Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia91 materiais1.844 seguidores
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ao espírito, o passado involuído, que resiste ao progresso e 
no qual sobrevive a animalidade, com os seus instintos, que ensinam a vencer 
com a força e com a astúcia. Mas quem assim vive, a verdade lhe escapa, e 
vive nas trevas. Assim, recusando-se a compreender, ele arranca de si mesmo 
os olhos para não ver, torna-se escravo da ignorância, expondo-se, pois, a duras 
lições. Deste modo, a humanidade quis fazer por si mesma um destino de 
punição, que representa a reação reconstrutiva dos equilíbrios da lei, para 
corrigir os erros do passado. É por isso que as forças do mal agora estão livres 
e ativas, porque ele vem a funcionar quando tem que cumprir uma destruição 
para expurgar. Neste ponto não é mais possível que o conselho e a palavra 
possam ajudar, porque o homem caiu sob o poder de tais forças inferiores, que 
devem cumprir sua tarefa de eliminação, para que sejam depois finalmente 
afastadas. 
Na atual equação das forças do mundo, a resultante é somente uma: 
destruição. É possível introduzir nesta equação novos valores, quantidades, ou 
forças que modifiquem os resultados? Esta nova força poderia ser a 
inteligência diretriz duma grande nação, que tivesse a capacidade de 
compreender e o poder para atuar. 
Poderia este novo fato eliminar, ou pelo menos retardar a destruição? 
Mas, para que a avalanche que está desmoronando possa voltar atrás, 
retomando novamente o caminho da subida, precisaria uma idéia forte e um 
mundo singelo, que soubesse acreditar nisso. Ao contrário, a este mundo falta 
confiança e todos, mais ou menos, percebem a aproximação do perigo, como 
um destino fatal. Vive-se como aventureiros, pressentindo-se um desastre 
inevitável. O mundo se agarra desesperadamente aos meios materiais e ao 
poder das armas. Mas, será verdadeiramente este que trará a destruição! O 
mundo acumula armas para se defender, mas estas servirão para sua própria 
destruição. E nós não temos confiança senão na força, porque todas as crenças 
enfraqueceram-se. O momento é terrível, porque o homem tem nas mãos um 
poder de destruição imenso, sem possuir a disciplina moral necessária para 
fazer disso bom uso. Que poderemos nós esperar do futuro, quando estes 
poderes são dirigidos por esta psicologia? 
Poderia Deus fazer um milagre? Mas, os milagres não podem acontecer 
contra a lógica e a justiça da Lei, que é o próprio pensamento de Deus. Quando 
temos culpas para pagar, precisamos pagá-las. É preciso ter merecido esta 
ajuda particular que se chama milagre. Mas é certo também que esta ajuda não 
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desce para defender interesses egoísticos. As forças espirituais funcionam, mas 
somente nas mãos dos santos. Elas não descem para se realizar nos planos mais 
involuídos, que as afastam e que ficam abandonados ao poder das próprias 
forças involuídas. As duas maiores potências do planeta procuram eliminar-se, 
uma a outra, para atingir o domínio absoluto. Porém, elas se destruirão 
reciprocamente, e assim far-se-á o expurgo, com uma limpeza de dor, preço da 
redenção, sem o qual não se pode subir a um plano biológico mais alto; será o 
choque necessário, sem o qual também a renovação integral não se poderá 
atingir. 
No plano onde reina a lei da seleção do mais forte, é impossível evitar o 
choque entre esses dois mais poderosos do mundo, porque este choque é que 
resolverá quem é o mais forte, isto é, aquele a quem, conforme a lei vigente da 
animalidade, pertence a vitória. Não se pode escapar a esta lei, do tipo 
biológico atual. Mas se este choque, com as armas atômicas modernas, 
significa destruição, esta também é inevitável para ambos, os mais poderosos. 
