Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia89 materiais1.832 seguidores
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começando de um lado e terminando no lado oposto. Dessa forma, eles 
pensam que vencem, eles, por si mesmos que dominam, mas ao contrário 
lutam com o destino que, no terreno social, é reapresentado pela vontade da 
História que os comanda. O homem luta por si mesmo, mas é a onda histórica, 
ao invés, que o arrasta para onde ela quer e só ela sabe. Quem compreendeu 
isso, tem a sensação tremenda da presença viva de Deus na História: um Deus 
que respeita a liberdade individual, mas jamais lhe permite ultrapassar o limite 
que lhe foi designado, alterando assim Seus planos. Que se tornam, então, os 
grandes homens comparados com isso? Podem eles seguir, livres e 
responsáveis, a própria vontade. Mas, são escolhidos e lançados de tal modo, 
que seu rendimento social e sua função histórica atuem de acordo com a 
vontade dirigente de Deus. Sua atividade pessoal está subordinada aos 
objetivos da vida, em relação ao grande organismo coletivo, de que eles são 
células. Tudo dessa forma, em última análise, reduz-se a um instrumento mais 
ou menos perfeito e obediente, sempre guiado por Deus. Em nossa imperfeição 
humana, domina uma liberdade, que só pode ser filha do relativo, embora 
descida do mundo divino, do absoluto, onde tudo é perfeito e, portanto, 
determinístico. 
A História adquire, então, significado bem diverso, se não a vemos na 
ação de cada homem, mas só no conjunto de suas atividades, ligadas, sem que 
eles o percebam, a um plano universal, o da vida que evolve. Então, a História, 
aos nossos olhos, resultará não mais feita pela ação de cada chefe, nem pelos 
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acontecimentos da massa \u2212 elementos exteriormente desconexos \u2212 mas, 
apenas, pelo fio condutor de todas essas atividades e acontecimentos, fio que, 
só ele pode dar um significado lógico à História, que lhe assinala o 
desenvolvimento. Só assim poderemos compreender o pensamento diretivo da 
História e o porquê da sucessão dos fatos, sua conexão e a meta a que tendem. 
Só assim é possível, num terreno de pesquisa racional, prever os 
acontecimentos futuros. 
A História, a quem nós, já agora, em base ao que dissemos acima, 
atribuímos uma personalidade, pode querer as revoluções, quando elas forem 
necessárias para o progresso. As classes dominantes, a fim de, definitivamente, 
garantir-se das vantagens conquistadas, recorrem à legalidade, disciplinando-as 
juridicamente como direito, no próprio sistema de ordem, crendo, com isso, 
que aquelas vantagens podem permanecer definitivamente incorporadas a elas. 
Dessa forma desejariam parar a História, apenas para favorecer sua egoística 
vantagem. Acontece, então, que a onda histórica se avoluma nas massas e, 
erguendo-se, despedaça essa resistência, ou seja, para liquidar as posições que 
não se desprendem dos homens, mata os homens. É constrangida a isso porque 
os homens quiseram amarrar a si mesmos, de forma indissolúvel, suas 
posições. Para destruí-las, eles devem forçosamente ser mortos, porque estão a 
elas ligados de tal forma que não podem ser arrancados. Não há outro meio. Se 
eles tivessem assumido posições destacáveis de suas pessoas, isso não seria 
necessário. Mas julgaram que dessa forma conquistariam posições mais 
estáveis e definitivas, e assim provocaram sua própria destruição, ao invés que 
uma simples separação, pois a onda histórica não pode deter-se. Se a 
aristocracia francesa não estivesse amarrada, como seu rei, a seus direitos, e 
pudesse ter sido separada, não teria sido necessário seu extermínio. Mas, ao 
contrário, estava tudo tão solidamente enlaçado à cadeia hereditária, que queria 
ser eterno. Só um extermínio podia quebrar tal cadeia. E o absolutismo dos 
dominadores punha os revolucionários na posição de rebeldes contra a ordem 
constituída, de delinqüentes contra a lei. Daí proveio que, logo que estes 
tomaram a dos outros, foi questão de vida e de morte o vencer, destruindo o 
inimigo. Houve medo e perigo real. Não havia escapatória. Ou matar ou 
morrer. E, para não morrer, matar. Um dos dois tinha que morrer: ou a 
revolução com seus homens, ou o regime monárquico e sua aristocracia. Isso é 
uma verdade para qualquer revolução ou mudança de governo, e portanto 
interessa à hora atual, também. E é por isso que, a cada mudança de governo, 
ocorre a depuração, isto é, a liquidação dos supertíteres do regime precedente, 
depois que foram liquidados o chefe e a classe dirigente. É medo e perigo real. 
