Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia91 materiais1.844 seguidores
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muito mais extensa. O que se condena nos Estados 
totalitários, é justamente o regime policial, o sistema terrorístico, a sufocação 
da liberdade, a supressão de toda iniciativa pessoal, a quase-abolição do 
indivíduo, reduzido a máquina de produção e a função de Estado. Tal 
disciplina poderá representar um futuro Estado mais perfeito, como foi 
alcançado por algumas sociedades animais, por exemplo, as abelhas. Mas isto 
pressupõe uma elaboração biológica precedente, longa e dirigida a uma 
especialização de funções e a sua coordenação, e a vida para o homem se está 
agora apenas preparando para essas realizações. Essa disciplina formará o 
superior mundo coletivo do futuro, mas presume uma adesão livre a ele, em 
virtude de haver sido atingida a consciência de sua utilidade, numa forma que, 
se é vantajosa para todos, também não suprime a personalidade do indivíduo 
nem seu rendimento. Sem essa adesão, espontânea porque incorporada à 
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própria natureza, torna-se essa disciplina uma agressão à vida e um atentado às 
suas manifestações e rendimento. Torna-se então contraproducente. 
As democracias têm a grande vantagem de deixar a vida livre de 
manifestar-se, desenvolver-se e formar-se segundo suas leis, e não conforme a 
vontade de um só homem, que oferece a probabilidade de ser um intérprete 
nada perfeito daquelas leis, mas somente a expressão de sua egoística vontade 
de domínio. Entretanto, o absolutismo pode ser suportável, e até mais 
adequado aos povos imaturos, que não saberiam usar a liberdade, porque ainda 
estão privados da consciência, que é indispensável para saber usá-la bem, e 
porque estão habituados a viver apenas na escravidão. É natural que, quanto 
mais involuído estiver um povo, tanto mais é necessária a força para dirigi-lo e 
tanto menos liberdade se lhe pode conceder. É sua maturação evolutiva que 
leva o homem dos regimes de absolutismo e força, à disciplina jurídica dos 
direitos e deveres de cada um, e até à livre aceitação por compreensão e 
adesão, sem mais necessidade de leis coletivas: evolução do ser humano, que 
aparece em todas as manifestações políticas, sociais e também religiosas. O 
poder absoluto e despótico do Deus de Moisés, pôde, assim, transformar-se na 
ordem amorosa de Cristo, e se transformará ainda mais, na livre adesão de 
homens convictos, por haver compreendido a bondade e sabedoria da Lei de 
Deus. 
O grande problema para as democracias situa-se na escolha dos 
dirigentes, de uma elite do pensamento e da ação, a quem confiar as delicadas e 
difíceis funções de comando. O clássico sistema das aristocracias fechadas, 
animadas apenas de egoísmo de classe, atentas apenas a desfrutar as vantagens 
das posições conquistadas, e a caminho de esgotamento por falta de elementos 
renovadores, de fora de seu círculo estreito, está bem longe de resolver o 
problema. Infelizmente é o grau de evolução da maioria que forma as correntes 
diretivas que são impostas também aos dirigentes. Não se deve acreditar que os 
governos possam tudo. Eles são apenas uma das forças que governam, e têm 
que prestar contas a todas as outras. Poderão eles ser o cérebro, mas de certo 
não são os membros, não são o ambiente social nem o momento histórico. 
Podem ser a parte melhor da máquina. Mas esta pode não segui-los. Eles 
mesmos devem compreender o que esta pode dar-lhes, se ela sabe e se pode 
obedecer, e até onde pode obedecer. 