Mas, isso tanto mais terá que se realizar, por ser este o único meio do expurgo, 
que é necessário, para que o progresso, que é fatal, possa verificar-se, e uma 
nova civilização possa surgir, agora que os tempos estão amadurecidos. Não se 
pode quebrar o encadeamento lógico destes termos sucessivos! Dada a 
natureza do homem atual, e as suas forças dum poder sem precedentes, que 
neste momento histórico estão nas mãos desse tipo biológico, não podem ser 
atingidos outros resultados. Não se pode alterar o desenvolvimento de um 
encadeamento lógico, do mesmo modo que não se pode torcer o de um 
processo matemático. 
 
J 
 
O momento histórico atual é muito grave. Ele está se tornando cada dia 
mais grave. Somos chegados à plenitude dos tempos. Pregações foram feitas 
bastante, avisos foram dados, mas o mundo continuou pelo seu caminho sem 
prestar ouvidos. Nesta hora, não é mais tempo de palavras e avisos, mas de 
ação. Precisa-se enfrentar os acontecimentos. 
Os homens continuam a fazer seus negócios e embora nas palavras digam 
o contrário, na prática eles dão provas de serem ateus, não importa a qual 
religião ou fé pertençam. Em todos os grupos a maioria acredita só na força 
material, nas armas, no poder do dinheiro. 
Mas logo chegará o tempo no qual as armas servirão só para exterminar 
uns aos outros, ricos e pobres, senhores e servos, vencedores e vencidos. 
Tempo chegará no qual ter dinheiro de nada adiantará, porque no 
desfazimento do conjunto social, acabará toda confiança em qualquer pessoa e 
não será possível ficar forte como poder político, porque ninguém obedecerá 
mais a ninguém. 
É justo que um mundo bem polido de idéias, mas em substância feito 
num egoísmo sem limites e dum ateísmo desorganizador, isto é, de 
individualismo separatista contra a ordem da Lei de Deus, acabe por cair no 
abismo do caos. 
Neste ponto isto é fatal. Isto é o efeito de causas que a humanidade 
livremente estabeleceu nos séculos passados. A liberdade humana não chega 
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ao ponto de modificar a Lei e de evadir-se do princípio de causa e efeito, que 
nos liga às conseqüências das nossas ações do passado. Assim o homem quis e 
assim seja. 
A Mensagem de Natal de 1931 assim falou: 
"Um grande batismo de dor é necessário, a fim de que a humanidade 
recupere o equilíbrio, livremente violado: grande mal, condição de um bem 
maior". 
A Lei deixa ao homem o livre-arbítrio só o quanto necessita para 
estabelecer as causas, mas não para fugir aos efeitos. A Lei faculta-lhe 
liberdade só neste limite, só para que seja possível o homem experimentar 
entre a verdade e o erro, para apreender e assim realizar por ele mesmo a sua 
subida. Mas, esta oscilação do livre-arbítrio está contida nos limites do 
contingente humano, limites que nunca é permitido transpor. Isto quer dizer 
que o homem é livre de semear desordem e destruição na sua própria vida, mas 
não tem o poder de fazê-lo na ordem da Lei, que é inviolável. De outro modo a 
ignorância e a prepotência humana teriam trazido, há muito tempo, anarquia ao 
mundo todo. 
Verifica-se, assim, o fato que, nas grandes linhas da História e da 
evolução, a Lei manda, fatalmente, de modo que o homem tem somente poder 
limitado e relativo e não pode parar o progresso. Neste caso não é o homem, 
mas é a Lei quem manda, quer, e, por último, acaba por se impor com seu 
impulso íntimo e tenaz, para que a evolução se cumpra. A Lei não pode ser 
enganada nem parada. Ela permitira infrações momentâneas, atrasos, 
adiantamentos, mas não falta de cumprimento. O homem que quiser 
aproveitar-se da própria liberdade para se rebelar contra a Lei indefinidamente, 
será eliminado. 
Os místicos percebem por intuição, os racionais sabem por intermédio 
duma lógica fatal da qual analisam o desenvolvimento, que agora a 
humanidade está correndo grandes perigos, embora que, por último, a 
destruição possa ser utilizada para depois melhor se reconstruir mais alto. 
Ninguém poderá impedir que se cumpra a vontade da Lei. Os