Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


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que, se esta é a vontade da 
História, e se o Brasil quiser caminhar nessa direção, aceitando a missão, ser-
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lhe-ão concedidos todos os auxílios; mas, se ao contrário, o Brasil se colocar, 
como primordial posição, no terreno da força bélica ou como potência ávida de 
supremacia, então a vida lhe retirará todos os auxílios e assim tudo será 
perdido, no sentido de que a função e a missão lhe são tiradas, e a oportunidade 
de exercer um papel mundial se esfumará. Quem vai de encontro à vontade da 
História, é cortado de suas fontes vitais, e não recebe mais ajuda. 
Ora, tudo isso corresponde perfeitamente as condições atuais do Brasil; é 
um estado de fato já existente e nada é preciso fazer para prepará-lo. Esta 
concordância automática entre o que é a realidade atual e a natureza da missão 
oferecida, confirma a verdade de nosso raciocínio. Assumir hoje o Brasil, no 
mundo, uma função diferente, seria coisa de difícil realização. Seria bem 
estranho um Brasil imperialista e expansionista, se já de per si é maior que um 
império e não chega a povoar sua própria terra ilimitada. Seria bem estranho 
um Brasil que quisesse levantar-se como grande potência militar, quando não 
tem inimigos próximos para combater. Seria bem estranho que um país, 
definido como coração do mundo e pátria do Evangelho, se pusesse a fazer 
guerras de conquista ou de defesa, de que absolutamente não necessita. É claro, 
pois, que a função histórica do Brasil no mundo só pode ser a de abraçar a 
humanidade com o seu amor, em seu imenso território, à espera de ser 
povoado. Deixemos aos povos do Hemisfério Norte outras funções a executar 
no organismo social do mundo. Deixemos à Ásia a função metafísica, à Europa 
as funções cerebrais do mundo, à Rússia a função revolucionária e destruidora, 
à América do Norte a função econômica da riqueza, e assim por diante, e 
reconheçamos que a função histórica do Brasil é bondade, tolerância, amor. 
Se olharmos o mapa do mundo, acharemos uma distribuição de 
qualidades e funções correspondentes, diversas e complementares, como num 
organismo único. Este, na Terra, está em formação e se chama humanidade. O 
Brasil acha-se na posição oposta à Rússia, e é estranho que, a essa oposição 
geográfica, quase nos antípodas, corresponda também uma oposição de muitas 
outras qualidades fundamentais. E pode ser instrutivo observar-se isto. Não se 
trata somente de oposição geográfica, mas também climática, ideológica, 
política, moral, etc. Ambas as terras imensas, o Brasil irrompe quase ilimitado 
interiormente, tal como a Rússia na Sibéria, mas em posições emborcadas, o 
primeiro em direção ao calor do Equador, a segunda em direção aos gelos dos 
pólos. A Rússia é o país de regime policial de coação, de menor liberdade do 
mundo, de ideologia única obrigatória. O Brasil é o país da máxima liberdade, 
em que todas as ideologias, suportáveis com o mínimo da ética e da ordem 
indispensável, são toleradas. A Rússia é abertamente atéia e materialista. O 
Brasil é crente e espiritualista, qualquer que seja a religião que se professe. A 
Rússia é o país bélico por excelência; formado agora na revolução violenta, só 
sabe fazer guerra e preparar-se para a guerra, para conquistar tudo. O Brasil é o 
país pacífico por excelência, que não pensa, absolutamente, fazer guerra a 
ninguém. A Rússia é imperialista e expansionista. O Brasil tem tanto para 
expandir-se internamente, que não precisa transpor seus limites à busca de 
impérios. A Rússia é o centro maior do Comunismo. O Brasil é o ponto de 
maior rarefação dele, pois é um dos poucos países em que, ao menos 
oficialmente não há representantes de partido, do Comunismo. Pode ser apenas 
casual uma tão perfeita coincidência de opostos? E então, poderemos concluir 
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também, que se a função da Rússia é destruir com a religião do ódio, a função 
do Brasil poderá ser a de criar com a religião do amor. 