Daí ser necessária uma certa afinidade entre chefe e povo que, para segui-
lo e obedecer-lhe, há de achá-lo, sem dúvida, mais evoluído que ele, porque só 
assim sente sua superioridade; mas, ao mesmo tempo, não muito distante de si, 
porque então não o compreenderia mais. É necessário que o chefe saiba ter os 
pés em terra, na realidade de todos, mesmo se isto implicar algum defeito que, 
aliás, é o que o aproxima da compreensão das massas. Estas, em seu atual grau 
evolutivo, exigem, antes de tudo, uma manifestação de vontade e de força, pois 
isto lhes dá a sensação do pastor capaz também de defender seu rebanho. Um 
santo, um homem apenas de grande engenho, sem qualidades de dominador 
com que se imponha, seria rapidamente liquidado. Na mentalidade de muitos, é 
especialmente o chicote que incute respeito, é particularmente o poder material 
que gera a estima. Há uma harmonia de equilíbrios na vida, pela qual os povos 
têm os chefes que merecem e os chefes têm o povo que merecem. 
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Diante desse problema da escolha dos governantes, de cuja solução 
parece tudo depender, observemos que, não obstante, ele tem uma importância 
relativa. Acreditam os homens que são eles que guiam os acontecimentos, e 
apenas o fazem em parte; acreditam que sejam os chefes que decidem a sorte 
de uma nação, ao passo que, muitas vezes, são apenas forças concomitantes. 
Quem já compreendeu que é a inteligência da História que verdadeiramente 
dirige tudo, dará valor relativo às formas de governo e ao problema da escolha. 
Na prática, nos fatos, esta escolha se realiza igualmente, qualquer que seja a 
forma de governo, por seleção do mais adaptado e por eliminação dos rivais. E 
quando um chefe não corresponde mais à sua função, qualquer que seja a 
forma de governo, as leis da vida livram-se igualmente dele liquidando-o, se 
este não lhes serve mais para seus objetivos. As formas de liquidá-lo poderão 
mudar, mas o princípio permanece: a vontade da História manda mais que os 
chefes, escolhe-os, confia-lhes tarefas, tira-os do posto, sempre em vista de 
seus objetivos. Esta verdade fundamental permanece verdadeira em qualquer 
regime. Portanto, em substância, o problema da escolha dos dirigentes é mais 
um problema da vida que um problema do sistema representativo. Muda a 
forma, mas fica a substância igual, em qualquer regime. Quando soou a hora de 
ser posto de lado um chefe, não há regime totalitário, absoluto ou policial que o 
salve. Será afastado por morte violenta ou pela revolução, se isto for 
necessário, em vez de sê-lo pela falta de maioria de votos, mas será afastado da 
mesma forma. Temos que convencer-nos da relatividade de todos os regimes, 
sistemas e expedientes humanos, diante da sábia direção de Deus. Temos que 
convencer-nos também de que, quando um homem é necessário ao momento 
histórico, quando é apto a desempenhar uma função vital ou missão, e ele a 
aceita, qualquer que seja o regime escolhido, a vontade da História achará o 
modo de, para alcançar seus objetivos, fazer chegar esse homem ao devido 
lugar, para dar cumprimento à sua missão necessária, como o quer a História. 
 
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Observemos, em seu significado, a revolução francesa e depois a russa. 
Vimos que o fio condutor que as liga e as guia numa direção única, é a 
conquista da liberdade, aos poucos, segundo a evolução atingida pelos povos. 
E é justamente levando em conta este conceito acima exposto, do domínio da 
vontade da História, que podemos prever qual será o novo passo à frente, que 
ela vai querer que a humanidade dê, no caminho da conquista dessa liberdade. 
A revolução francesa, abolindo os privilégios, na igualdade, deu ao mundo a 
liberdade política. A revolução russa, combatendo os abusos da riqueza com a 
justiça, dará ao mundo a liberdade econômica. Se o caminho da História é um 
processo de libertação, que vai da escravidão a uma liberdade cada vez maior 
de que tipo poderá ser a liberdade que a nova revolução quererá conquistar? A 
lógica, que forçosamente está no desenvolvimento do pensamento diretivo da 
História, dar-nos-á a resposta. 
A terceira revolução já começou. As revoluções podem levar até séculos 
de preparação. O progresso técnico da ciência está preparando as bases 
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