Pietro Ubaldi   Profecias
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Pietro Ubaldi Profecias


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a dia, cheio de preocupações, e escrever livros à noite, 
sozinho, num país novo, esgotaria um jovem de vinte anos." 
"Se fisicamente está cansado este homem de sessenta e nove anos que vos 
está falando, sua alma não se cansou. E ele quer viver ainda, tão-só para fazer 
doação total de si mesmo \u2212 mente e coração \u2212 a este seu grande e bom amigo, 
que é o povo brasileiro." 
 
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Assim começou minha vida brasileira. Bem depressa percebi, entretanto, 
que me faltavam duas coisas absolutamente necessárias para quem quer 
cumprir uma missão: independência espiritual e independência econômica. 
Noutras palavras, num país plenamente livre, faltava-me a liberdade. É 
evidente, todavia, que quem deve obedecer a Deus não pode obedecer aos 
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homens. Quem é instrumento do Alto não pode ser instrumento de interesses e 
escopos humanos. 
O erro elementar de alguns companheiros do meu ambiente de 
1953/1954, que era o mesmo de 1951, foi não haverem compreendido que 
minha missão era verdadeira, que nela Cristo trabalhava realmente, 
sustentando-me; que eu era impulsionado e defendido por forças espirituais 
(que depois demonstraram seu poder) e, conseqüentemente, ninguém tinha o 
poder de impedir meu trabalho. 
Assim sendo, quem quer que desejasse utilizar-me para outros objetivos 
seus \u2212 já que não é possível dominar quem deve obedecer a Cristo, único chefe 
\u2212
 seria afastado, como realmente depois sucedeu. 
Muitos se aproximaram de mim, não para colaborar, mas desejando 
utilizar minha vinda ao Brasil para finalidades outras, que nada tinham a ver 
com meu trabalho, antes, dificultando-o, fazendo-me perder tempo e 
arredando-me da verdadeira estrada. 
Mensagens e escritos, já conhecidos e publicados, falavam claramente e 
eram suficientes para esclarecer tudo. Entretanto, não foram compreendidos. 
Com essa finalidade, quis advertir a quem deveria, em primeiro lugar, ter 
compreendido, com uma carta, datada de 19 de janeiro de 1955, tomando 
posição definitiva e preanunciando as conseqüências. Dessa carta aqui 
transcrevo as conclusões: 
"Ao Brasil, a que dou os anos mais maduros de minha vida, peço, na 
condição de pobre que sou, o mínimo de recursos necessários para uma vida 
humana. Acreditei ter vindo para o Brasil a fim de realizar um trabalho 
espiritual e não para cuidar de negócios. Já perdi, desse modo, dois anos 
preciosos, que não voltarão. O fato de que minha missão esteja sendo utilizada 
por alguns em favor de interesses particulares, deve absolutamente cessar. O 
escândalo que ameaça tornar-se público é este: que a luta pela obtenção de 
direitos autorais e meios de subsistência e, por promessas não cumpridas, como 
uma casa indispensável para morar, me paralisa no cumprimento de minha 
missão. Quem, com isso, tenta deter uma obra de Cristo assume uma tremenda 
responsabilidade. Embora não se creia nela, a verdade é que existe uma Lei." 
"Também eu tenho assumido e assumo minhas responsabilidades diante 
de Cristo e do Brasil. Cristo está vendo que o desempenho de minha missão 
não depende de mim e responsabilizará aqueles que são culpados desse 
descumprimento. E não nos esqueçamos de que Cristo, além de bom, é 
poderoso e jamais permitirá à liberdade humana obstruir seus planos. Sendo 
estes de alcance histórico, todos os obstáculos serão esmigalhados. Isso Sua 
Voz me pede, neste momento, para afirmar, solicitando ainda que esta carta 
seja conservada, a fim de que, relida daqui a alguns anos, se compreenda, com 
as provas dos fatos que virão, o grave significado destas palavras". 
"O meu dever é entregar aos espiritistas \u2212 porque no Brasil foram eles os 
