Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


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destruição somente do que 
é forma, incrustação, cristalização, de tudo o que deve desaparecer, para que 
permaneça apenas a idéia, que sintetiza o valor das coisas (...). Grande mal, 
condição dum bem maior. 
Depois disto, a humanidade, purificada, mais leve, mais selecionada por 
haver perdido seus piores elementos, reunir-se-á em torno dos desconhecidos 
que hoje sofrem e semeiam em silêncio, e retomará, renovada, o caminho da 
ascensão. Uma nova era começará" (...). 
 
J 
 
Assim falou a primeira Mensagem de Sua Voz, do Natal de 1931. Já 
expliquei num artigo, "Princípios", em 1952, que as religiões tem três fases: a 
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"primeira", a mais antiga, é a "terrorista", feita por um Deus vingativo, que se 
faz obedecer inexoravelmente, punindo com a lei de talião. 
"A segunda", mais recente, é a "ético-jurídica", feita de uma codificação 
de normas da vida. É o evolver da natureza humana inferior, que pode permitir 
uma manifestação de Deus, fazendo transparecer cada vez mais Sua Bondade. 
Somente hoje a maturação pode permitir que, sem o perigo de abusos, 
antes temíveis, se possa passar "à terceira fase", a da "compreensão", na qual as 
religiões são livres e convictas, cada vez mais transformadas, da forma, em que 
lutam os interesses, na substância \u2212 o Amor. 
Hoje se passa da segunda à terceira fase. Penetra-se na fase do amor. Não 
mais luta entre rivais, mas colaboração de irmãos. 
Brevemente o mundo se organizará sobre um princípio que não será dado 
por um imperialismo religioso, isto é, pela vitória de uma religião que, por 
absolutismo, se imponha a todas as outras. Não é por este caminho que se 
chegará à unidade, ou seja, a um só rebanho e a um só pastor. 
O único pastor será o "Cristo", e o único rebanho será formado por uma 
humanidade em que as várias religiões não se combatam e não se condenem 
reciprocamente; ao contrário, se compreendam e coordenem, fazendo dos 
homens todos, filhos diante de um único Deus, um só Deus, Pai de todos. 
 