É questão de vida ou de morte, o destruir o inimigo até o último de seus 
sobreviventes. 
Tudo isso poderia ser evitado se os indivíduos compreendessem a 
História e estivessem prontos a desprender-se de suas posições, quando ela o 
exige. E seria ainda melhor se eles não se colocassem nas condições de forçar a 
História a exigi-lo, pelo fato de eles não terem desempenhado sua função 
histórica para o bem e progresso coletivo. É essa sua incompreensão que 
constrange a História a forçar as posições, que eles, em seu egoísmo cego, 
quereriam deter em seu próprio e exclusivo beneficio, esquecendo que a vida 
deve progredir e que esta é a irrefreável vontade da História. É por isso que 
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reis, chefes e classes dirigentes são assassinados e violenta-mente liquidados, 
com uma ferocidade que não seria necessária, se todos, tanto os homens do 
novo como os do antigo regime, compreendessem o trabalho que lhes pede a 
História e o soubessem executar, obedecendo a ela, de pleno acordo entre si. 
Mas, em sua ignorância, não sabem agir assim, mas apenas matar-se, num 
círculo vicioso de perseguições e delitos que depois devem pagar, aqueles que 
acreditam que, com isso, venceram. Quando surgem as revoluções e abatem a 
ordem precedente, é isso sempre o saldo devedor de uma velha conta, feita de 
abusos e injustiças, mesmo se tudo estava protegido legalmente e enquadrado 
numa ordem jurídica. A justiça formal e apenas aparente não pode ser 
suficiente para sustentar com estabilidade as posições sociais. Há outra justiça 
substancial, na vontade diretiva de Deus. E quando, pelo próprio egoísmo, não 
é ela levada em conta e se cai no abuso, o edifício da ordem vigente rui e não 
haverá força humana que consiga sustê-lo. 
Hoje a burguesia capitalista, que suplantou, na revolução francesa, a 
aristocracia de então, para substituir à injustiça dos privilégios, a justiça da 
igualdade e liberdade, cometeu as mesmas injustiças (que agora paga) daquela 
aristocracia, permitindo assim o nascimento do Comunismo, que se subleva de 
novo em prol da justiça, ao menos teoricamente, cometendo na prática os 
mesmos erros, que igualmente terá de pagar. Assim se explica a divulgação 
dessas doutrinas, sejam elas aplicadas como o forem, e isso porque elas 
respondem a um novo impulso da vontade da História em direção da justiça. Se 
a burguesia tivesse usado justiça na distribuição da riqueza, se não houvesse 
repetido com a centralização capitalista os erros da aristocracia francesa, hoje 
as idéias comunistas não teriam achado nada a destruir, nenhuma justiça para 
impor, nenhum terreno sobre o qual prosperar. Essa é a lógica da História: os 
erros se pagam. Leis iguais para todos: para os homens da ordem, que se 
servem dela só para si e a desvantagem dos excluídos; como para os homens da 
revolução, que assaltam essa ordem com a violência; para substituir àquela, 
uma nova ordem, mas apenas em vantagem própria. Tudo isso porque, acima 
do louco egoísmo, em que os homens de todos os regimes se identificam, há 
uma vontade melhor, mais inteligente e poderosa, que dirige os acontecimentos 
e faz caminhar a História em sentido evolutivo. Tudo assim está enquadrado no 
mesmo processo lógico, os homens da ordem e