Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


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exatidão e o Natal de 1952, como me 
havia sido predito, foi passado no Brasil. 
 
J
 
 
Nesse momento começa minha história brasileira, que já completou seu 
terceiro ano. 
Esse período representa uma parte interessantíssima no desenvolvimento 
do meu destino. Assinala meu ingresso na vida pública, depois de vinte anos de 
preparação nos solitários silêncios de Gúbio. 
Havia realizado, até então, um trabalho de maturação interior e de 
pensamento. Agora, ao invés, deveria viver à disposição de todos, sem refúgios 
de silêncio para concentrar-me. Um mundo em que já não era possível pensar. 
Eu, que jamais havia falado em público, nem mesmo em italiano, tive que 
me tornar um pouco orador, e usar a língua portuguesa, e viver viajando de 
contínuo, sem sossego. 
Estava acostumado a uma vida solitária, de meditação, numa casa aonde 
ninguém ia, podendo eu, desse modo, dispor absolutamente de meu tempo, 
abstraindo-me, horas e horas, em elevação do pensamento e perdendo contato 
com o mundo. 
Agora, diferentemente, deveria habituar-me a viver numa casa aonde 
qualquer pessoa poderia chegar, a qualquer hora, com pleno direito de ser 
recebida e escutada. Considere-se ainda o clima cálido e a alimentação 
completamente diversa. Urgia também o trabalho indispensável de dominar o 
novo idioma, sem o quê não seria possível o necessário relacionamento, o 
compreender e ser compreendido. 
A tudo isso se acrescenta o grave dever de sustentar e defender uma 
família, cujo único sustentáculo era eu. 
Chegara ao Brasil cansadíssimo da viagem de 1951 e dos preparativos da 
transferência para aqui, em 1952. Sonhava lançar-me, confiante, nos braços 
dos amigos que já conhecia e entre eles viver em paz para escrever meus 
livros. 
Desenrolaram-se as coisas, porém, diferentemente. Sobreveio, ao 
contrário, uma nova prova, bem dura para mim. Reconheço agora que ela 
despontou, não somente conforme a lógica do desenvolvimento de meu 
destino, mas foi sobretudo útil. 
E isso por duas razões: 1ª, para amadurecer ainda mais minha 
personalidade, coisa necessária à minha renovação em um ambiente novo, com 
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vistas ao empreendimento de um trabalho diverso; 2ª, para lançar as bases de 
minha missão com um exemplo vivido, a todos manifesto, em que várias 
pessoas haviam tomado parte, um exemplo que não deixasse dúvidas sobre a 
natureza da Obra. 
É este o lado mais importante do problema, por encerrar um grande 
conteúdo moral. É para mostrar isso, é para patentear o íntimo valor dos 
acontecimentos espiritualmente considerados, é para realizar uma obra de bem 
que estou escrevendo estas coisas. 
E foi nesse sentido do bem que Cristo quis este exemplo, a fim de que a 
missão, no início de sua fase pública de realização, lançasse, com fatos 
positivos e verdadeiros, seus sólidos fundamentos na realidade experimentada 
e concreta. 
Não espere o leitor uma crônica pormenorizada de tais acontecimentos, 
com nomes e lugares. O escopo deste escrito não é uma defesa minha, nem 
uma reação pessoal. Não estou escrevendo para queixar -me ou para acusar, 
mas para estudar como funciona a vontade de Deus. Não me interessam as 
desrazões ou as razões, nem os pontos de vista humanos. 
Ao contrário, extasio-me na contemplação dos planos de Deus, através 
dos maravilhosos caminhos do bem, atônito diante da sabedoria com que vi sua 
realização. Aqui não aparecerão, portanto, as vãs palavras divulgadas a 
respeito deste caso. Este é tão -somente um trabalho construtivo, desejoso de 
demonstrar como o bem é mais forte e, ao remate de tudo, só ele triunfa. 
Esta tese, aqui apenas esboçada, será desenvolvida posteriormente, com 
base nos ensinamentos nascidos das provas destes três anos, no último volume 
