Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia91 materiais1.838 seguidores
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pois, a confraternizar e a fundir-se no próximo. Tipo biológico capaz 
de infinitos desenvolvimentos, retomando o caminho da fé, do estado de 
transporte virginal em que se encontravam os primeiros cristãos, hoje já no 
terreno de mais vasta base científica e racional, que a mente moderna atingiu e 
pode oferecer. Tudo no estado da semente que quer e tem fome de crescer, 
tudo enquadrado numa fase histórica de desenvolvimento do mundo para um 
novo tipo de civilização, no amadurecimento dos tempos, e diante da vontade 
da vida de fazer um grande salto à frente. E eis que, diante dos grandes 
problemas do século, como principalmente o da justiça econômica e da 
confraternização e cooperação para poder viver e trabalhar concordemente nas 
grandes unidades coletivas, que a História quer fazer nascer, agora, eis que 
diante desses problemas, há muito mais probabilidades que os saiba resolver 
um povo que amorosamente os enfrenta com o coração, do que o resto do 
mundo, que só os sabe enfrentar com a força do dinheiro ou das armas e 
exércitos. Estas qualidades, a tendência à religiosidade, a virgindade de alma, 
que significa terreno livre para novos desenvolvimentos, representam uma 
capacidade de progresso nas crenças religiosas, ao qual vemos corresponder, 
na história da humanidade, tão freqüentemente, um progresso social. 
Do outro lado, a Europa, madura, complexa, hipercrítica, cética e 
desconfiada, sem fé em Deus e no futuro, envenenada pela ferocidade de duas 
guerras e cansada do trabalho de civilizar o mundo, alma que já navegou por 
todos os mares do conhecimento, fria, reflexa, autocontrolada, farta de saber, 
que desbarata tudo com a análise até chegar ao ceticismo, carregada demais de 
coisas velhas e privada de espaço livre para o que é novo; temperamento 
positivo e, portanto, egoísta, calculador, nada generoso, como são, em geral, os 
velhos, a isso constrangido por uma vida mais difícil e dura, pela falta de 
espaço e pela pressão demográfica; alma tornada por tudo isso exacerbada, 
fechada e desconfiada, essencialmente materialista, utilitária, levada ao 
absolutismo e à intransigência, a um individualismo separatista, que repele a 
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espontânea confraternização. Tipo biológico saturado, incapaz de renovações 
substanciais, mas apenas de aperfeiçoamentos cada vez mais sutis, na base das 
grandes estradas já fixadas pela raça, por assimilação de milênios. Tudo 
maduro, ao qual só resta envelhecer, no vasto mundo que procura, ao contrário, 
novos caminhos e elementos jovens para percorrê-los. Lá uma floresta de 
grandes árvores; no Brasil um campo fértil, carregado de sementes. Na floresta 
tudo está feito; não se pode nem semear nem colher. E nela se anda com 
dificuldade. A alma adulta é individualista, à maneira de grossos troncos 
eretos, e o resultado é o separativismo. Tudo está dividido, é rival, incrédulo 
até o materialismo religioso. A fé em qualquer coisa, que não seja o que é útil 
no presente, está em decadência. 
Vejamos um só exemplo. Na catolicíssima Itália, centro do catolicismo, 
em cinco anos, até as eleições de 1953, os comunistas aumentaram de um 
milhão e meio. A Igreja de Roma condenou severamente, até com a 
excomunhão, a doutrina ateu-materialista. Pois bem, o comunismo, com isso, 
não foi absolutamente contido e continuou a progredir. Mais de nove milhões 
de adultos não fizeram caso da condenação da Igreja. Em 1953, sobre nove 
milhões e meio de adultos, isto é, uma pessoa em cada três era, 
declaradamente, materialista. Isto quer dizer que o Cristianismo embora com a 
Democracia Cristã se tenha tornado na Itália, além de religião, um partido 
político, não pôde deter a expansão dos princípios materialistas e nada 
consegue contra eles. Suas reações servem, assim, mais para desacreditá-lo, 
demonstrando sua impotência, do que para alcançar seu objetivo. Um terço da 
população adulta, que é o que conta, na catolicíssima Itália, onde oficialmente 
todos são católicos, e onde está o centro do catolicismo é atéia. E dos outros 
dois terços, quantos crêem verdadeiramente? Sua conduta faria crer que 
também a maioria deles seja atéia. 