Não é esse, com efeito, o temperamento deste país, em que pacificamente 
se misturam todas as raças, com seu sentimentalismo tolerante, com seu 
espírito antiexclusivista e anti-racista? Estas qualidades espontâneas, que já 
achamos existentes de fato, correspondem perfeitamente à missão que deve ter 
o Brasil, e a provam. Tudo concorda em cheio. É natural que a História 
escolha, para cada determinada tarefa, os indivíduos dotados das qualidades 
mais adequadas para executá-las, justamente porque a vida quer realizar, 
alcançando no terreno prático, todos os seus objetivos. E o Brasil pode fazer-se 
representante da vontade da vida, no terreno da bondade e do amor. Este é um 
setor vazio do equilíbrio de todas as funções do organismo social da 
humanidade, e que outro povo poderia preenchê-lo? Não digo que não haja 
outros povos bons no mundo. Mas estão empenhados em outros trabalhos. 
Muitas vezes, mesmo, é pelo fato de serem melhores, que estão mais sujeitos 
às opressões e às dores, porque na humanidade há também os destinados à 
expiação e à prova do sofrimento. 
Tudo o que diz respeito ao Brasil, parece feito sob medida, de propósito 
para torná-lo apto a essa função. Trata-se, sobretudo, de amar, ou seja, de abrir 
os braços, evangelicamente. São tantas as ideologias propagadas no mundo... 
Por que deve parecer tão absurda a de um Evangelho verdadeiramente vivido? 
Abrir os braços ao mundo! E pode acontecer que o mundo, amanhã, com a 
infernal destruição que hoje se está preparando, tenha inadiável necessidade de 
um refúgio, onde encontrar paz; de uma terra em que não viva o ódio ou o 
interesse, mas o amor. Quem sabe se a luta entre as ideologias armadas de 
bombas atômicas, não se resolva num desastre tão grande no Hemisfério Norte, 
que os povos devam fugir de lá em massa, especialmente da Europa que está 
mais ameaçada? E quem sabe se esse impulso não exercite uma pressão 
desesperada sobre as portas do Brasil, tão forte que as faça ceder, e opere uma 
imigração em massa de milhões de europeus? Assim se preencheria 
rapidamente o Brasil, de frutos mais carregados de dinamismo e de 
inteligência, produto da milenária elaboração da velha civilização européia, 
que já viveu tantas experiências, para que funcione como semente que se 
transplante para um terreno virgem para fecundá-lo. Tudo isto está na linha das 
maiores probabilidades. E então, a função do Brasil seria não só receber e 
abraçar, mas, com seus princípios de liberdade, de hospitalidade e bondade, de 
amalgamar todas as raças, como já está fazendo, assimilando-as em sua nova 
terra. Os povos novos se fazem com a fusão, não com o racismo, e a fusão se 
faz com o amor. 
Tudo parece pronto para estas novas realizações. O Brasil possui 
território imenso, cheio de riquezas incalculáveis, que só esperam a mão do 
homem para ser valorizadas. Maior muitas vezes que a Europa, fértil, e com 
um clima que torna fácil a vida, pode conter mais de 500 milhões de 
habitantes. E tem hoje apenas a décima parte. E o mundo da velha civilização 
européia acha-se justamente em condições opostas, de superpopulação e de 
pressão demográfica, à procura de um espaço vital. Dois impulsos opostos, que 
convergem para a mesma solução. A civilização emigrou do Egito para a 
Grécia, da Grécia para Roma, de Roma para a Europa e da Europa para as 
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Américas. A raça anglo-saxônia criou a civilização do dólar nas Estados 
Unidos. Por que a raça latina, herdeira de Roma, não poderia criar a civilização 
do Evangelho no Brasil? 
Há também uma razão de caráter moral e, para a História, têm poder, 
outrossim, as