J 
 
O mundo materialista de hoje, na realidade vivida, desinteressou-se do 
Cristo. Repudiar o Evangelho significa não aceitar a lei de um plano biológico 
mais evoluído, significa recusar-se a progredir e a civilizar-se. Ir contra as leis 
da vida, querer pará-las no seu caminho de ascensão, significa ser atingido por 
suas terríveis reações. E esta foi a terrível encruzilhada em que a humanidade 
quis cair! 
Cristo não é somente um fato histórico ou fenômeno religioso; é o mais 
alto acontecimento biológico do planeta, acontecimento perante o qual deverá 
prestar contas a humanidade, que nunca poderá fugir às leis da vida. Cristo 
deixou-se sacrificar para nos dar a verdade. Acreditou-se tê-Lo destruído, 
matando-O; tê-Lo afastado, negando-O. Mas o espírito, a verdade e as leis da 
vida não se podem destruir. Cristo faz parte do fenômeno vida e não pode 
morrer. Ele está vivo, e sempre vivo estará entre nós, presente e operante como 
força viva. Ninguém pode parar a Sua ação. 
Cristo ainda está esperando ser tomado a sério depois de dois mil anos. 
Os santos hoje são poucos, e as multidões seguem outro caminho. E o homem, 
na sua ignorância, acredita erroneamente que a paciência misericordiosa de 
Deus seja a sua própria vitória. Neste ponto a humanidade se encontra no 
caminho da descida. A multidão é ignorante e obstinada, e se faz forte pelo 
número. Tendo ela tomado demasiada velocidade na descida, sempre mais 
difícil se torna retomar o caminho da subida. Agora somos chegados a um 
ponto que nem mesmo com uma explicação racional apoiada na lógica e na 
ciência, se poderá obter a verdadeira compreensão. A destruição, então, se faz 
necessária, visto que aquele que quer parar o progresso da vida, por esta 
mesma vida será destruído, pois a lei quer que ele avance, e por isso, ela afasta 
todos os obstáculos. 
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O fenômeno deve de qualquer maneira ser resolvido. As forças progridem 
e devem de qualquer modo realizar-se. Não há outro caminho que não seja o 
do aceleramento. Que os maus, como fala o Apocalipse, tornem-se cada vez 
piores, e os bons cada vez melhores, de modo que eles sempre mais possam se 
separar uns dos outros, e a justiça se cumpra. Neste ponto, a solução não mais 
se pode encontrar voltando para trás, mas somente no choque violento entre as 
forças do mal e as do bem, pelo fato de que já estamos na guerra, e não 
podemos chegar ao fim senão como vencedores ou como vencidos. Chegou a 
hora do grande julgamento, no qual se terá de fazer a prestação de contas. 
Aqueles que mais dificilmente poderão ser salvos são os astutos, os poderosos, 
que são os maiores responsáveis, por terem eles nas mãos os meios de direção 
da riqueza e do poder. 
Os dirigentes, desorientados, pela falta duma concepção suficiente para 
resolver os problemas da vida, percebem esta corrida em direção do abismo, e 
desejariam descobrir meios práticos de salvação. Infelizmente, porém, no 
repertório econômico, político e social deles, não existem tais meios para evitar 
estes golpes. Todo o sistema vigente está errado. Ele se baseia na força. E 
ninguém pode impedir que quem use da espada, por ela pereça. O nosso 
mundo somente confia na força, e portanto não pode merecer a intervenção de 
poderes superiores para a sua defesa. Ao contrário, ele os renega com seus 
atos. E quem não tem senão a força, não pode prescindir dela. 
Ela guia a destruição porque o choque é inevitável. Ele é uma 
conseqüência necessária e fatal do sistema hoje vigente no mundo, que fica 
assim inexoravelmente preso na sua própria armadilha, sem possibilidade de 
saída. Tudo isso é conseqüência do grau de involução no qual o homem atual 
se acha, porque ainda se encontra no plano semi-animal. 
Quantas vozes espirituais se levantaram, quantos mártires se sacrificaram, 
para que o mundo evolvesse! Mas o homem continua pertencendo ao plano 
biológico do animal. Por isso ele deve aceitar as duras leis deste plano. Mas, 
desde que, neste ponto, ele já demonstrou não querer evolver, a maioria que 
pertence a este tipo biológico, poderá ser afastada do planeta, de modo que este 
possa progredir por intermédio dos poucos evoluídos que pertençam a um 
plano biológico mais alto. 
Tudo isso acontece automaticamente. Isto porque a concórdia e a 
organização são condições dos evoluídos, enquanto que o separatismo, a luta e 
a desorganização são qualidades dos involuídos. De modo que estes são 
guiados pela sua própria natureza e sistema, para serem eliminados, 
exterminando-se uns aos outros. Não é um fato de que o mundo continua se 
armando, porque não mais acredita nas armas? O que pode acontecer neste 
mundo assim feito, senão destruição, quando com o sistema vigente de força, 
os problemas não podem mais ser resolvidos senão pela força; quando nenhum 
outro modo tenha, para sobreviver, senão se constituindo como os mais fortes, 
porque ao primeiro sinal de fraqueza de uma das partes, a outra estará pronta 
ao assalto para destruir? Não é esta a lei de muitos de nossos atos? Hoje o 
mundo é uma gigantesca corrida de lutadores egoístas, cada um procurando 
aproveitar o máximo possível do seu próximo. A melhor habilidade nos 
negócios e na política é, muitas vezes, julgada ser aquela de saber enganar e 
expoliar o próximo. Os métodos modernos são muitas vezes uma 
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sobrevivência dos antigos modos de pilhagem, de rapinas, da destruição dos 
fracos. 
Pois bem, há entretanto, uma lei de progresso, que nos impulsiona para a 
civilização, o que quer dizer