da 1ª Trilogia da II Obra \u2212 A Grande Batalha. 
Queremos, neste capítulo introdutório, bem como naquele livro, 
demonstrar o significado e o poder do método da não -resistência defendido no 
Evangelho; mostrar a técnica do seu funcionamento e como, sabendo-se usá-lo, 
ele representa a mais poderosa arma para vencer todas as batalhas, também na 
Terra, também em nosso triste mundo de astúcias e violências. 
Buscarei, desde já, levar para o terreno realístico das lutas humanas que 
neste período tenho vivido, vencendo com este sistema, essa arrojadíssima tese 
do Evangelho, que nenhuma pessoa tida como prática leva em conta, mas que 
os acontecimentos destes anos me autorizam a expor aos olhos do mundo 
cético. 
Daí sua grande importância e daí também convir explicá-los e entendê-los 
em seu conteúdo profundo. 
Esses fatos concretos, através dos quais foi feita a justiça de Deus pelas 
Suas próprias mãos, sem qualquer influência minha, premiando ou punindo, 
esses fatos, repito, fizeram despontar uma nova Obra, esta que aqui é 
apresentada. Esses acontecimentos constituíram o ponto de partida para a 1ª 
Trilogia, bem como seu motivo fundamental. E ainda, com graves choques, 
renovaram minha personalidade e deram um novo endereço ao meu 
pensamento, naturalmente indispensável para escrever uma nova obra. 
Importa que eu mesmo, que conheço os fatos, os narre sob sua verdadeira 
luz espiritual. A ocorrência que mais me abalou e impressionará também o 
leitor inteligente, é ver além dos pontos de vista particulares, partidários e 
utilitários, a maravilhosa presença de Cristo, que tudo guiou, sem que eu o 
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soubesse, a fim de que Seu pobre instrumento pudesse resistir a tudo e a todos, 
atingindo prodigiosamente a vitória. 
Assim, com razão, pude concluir uma conferência na "Rádio Progresso", 
de São Paulo, na noite de 6 de agosto de 1955: 
"(...) Cristo esteve sempre presente e atuante, junto a mim, nesta luta e me 
salvou. Tenho provas positivas de que assim sucedeu e que isso é real. Esses 
prodígios são para mim um testemunho seguro de que minha missão é 
verdadeira e vem da parte de Deus, pois de outro modo não teria assim me 
ajudado. Milagres como estes não acontecem todo dia e não podem ser 
realizados pelos homens". 
"Este trabalho não é fantasia. Minha crença é férrea, porque está 
concretizada em fatos. As teorias podem ser discutidas, mas todos 
compreendem os fatos. Estava no plano de Deus, além dos livros, um exemplo 
sólido, de manifestação das forças espirituais também no plano do mundo 
prático; um exemplo através do qual Cristo dá provas de Sua presença e poder, 
permitindo a um instrumento Seu, pobre, desprovido de quaisquer recursos 
humanos, vencer todos os obstáculos suscitados por seres poderosos e 
organizados, para confirmar que a missão é legítima e que ninguém tem o 
poder de sustar o que é da vontade de Deus". 
"Esta é a grande lição moral que devemos aprender desta luta e dos meus 
sofrimentos. Valeu a pena sofrer, pois os sofrimentos deram seus frutos. Cristo 
avança, Cristo vence. Ninguém pode interromper Sua caminhada triunfal aqui 
no Brasil". 
"Este é um bom exemplo para todas as religiões e agrupamentos. É uma 
verdade que pode trazer benefícios sem distinções, com absoluta 
"imparcialidade" e "universalidade", que são as duas palavras de minha 
bandeira. Significam elas: perdoar, abraçar e fazer o bem a todos." 
"Minha conclusão, despedindo-me hoje de meus caros amigos brasileiros, 
não é somente de gratidão e amor. Acima de tudo, não é de tristeza, mas de 
alegria. Não estou aqui para manifestar mágoas, nem para condenar ninguém, 
mas para alegrar-me, junto aos bons, com a vitória de Cristo. Se os anos de 
1953 e 1954 foram anos de luta e sofrimento para mim, este 1955 representa o 
início do desenvolvimento de uma missão no Brasil. Saio desta luta muito 
cansado. Lutar durante