Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


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para compreendê-la cada vez 
melhor. Procuremos aprofundar sempre mais o nosso olhar no mistério da estrutura do 
fenômeno do universo e dos abstratos princípios gerais que o regem. Poderemos assim penetrar 
os significados sempre mais íntimos de nossa representação gráfica, as razões da sua estrutura 
e a técnica do funcionamento das duas forças. 
Temos até aqui observado, numa simples visão de conjunto, a figura em sua 
estrutura estática, para ver como está construída. Estudamo-la depois em seu dinamismo, isto é, 
no desenvolvimento das duas fases, de ida e volta. Estamos aprofundando e ilustrando elo 
forma visível, com exatidão cada vez maior, os conceitos apresentados nos livros: Deus e 
Universo e O Sistema, trabalho que é possível, somente agora que u esquema geral foi traçado 
e os problemas fundamentais resolvidos. 
Vimos em que consiste o processo involutivo-evolutivo, isto é, as duas fases 
do ciclo, de ida e volta. Explicamos que o movimento de descida ou afastamento do S, ao 
chegar ao ponto Y, se emborca em subida ou aproximação do S até atingi-lo. 
Surge neste ponto a espontânea pergunta: por que motivo o processo da 
queda, chegado a esse grau do seu amadurecimento, ao invés de continuar na mesma direção, 
volta para trás? A que força é devido esse emborcamento do seu caminho? Dissemos que assim 
acontece porque se esgota o impulso da revolta. Mas isto não basta para explicar. Há mais. 
A lei de cada impulso tende a progredir até atingir a plenitude da sua 
realização. Mas quando essa realização for atingida, o impulso não funciona mais. Então 
dizemos que ele se esgota porque, atingido o alvo, ele pára. Isto porque quando a causa tiver 
sido transformada toda em efeito, ela não existe mais como causa e com isso se anula o motor 
do processo. Quando o alvo for atingido, acaba a trajetória da viagem, que não pode continuar. 
Quando realizamos uma obra, quando manifestamos nela o nosso pensamento e vontade, 
quando o que se encontrava dentro de nós em estado potencial passou para fora de nós em 
estado atual, a força que tudo movimentou não pode continuar. Para onde poderia continuar se 
o objetivo foi atingido? Para continuar precisaria determinar novo objetivo e novo impulso 
para atingi-lo. Não há movimento que possa continuar além do seu ponto de chegada, a não ser 
iniciando outro caminho para outra finalidade. 
Então, pela própria lei que o fenômeno traz escrita dentro de si, tudo está 
automaticamente pré-ordenado de modo que, no ponto em que toda a positividade da parte 
rebelde do S se transformou na negatividade do AS, e a obra de construção desse triângulo 
verde está cumprida na linha ZZ1, neste ponto o processo tem à forca de parar e, se quiser 
continuar, não pode fazê-lo senão mudando o tipo do seu movimento e iniciando outro 
caminho para outro objetivo. 
E que direção poderá esse novo movimento assumir? Que outro tipo de causa 
poderá surgir dentro do efeito realizado? O novo impulso somente poderá ser determinado 
pelas forças disponíveis naquele ponto do caminho ou desenvolvimento do processo. E o que 
se encontra naquele ponto? O impulso para o AS foi esgotado porque este foi realizado. Aquele 
impulso não possui mais força e jaz exausto, inerte. Pode surgir, então, outro impulso ativo 
nesse ponto? 
Ele é representado pelo S. Enquanto o caminho XY consumiu todo o impulso 
da negatividade devida à revolta, por esse mesmo processo de expansão construtora da 
negatividade do triângulo verde se realizou uma compressão destruidora da positividade do 
triângulo vermelho. Disto se segue que ao chegar o processo à plenitude do AS, encontramos 
uma negatividade no máximo estado de sua expansão, isto é, de esgotamento e inércia, e uma 
positividade no máximo estado de sua concentração, o que quer dizer potencialização e 
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dinamismo. Sendo o fenômeno da queda um jogo de emborcamento, o resultado da sua vitória 
foi só o de fortalecer a reação evolutiva. É no ponto em que foi atingido o completo triunfo da 
negatividade, que o impulso da positividade comprimida vai bater como que contra uma parede 
e aí ricocheteia para trás. Mas o que construiu a parede que constrange o processo a emborcar, 
o emborcamento da negatividade, isto é, a endireitar-se na positividade, é o próprio triunfo da 
negatividade. 
