Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


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e não repete um impulso inútil. Coube a primeira 
ao povo francês, agora é a vez do povo russo. Realizado o esforço 
readormecerá este também, como aquele o fez. O fenômeno atual da Rússia 
Comunista representa o despertar de um povo primitivo, rico de energias 
elementares e poderosas, aptas sobretudo à função da destruição, para 
comprovar a resistência da civilização européia. Pode comparar-se isto a um 
assalto de micróbios patogênicos contra o velho organismo desta civilização. 
Funções mais complexas não podem ser confiadas a povos primitivos, mais 
próximos ainda ao estado caótico primordial, rico de imensas energias, mas 
ainda não disciplinado pelo poder da inteligência, que é fruto de longa e 
laboriosa evolução. Por isso, na lógica do pensamento de Deus \u2212 que a nova 
Rússia ignora \u2212 não lhe podem ser confiadas senão funções destrutivas, 
próprias das explosões do caos, poderosa de um poder involuído e satânico. 
Tanto mais que essa dolorosa intervenção cirúrgica foi atraída pelas culpas da 
Europa e também da América do Norte, que, com suas próprias mãos, 
quiseram construir uma Rússia forte e inimiga, como uma vergasta para seu 
próprio castigo. Há nisto uma trágica e cega obediência a um destino de 
justiça, que todos têm que aceitar, porque está no pensamento de Deus e na 
vontade da História, não importando se os homens queiram ou não queiram 
admiti-lo e sabê-lo. A tão astuta política sempre esqueceu o peso enorme que 
tem o fator moral, mesmo no campo social, e ainda não sabe que, quem não 
liga importância a isso, pode cometer erros gravíssimos, que depois indivíduos 
e povos devem pagar duramente. 
Assim, a História confia a vários povos, no momento mais adequado para 
eles e para a vida de todos, uma dada tarefa na evolução da humanidade: 
funções aparentemente negativas, mas, em substância, positivas, de 
experimentação e reconstrução de civilizações exaustas, de reequilíbrios de 
acordo com a justiça, de eliminações de classes dirigentes ineptas e 
parasitárias, de reações curativas de abusos, de fecundas reconstituições 
demográficas, preenchendo vazios em cada campo e reforçando fraquezas. 
Parece que a História manifesta, na direção da vida dos povos, a mesma 
sabedoria que a natureza manifesta na direção da vida de nossos organismos 
físicos: uma contínua ação materna, benéfica, protetora, compensadora e 
curadora, sempre atenta em fazer triunfar a vida. A ação da História não é a 
mesma ação da mãe-natureza, não é a mesma lei de Deus que vigia tudo e, com 
sua imanência, ajuda o todo criado no duro caminho da subida até Ele? Não é o 
mesmo princípio e a mesma potência da vida, por meio do qual tudo germina 
sempre e floresce? 
A destruição poderá assustar o indivíduo, mas a vida não pode preocupar-
se com isso, porque, no conjunto, a destruição não é estéril. Nenhum ato da 
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vida, jamais, é estéril, nem mesmo a destruição. No âmago da morte está a 
vida. Por isso, a destruição é um ato de administração normal, é só uma forma, 
um meio de renovação. A vida é eterna, é princípio divino, portanto nada tem 
que temer. Bastaria haver compreendido esta grande verdade, para ser obrigado 
a admitir a indestrutibilidade de nosso ser e a impossibilidade, para a morte, de 
matar qualquer ser vivente. Cristo mesmo nos disse que quem procurar 
conservar sua vida a perderá, e quem a der, a ganhará. Não é conservando-nos 
apegados à forma que podemos viver, mas só mergulhando-nos na grande 
corrente ascensional do ser, em que está Deus, a inexaurível fonte de tudo. 
Cristo mesmo, que realizou a maior das revoluções, seguiu essa lei, pela qual a 
destruição é uma premissa necessária para a reconstrução. Assim, Ele teve que 
oferece-se em holocausto sobre a cruz. Eis porque o sacrifício tem um poder 
criador, a renúncia pode construir num plano mais alto, a dor nos amadurece e 
a morte é lei de vida. Bastaria ter compreendido este princípio universal para 
compreender a necessidade absoluta da paixão e da morte de Cristo, para a 
evolução do mundo. 
Neste capítulo quisemos observar como funciona o pensamento e a 
vontade da História, primeiramente em sentido geral, e depois observando, no 
pormenor, a natureza da onda histórica, que guia os homens e os 
acontecimentos na hora atual. Tudo isso para chegar a esta conclusão: que a 
tendência atual à destruição, que existe em todos os campos, e o estado de 
revolução e de guerra em que se acha o mundo, representam justamente o 
índice mais evidente da reação complementar necessária para a reconstrução de 
amanhã; ou seja, representam a fase preparatória, após a descida, para a subida 
da onda histórica, aquela que quer que chegue e se realize a nova civilização 
do terceiro milênio. 
 
