Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia91 materiais1.839 seguidores
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prontos e 
adequados, em seu caminho no tempo. Ora, a idéia central que, em seu 
desenvolvimento, constitui o fio condutor da História \u2212 aquilo que liga uma 
revolução à outra \u2212 é o supracitado princípio da liberdade, ou seja, de uma 
libertação progressiva do homem, para alcançar formas de vida mais elevadas 
em todos os sentidos. As aristocracias caminham adiante como antenas, 
exploram, criam os modelos, e as massas, ávidas por imitá-las, as invejam e se 
põem a lutar para tirá-las do poder e substituí-las na experiência das novas 
formas de vida. Através desse jogo de forças e impulsos, desenvolve-se a 
mecânica da evolução. O motivo dominante, a direção do caminho, os 
primeiros móveis, são sempre os mesmos: libertar-se da inferioridade para 
subir. Subir em todos os campos. Começa-se das conquistas mais elementares. 
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Libertar-se da escravidão para atingir a liberdade física: não viver mais 
acorrentados. A revolução francesa quis conquistar a liberdade política, a 
igualdade de direitos, suprimindo os privilégios e as classes. Todos são iguais 
diante da lei, que deve ser igual para todos, e não mais leis separadas, de 
acordo com a situação social. E isto já foi muito para aquela época. Mas deixou 
em pé a desigualdade econômica e formou uma aristocracia diferente, a do 
dinheiro, e uma nova classe, a burguesia. Sentiu-se, então, a necessidade de 
aperfeiçoar mais a conquista da liberdade, completando-a sob outros aspectos 
ainda não realizados. E nasceu a revolução russa, para conquistar a liberdade 
econômica. 
 
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Mais tarde, veremos como poderá continuar esse caminho e até onde 
poderá chegar. Mas, antes, observemos de perto o fenômeno russo, para 
compreender seu significado. Embora tenha a Rússia dado um grande passo à 
frente, ao menos como potência industrial, dado o ponto zero de sua partida, 
representado pelo sistema feudal czarista, absolutamente medieval, não 
obstante, nos trinta anos aproximados do governo comunista, a Rússia \u2212 por 
mais que tenha querido correr nesse sentido \u2212 está ainda longe de ter atingido o 
nível de vida e de cultura das civilizações ocidentais. Mas, o que é pior, é que 
não atingiu sequer a realização que se propusera, da proclamada liberdade 
econômica. Neste sentido, se o Comunismo atraiu as massas, \u2212 o programa da 
justiça social e dos melhoramentos econômicos corresponde ao instinto 
daquela ascensão que a vida quer agora realizar \u2212 todavia, sua experimentação 
até hoje foi infrutífera e isto o desacreditou diante dos mais inteligentes, mais 
aptos a compreender o logro de uma exploração de necessidades e instintos. 
Mas, há outro fato: a distância entre o ponto de partida da revolução russa 
\u2212
 o feudalismo, já superado na Europa há muito \u2212 e seu ponto de chegada, é 
uma ideologia que presume um amadurecimento ainda raro no mundo. Isso 
significa que o Comunismo verdadeiro ainda pode realizar-se na Rússia; aí 
nasceu apenas para emigrar para outros países, que vai se civilizando e se 
transformando. Nenhum povo ocidental jamais o aceitará senão à força e 
transitoriamente, como é ele hoje na Rússia. E a natureza do povo é coisa que 
nenhum exército e nenhum domínio podem vencer. Podem matar-se os chefes, 
pode destruir-se o poder, escravizar as massas, transplantar cidades inteiras, 
mas não se consegue matar um povo, insuperável barreira demográfica que fica 
de pé, para continuar de acordo com sua natureza. Ora, os povos ocidentais 
lutaram durante séculos para conquistar a liberdade política, e não estão 
dispostos a renunciar a ela, custe o que custar. Eles fizeram a revolução 
francesa, que a Rússia não quer levar em conta, sofreram para sair desse 
degrau, e isso é fruto seu, inalienável. O Comunismo russo, acreditando 
levianamente que pode transplantar-se no Ocidente, não sabe a que reações se 
expõe, quando as massas descobrirem a mentira das promessas feitas e, ao 
invés da liberdade econômica e de uma elevação do nível de vida, se acharem 
diante de um sistema de dominação escravista. O próprio instinto de ascender, 
que agora impulsiona as massas a aceitar o Comunismo, quando se vir traído, 
fará levantar as mesmas massas enfurecidas contra os que as traíram. Ai de 
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quem agride e destrói a vida, em seus sagrados objetivos. Ela reage e corrige, 
mediante contra-revoluções, os erros dos que executaram suas revoluções, ou 
melhor, ela as continua, não no sentido egoístico, mas derrubando o que eles 
fizeram, isto é, endireitando-o no sentido construtivo, benéfico, como o quer a 
Lei, que dirige tudo. 