Isto nos poderia fazer pensar que se trate só duma nova direção do mesmo 
impulso, que continua às avessas, tanto mais que se trata do mesmo ciclo, do qual involução e 
evolução são duas fases consecutivas. Então a evolução seria só a continuação do caminho da 
involução. Se isto é verdade, o é também o fato que esse novo impulso deriva do S, que pode 
começar a levar vantagem sobre o AS só neste ponto Y, onde o caminho do AS está esgotado. 
É assim que em Y começa a prevalecer o S. É assim que, no ponto onde a negatividade atingiu 
a plenitude da sua realização, a positividade pode iniciar o seu trabalho lento mas constante, 
que tanto operará até reconduzir tudo ao S, tudo redimindo na salvação final. 
Além disso é necessário levar em conta o fato de que com a queda foi gerada 
e se iniciou a maneira de existir no relativo, isto é, na forma do vir-a-ser ou transformismo. 
Nele o ser agora está situado, constrangido a percorrer o caminho do ciclo involutivo-
evolutivo, no qual ele não pode parar. Então a primeira condição da sua sobrevivência é a 
continuação desse caminho. Se o fruto maduro da queda não quer ficar congelado na perda 
completa da vida que a positividade representa, é necessário que o movimento continue. se 
pelo transformismo universal, que no relativo é lei de vida e condição de existência, ninguém 
pode parar sem morrer, para continuar a existir, e o ser não tem outra escolha a não ser 
emborcar-se novamente, voltando ao positivo. 
Por que não há outra escolha? Porque no Todo não existe outro modelo, mas 
um só: o do S. Este é o modelo do Todo-Uno-Deus. A criatura não é o Criador e, por isso, não 
tem o poder de gerar outros modelos. Tudo o que existe tem de girar ao redor de Deus, tudo 
está incluído e fechado dentro do sistema de forças da Sua obra. Outra obra não há, nem pude 
haver. Então a única coisa que pode existir é o Sistema de Deus ou uma alteração naquele 
modelo, mas não um novo. Nunca um sistema de outro tipo, uma ordem diferente, mas só um 
deslocamento, uma desordem dentro da ordem de Deus. Daí o emborcamento da revolta. 
Quando este acabar por se ter realizado, nem por isso aquele processo pode sair do sistema de 
forças do Todo, que tudo abrange, fora do qual não há existência e no qual tudo está 
enclausurado. Se Deus é tudo e este é o modelo do Todo, não é possível sair deste sistema. Por 
isso quando o impulso da ida se tiver esgotado, não lhe resta para sobreviver senão repetir o 
mesmo motivo do emborcamento e, desemborcando-se, voltar para trás. Esta é a razão pela 
qual a negatividade do AS tem que endireitar-se na positividade do S. 
Observando a figura vemos que no ponto Y, se a negatividade se expandiu, a 
positividade ficou comprimida naquele ponto, acima do qual gravita o triângulo, convergindo 
para ele todas as suas forças. É lógico que, neste ponto Y, que é o de mínimo poder na 
negatividade (porque se encontra na sua maior expansão que a enfraquece), e do máximo da 
positividade (porque se encontra na sua maior concentração que a fortalece, dado que o ser 
nada pode criar ou destruir), esta prevaleça sobre aquela, e exatamente este seja o ponto onde 
se inicia o caminho da volta. 
Começa assim o regresso. Por este automático jogo de forças contidas no 
próprio seio do processo, tudo continua desenvolvendo-se deterministicamente, pré-ordenado 
pela sabedoria de Deus que tudo tinha previsto, e aprontado o remédio do mal, no caso de a 
criatura desobedecer. Trata-se