primeiros a vir ao meu encontro, tanto quanto a todos os homens honestos e de 
boa vontade \u2212 uma Obra ainda em seu início e cujos planos o mundo ainda não 
conhece, mas que me vêm sendo revelados dia a dia. Agora começa o 
verdadeiro trabalho. Tenho necessidade de amigos que me auxiliem e não de 
especuladores que me utilizem em favor de seus interesses. Estas pessoas, 
segundo Sua Voz, devem ser distanciadas da Obra. Considerando que atrás de 
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mim está Cristo, a Quem obedeço, esta ordem é acompanhada de invencíveis 
recursos sobre-humanos para vencer. Neste caso, os engenhos humanos, as 
astúcias do mundo são o mesmo que lutar com a espada contra a bomba 
atômica". 
"Nestes dois anos, cada um, com suas ações, se autodefiniu e autojulgou 
diante de Deus, colocando-se, portanto, na desejada posição em face da Obra. 
E o mundo também observa. Eu vivo sob refletores no palco do mundo. Quem 
de mim se aproxima é visto sob os mesmos refletores. Também o Hemisfério 
Norte, a Europa, os Estados Unidos nos olham. E tudo o que acontece é escrito 
no livro de Deus e não se apaga mais". 
"Somos todos chamados a colaborar numa obra imensa. Eu não passo de 
um pobre instrumento que necessita da cooperação de outros instrumentos. É 
chegada a hora de nos pormos a trabalhar, tomando cada um a sua posição 
exata e bem definida. A Mensagem de Sua Voz, dada em Pedro Leopoldo, em 
agosto de 1951, deve tornar-se realidade. Ninguém poderá alterar os planos de 
Cristo. Ninguém poderá detê-los. Hoje o Brasil foi escolhido. Espera-se agora 
se aceitará ou não. Um novo exército, porém, já se está formando, pois no 
Brasil as almas boas e sinceras são muitíssimas". 
"Esta carta objetiva declarar que em 1955 se inicia uma nova fase de 
maior desenvolvimento no plano da missão. Tudo o que foi feito até agora foi 
tão-somente uma preparação. Resolvamos rapidamente este absurdo a que o 
mundo está assistindo, isto é, que uma Obra como esta, possa estar à 
disposição dos interesses de um editor ou do proprietário de uma casa, e 
ponhamo-nos todos a trabalhar, quais instrumentos da mesma Obra. O impulso 
já foi dado, o terreno é virgem e fértil. Unamo-nos sob a mesma bandeira de 
Cristo, que é o único e verdadeiro senhor desta Obra". 
"Estas são as diretivas que, neste momento, Sua Voz me determina 
transmitir, chamando-nos novamente, em face da gravidade desta hora". 
A resposta que obtive só se refere à parte prática da carta, de conteúdo 
econômico, revelando até surpresa pelo fato de minha transferência para o 
Brasil. Nada me foi respondido quanto à parte espiritual, a mais importante. 
Foi exatamente por prever que a carta não seria compreendida que se 
recomendou, como acima está dito, que ela fosse conservada, para que, em 
releitura mais tarde, fosse entendida em face da prova dos fatos que, então, 
haveriam de confirmá-la. 
A única resposta que obtive foi, assim, o meu arrasamento. 
Destarte, ao invés dos auxílios esperados, encontrei obstáculos. E pesados 
obstáculos, pesadíssimos para mim, que me encontrava sozinho, sem recursos, 
em país estrangeiro. E, no entanto, todos eles foram superados. 
Enquanto, em plena obediência, aceitava as provas das mãos de Deus, a 
Sua presença me acompanhava, resolvendo tudo. 
Que eu haja podido não só resistir, mas ainda vencer, foi um fato tão 
prodigioso que até os crentes duvidaram, chegando a imaginar uma coisa que 
eu jamais poderia sonhar, isto é, que eu houvesse premeditado friamente, 
ardilosíssimos planos diabólicos. 
 
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Tudo se desdobrava assim. Surgia o obstáculo. Era como se um muro se 
elevasse em meio do caminho. Impossível avançar. O terreno se tornava 
escorregadio, sem apoio firme para os pés. Mistérios, equívocos, mal-
entendidos, promessas tranqüilizadoras que não se realizavam, esperanças de 
ajuda que depois se dissipavam, uma atmosfera