Na Rússia sempre foi diferente. Aí as massas jamais conheceram 
liberdade política, estão habituadas e treinadas há séculos à escravidão, hábito 
que o Ocidente já perdeu. Na passagem do regime czarista ao comunista, 
permaneceu o mesmo fundo escravista, inadmissível alhures, mas tradicional 
na Rússia. Se lá o cidadão não goza de liberdade política, ele não se queixa 
muito, porque jamais a teve, portanto, nada perdeu. Mas é diferente, quando o 
Comunismo sai daquela terra e pretende implantar-se alhures. As nações 
ocidentais também querem a libertação econômica. Mas, quando percebem 
quanto lhes custaria ela com o Comunismo, isto é, a perda de uma liberdade 
mais fundamental e necessária; quando vêem que o proclamado bem-estar se 
reduz, de fato, a uma forma de escravidão e que assim, para ter um 
aperfeiçoamento de liberdade, esta seria de todo perdida, então essas nações só 
podem rebelar-se. Até hoje, tudo vai bem, enquanto só se trabalha com 
promessas, pela propaganda, e a realidade russa está longe. Mas, que ocorrerá 
se se passar aos fatos e se a realidade russa entrasse verdadeiramente em casa? 
É este, com efeito, justamente o ponto fraco do Comunismo soviético, a 
ameaça que está iminente sobre os povos, e contra a qual se insurgem as 
reações. As massas inconscientes, presas dos demagogos, compreenderão isso 
amanhã à sua custa, se o novo regime as atingir. 
Ao contrário, o ponto forte é a beleza teórica do programa. No fundo, ele 
é o Evangelho de Cristo, mas só em teoria, porque na prática o método da 
violência e da escravização da individualidade humana, o subverte. Mas, 
certamente, não é esse lado evangélico que seduz as massas. O que faz 
impressioná-las é a autorização \u2212 primeiro passo da legalização \u2212 para 
apoderar-se dos bens de quem quer que seja. Mas, que se possa destruir o 
instinto da propriedade só em dano dos outros, acreditando que depois ela 
possa ficar de pé apenas em benefício próprio, só então pacífica, porque 
protegida pelas leis \u2212 condição necessária para poder gozar o fruto de qualquer 
furto \u2212 é tão grande utopia, que só os ingênuos e primitivos podem acreditar. 
Por isso, os sonhos de vitória do proletariado expõem-se a terminar sua 
escravização aos pés do capitalismo do Estado. Quanto terão que sofrer ainda 
as massas, antes de aprender a compreender por si mesmas, o que é possível e 
o que é impossível, o que é verdadeiramente direito e o que é promessa 
irrealizável! Mas, também as massas têm os chefes que merecem. Com efeito, 
ouvem os demagogos que as enganam, e os ouvem porque a promessa é bela e 
agradável, ainda que não venha a realizar-se. Cristo, que disse a pura, mas dura 
verdade, foi crucificado. 
 
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Como terminará o fenômeno comunista russo? Ele contém em si os 
germes de sua própria destruição, embora justificado e provocado em seu 
nascimento: pelo acumular-se de séculos de injustiças e opressões, tal como 
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para a revolução francesa; por seus