 
 
 
 
 
3. AS TRÊS REVOLUÇÕES E A 
TERCEIRA IDÉIA 
 
 
Para compreender ainda melhor os princípios expostos nos capítulos 
precedentes, façamos uma aplicação deles (que é puro controle) aos 
acontecimentos de nosso tempo: ou seja, observemo-los concomitantemente de 
dois pontos de vista, o humano e o das verdadeiras diretivas, dadas pelo 
pensamento e pela vontade da História. 
Vimos o que são as revoluções. A História recente e contemporânea 
ofereceu-nos dois grandes fenômenos desse gênero: a revolução francesa e a 
russa. Colocadas em sua realidade concreta, na perspectiva de espaço e de 
tempo, partindo de posições e desenvolvidas em condições desiguais, ainda 
que semelhantes, diferentes nas formas, nos objetivos e nas populações em que 
atuaram, podem essas duas revoluções parecer dois fenômenos separados, e 
não duas fases do mesmo fenômeno. No entanto, foi assim, na unidade do 
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pensamento diretivo da História, em que há apenas uma realização a executar: 
a da evolução, ou seja, da ascensão do homem a formas mais livres de vida, 
mais orgânicas, mais evoluídas. Este é o impulso biológico incessante, que 
nasce da essência profunda da vida, que aspira à subida, para regressar à 
perfeição em Deus. 
A incondicional supremacia do mais forte e, portanto, os governos 
absolutos, a organização social, filha da guerra e baseada no domínio e 
exploração dos povos vencidos, até a instituição da escravidão, foram, nos 
primeiros tempos, uma necessidade biológica, proporcionada ao grau de 
involução da humanidade, da qual nada mais se podia pretender. E a História 
nada mais pedia. Por isso, deixou funcionar essas formas de vida, as quais, 
entretanto, com a evolução, se tornavam cada vez menos adequadas e 
aceitáveis. Havia no âmago um trabalho intenso de amadurecimento, 
escondido e silencioso, que a História oficial vê e registra só quando ele 
aparece visível, do lado de fora, no momento de suas explosões. É a esse 
trabalho intenso que se deve a ascensão contínua das classes inferiores que 
querem evolver, tomando o lugar das superiores, logo que estas tenham 
esgotado sua função de vanguarda do progresso. Isto pertence a todos e todos 
têm direito a isso, e nisso tomam parte, cada um com sua função particular, por 
meio de sua realização pessoal. O verdadeiro fio condutor do longo caminho 
da História é um irrefreável e instintivo anelo à liberdade, a que todos aspiram 
e os governos prometem; a humanidade concorda e espera, porque exprime a 
superação da inferioridade e a libertação da prisão em que caiu o homem, 
como vimos. 
É assim que as revoluções, que são os períodos mais ativos da História, e 
mais criadores, renascem continuamente, não só para sacudir o jugo dos 
poderes constituídos, edificados sobre os resultados das insurreições 
precedentes, mais velhas e superadas, como também para colocar em lugar 
daqueles outros governos que