para amadurecer sua evolução. 
Dado isso, é fácil de ver o egoísmo de nação, que é a realidade biológica 
que se esconde sob as ideologias comunistas. Quem conhece o homem e a vida 
jamais poderá acreditar nos proclamados sentimentos de amor ao próximo e 
que se vá à procura de seu bem-estar. Provam-no os métodos usados, pois o 
método é o que revela a verdadeira intenção de quem age. Se o Comunismo 
tem a grande função histórica de lançar e de impor com a violência o princípio 
da justiça social a um mundo surdo, isto é obra do pensamento diretivo da 
História, que quer o progresso do mundo. Mas a psicologia dos homens 
encarregados desse trabalho é movida por interesses bem diversos, racistas, 
expansionistas, imperialistas. Eles querem crescer e são utilizados para um 
trabalho de destruição do velho e para o lançamento de uma idéia evangélica, 
da qual seus métodos se revelam imensamente afastados. Os homens da Rússia 
seguem os costumeiros e atávicos instintos humanos, em que estão fechados 
em virtude de seu grau de involução biológica. Segundo sua natureza, eles aqui 
experimentam sua vida. Ponhamos agora de lado as grandes linhas da História, 
e o modo pelo qual esta os utiliza para objetivos que eles mesmos 
desconhecem. Observemo-los ao contrário no modo particular de sua ação, 
segundo as realidades biológicas em que se movem. Nesta posição, a 
psicologia da História salvadora e construtiva do progresso está longe. Temos 
ao invés uma psicologia particular, egoísta, desapiedada, feita de luta, de 
golpes e contragolpes, em que se joga o jogo duro, terminando com a vitória, 
prêmio à vida; ou com a derrota, condenação: à morte. 
Neste terreno, Rússia e Estados Unidos são dois centros de egoísmos 
desenfreados, dois imperialismos rivais até à morte, pela conquista de domínio 
no mundo. As ideologias não tem intromissão. Esta é a realidade biológica. Os 
princípios proclamados são apenas mantos que a escondem, são propaganda 
para conquistar prosélitos. Cada um dos dois gaba um programa mais belo. 
Mas ambos fazem a mesma coisa. Posto isto, a tendência a um choque é um 
fato, o choque é extremamente provável, e a ameaça pende sobre o mundo. O 
que re-freia os dois, é o medo recíproco. Daí sua corrida aos armamentos, não 
obstante a contínua propaganda da paz; justamente porque eles só acreditam 
em sua própria força. Eles se espionam, e logo que um deles tiver a certeza da 
própria superioridade e da inferioridade do outro, estará pronto a saltar-lhe em 
cima para liquidá-lo. Questão apenas de preparação, entre os dois colossos 
pacifistas. São as grandes fábricas americanas que, por terem superioridade 
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técnica e produção bélica, detêm a Rússia em seu caminho para a Europa. 
Nada mais a deteria. E a Europa suportaria uma invasão e um domínio eslavo, 
em nome da justiça social. Daí a luta entre os dois rivais, para a superioridade 
técnica, que é hoje a condição para a conquista do mundo. 
A fatalidade do embate aparece oferecida a nós, pela constatação já feita, 
de que as revoluções estão ligadas ao ciclo napoleônico. O Fascismo e o 
Nazismo, filhos de revoluções, iniciaram o mesmo ciclo, com a mesma lei, e 
caíram vítimas dela, como Napoleão. Vimos que revolução, expansionismo, 
imperialismo e guerra são anéis da mesma cadeia. Além disso, as ditaduras, 
como a da Rússia, absolutas e sem controle, não têm o freio que pode ser 
usado, na opinião pública, pela consciência do povo, para deter ou ao menos 
retardar decisões pessoais e precipitadas. Ora, diante de uma Rússia assim, 
tornada tão poderosa, formou-se logo, por lei de equilíbrio, o antagonista 
proporcionado. Esse seu processo de desenvolvimento a leva pois, fatalmente, 
em sua aventura imperialista, a combater o contra-imperialismo dos Estados 
Unidos. Assim, os dois imperialismos, o do pan-eslavismo e o do pan-
americanismo, têm que bater-se amanhã explodindo numa guerra aberta, para 
com isso resolver a guerra fria que já se processa. Nesse ínterim, tendem os 
dois centros a reagrupar em torno a si o maior número de Estados satélites. E 
continua a pressão dos dois centros, e não se vê como possa parar a maturação 
da revolução bolchevista até seu período imperialista de conquista ativa, com a 
guerra aberta pelo domínio do mundo. Se esse domínio mundial é o programa 
do Comunismo russo, como poderá ele deter-se agora sem renegar a si mesmo? 
E como poderá não tentar, por coerência, se isto está em seu plano 
programado, a conquista real do mundo, passando, logo que o possa, da atual 
guerra latente a uma guerra aberta de conquista? 
Se o campo de batalha será a Europa ou a Ásia, é só questão de estratégia. 
É fato, porém, que a Europa perdeu seu poder e autonomia. Suas colônias 
chegam à maioridade e com isso se tornam independentes. A Europa precisa 
hoje apoiar-se em Estados mais fortes e mais armados, já que seus exércitos e 
sua preparação bélica estão inadequados a resistir, hoje, sozinhos, a um assalto 
de nações mais poderosas. Iniciou-se assim a liquidação das várias nações da 
Europa como potência mundial, estando dessa forma reduzida a uma posição 
subordinada à defesa que lhe é oferecida por outras nações. A Europa se está 
tornando domínio alheio. Ela é disputada pelas duas grandes potências que 
buscam apoderar-se dela e, com métodos diversos, já a invadiram e a possuem 
em parte, uma ajudando-a e protegendo-a, outra penetrando-a como partido 
político. 
Para tudo isso haveria uma só defesa: a unificação. Mas nenhum dos dois 
países rivais parece querê-la, porque uma Europa unida formaria uma terceira 
grande potência, com quem depois teriam que acertar as contas. E a própria 
Europa parece não saber superar os velhos rancores e divisões nacionalistas. A 
pressão que a ameaça russa exercita neste sentido é forte e é verdadeiramente 
benéfica, porque a impele realmente para a formação de uma nova grande 
unidade, o que é, indiscutivelmente, um progresso, mesmo que, na ideologia 
russa, esteja previsto tudo, menos essa realização, a qual, entretanto, está nos 
planos da História. Mas, por mais que isto seja obstaculizado e difícil,