O materialismo é, então, uma corrente coletiva, que arrasta todos, e 
contra a qual, já agora, uma Igreja reduzida à forma e vazia de espiritualidade 
profunda e convicta, ao menos no conjunto, não mais pode lutar para vencer. 
Os homens da Igreja podem dizer: Deus está conosco. Mas, se sabemos que 
Cristo está com Sua Igreja espiritual, estamos seguros de que Ele permaneça 
com aqueles homens, se eles não seguem seus ditames? Perdida dessa forma a 
força maior, que é a espiritual, que defesa lhes sobrará? Então, eles cairão no 
grande curso da corrente geral, até que ocorra uma renovação radical, com a 
volta ao espírito. Isto porque tudo se reduz a um grande fenômeno biológico, 
que não se pode realizar com os retoques da reforma, mas só por meio de 
grandes agitações políticas e sociais, que limpem e renovem radicalmente, 
refazendo-se tudo desde a raiz. Pesa sobre a Europa toda uma vingança comum 
da História, preparada longamente nos séculos, e que agora atinge sua fase 
culminante. Representa um determinismo histórico comum a todos, porque foi 
preparada concordemente por toda a Europa, não obstante a diversidade de 
línguas e raças, e que converge toda para o estado atual. O Brasil terá outros 
defeitos, mas é inocente dessas culpas, próprias de quem teve a 
responsabilidade de guiar intelectual e espiritualmente o mundo: sua história 
não se fez, ainda se fará; não há, pois, diante da Lei, violações executadas, nem 
espera de suas reações, nem débitos a pagar. 
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Então, a qual desses dois grupos étnicos pertence o futuro? Diante dos 
grandes problemas do século, como o da justiça econômica e da 
confraternização para poder conviver e colaborar nas novas grandes unidades 
coletivas, qual dos dois grupos étnicos se acha mais apto, e espiritualmente 
preparado, para resolver tudo isto e chegar a uma conclusão, que não seja a da 
destruição de meio mundo, por meio de guerras exterminadoras? 
Não queremos aqui impor conclusão alguma. Procuramos apenas expor 
dados de fato, para que o leitor os utilize livremente, para concluir por si, como 
melhor desejar. Mas, o certo é que, salvo erro ou omissão, parece que estes 
dados queiram concluir a favor do Brasil. Tudo isso nos aparece nas condições 
de fato, escrito na onda da História, onda que carreia homens e 
acontecimentos, como explicamos acima. Sem dúvida, a vontade de um povo, 
sozinho, embora com a maior boa vontade, não poderia criar a natureza da 
onda histórica, num determinado momento nem sua posição dentro dela. Cada 
nação acha aí situada em atitudes diversas, com diferentes funções, de acordo 
com o desenvolvimento das proposições lógicas do pensamento progressivo da 
vida. O que mais pesa, a esse respeito, é a vontade da História, é o momento, é 
o desenrolar dos acontecimentos. Ora, tudo está a favor do Brasil, para que, 
secundando os impulsos da História, que oferece, mas jamais coage, possa ele 
desempenhar esta sua função e missão. Esta convergência de circunstâncias 
favoráveis demonstra que efetivamente a História faz, hoje, ao Brasil, este 
oferecimento e para que este se torne função histórica e missão, e mais tarde se 
realize na ação, a questão é apenas de que o Brasil a aceite e a queira. Não nos 
detenhamos nas condições e aparências do momento. Esta que fazemos, é uma 
visão remota e de conjunto, e não um trabalho de análise do pormenor, em que 
vivem os homens políticos. Colocamo-nos aqui, em contato com os grandes 
movimentos da vida do mundo, e não com o jogo dos partidos, nem