Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


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da escolha e tentativa, própria do seu estado de imperfeição, compreender esse estranho modo 
de operar segundo um determinismo automático que parece mecânico, porém, age com lógica, 
justiça e segurança absolutas, como só pode acontecer na obra perfeita de Deus. 
Somente encarando-o assim, em sua profundidade, podemos compreender o 
problema da destruição do ser. A Lei automaticamente nos devolve, em bem ou mal, o que de 
nós recebeu. Os seus equilíbrios se restabelecem à nossa custa, na medida em que nós 
quisermos deslocá-los. Qualquer que seja o dano que fizermos, temos de restaurá-lo. O 
fenômeno da evolução se baseia nesse princípio. Temos que reconstruir os equilíbrios da Lei, 
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na medida em que os violamos. Assim acontece porque quando saímos da ordem da Lei 
aparece a dor, que nos continuará golpeando até regressarmos àquela ordem. A dor não é o 
efeito duma intervenção de Deus, mas é a carência da harmonia de forcas da qual depende a 
nossa felicidade. Cada revolta nossa destrói essa harmonia, lançando-nos na desordem e 
carência que se chama dor. Assim, a cada afastamento da Lei, tem que corresponder uma 
proporcional aproximação junto dela. Então, é lógico que com o esforço da evolução se possa 
pagar uma revolta temporária, corrigindo o seu impulso limitado, percorrendo em subida o 
caminho feito em descida. Mas quando a revolta é completa e definitiva, não há subida que 
possa corrigi-la facilmente, tão grande é a desordem provocada. O ser tanto se aprofundou, que 
é difícil recuperar-se. Ele, não pode ressuscitar do seu negativismo, daí a razão do seu 
aniquilamento. 
Tudo é lógico. Com a revolta o ser procurou destruir a obra de Deus. Mas a 
obra de Deus a respeito do ser foi a de cria-lo. O seu estado de criatura como eu 
individualizado, é exatamente o produto da criação. Então o ser, revoltando-se contra a obra de 
Deus, se revolta contra a sua própria existência e procura destruí-la. A individuação do ser 
representa um campo de forças, dentro do qual só lhe é permitido agir, e não pode sair dele. 
Isto quer dizer que o S, a obra de Deus, é inatingível pela criatura, que é dona só do que lhe 
pertence e é livre somente para se destruir, a si mesma, seja temporariamente, recuperando-se 
depois com a evolução, seja definitivamente, se quiser para sempre insistir na revolta. 
Tudo é justo e lógico. Mas queremos saber ainda mais e continuamos 
olhando para a nossa visão, para ver nela sempre mais profunda e pormenorizadamente. E 
perguntamos: como acontece mais exatamente esse aniquilamento do ser? Com estas continuas 
perguntas, às quais vamos respondendo, pedimos a Deus que Ele nos mostre um pouco da Sua 
face, que é feita de pensamento, na qual procuramos lê-lo . 
O conceito de aniquilamento do ser está conexo com o conceito de limites de 
desmoronamento da queda, que se realiza em proporção ao poder do impulso originário na 
revolta. O efeito tem de corresponder à causa. Isto quer dizer que à amplitude do caminho 
percorrido em descida na queda, tem de ser proporcionada ao volume do impulso que o ser 
gerou com a sua revolta. Deus, criando dentro de Si, com a Sua substância, as individuações 
desta, que constituem as criaturas, as gerou conforme o modelo central que Ele representa, isto 
é, qual eu central, dentro dos limites da obediência hierárquica, autônomo, gerador de impulsos 
próprios independentes, que só tinham o dever de coordenar-se com os paralelos impulsos de 
todos os outros seres, em função do impulso central de Deus, como acontece nas células de 
nosso organismo. Assim, dentro dos limites do campo de forças da própria individuação, o ser 
estava livre de gerar e lançar os impulsos que quisesse, dando origem a efeitos que depois eram 
fatalmente seus. Isto é o que aconteceu com a revolta. Os efeitos desta têm de ser 
proporcionados ao poder do impulso que a gerou. 
Então, se esse impulso foi limitado, no momento em que esta causa terá 
atingido o efeito que representa a sua completa realização, o dito impulso se esgota, como 
vimos no capítulo precedente, o ser pode voltar atrás, para tudo corrigir e recuperar. Mas isto 
não pode acontecer se maior foi o volume do impulso da revolta, se ela foi completa, absoluta e 
definitiva. Cada causa não pude parar de funcionar até se ter esgotado, atingindo todo o seu 
efeito. Então, se tal foi o impulso originário, ele não poderá parar sem se ter esgotado, nem o 
ser poderá voltar, para trás, mas terá de atingir a realização da causa até à sua plenitude, 
representada pelo estado de negatividade absoluta, isto é, o aniquilamento do ser. 
Ora, esse processo de destruição do ser não corresponde à sua causa só como 
quantidade, na medida dos efeitos, mas também como qualidade, isto é, na natureza deles. A 
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revolta representa um movimento separatista, correspondente a um impulso do ser, pelo qual 
este procura afastar-se e separar-se do S. Podemos agora ver qual é a técnica do fenômeno da 
queda ou aniquilamento. O impulso originário é de tipo separatista. Uma vez que o processo se 
iniciou ele não deixar de continuar a desenvolver-se como uma desintegração atômica em 
cadeia, que não pode parar até esgotar o impulso. Se este foi de revolta completa e absoluta, o 
seu resultado final é a pulverização do ser. E isto é possível porque o espírito, sendo 
constituído de substância divina, isto é, de natureza infinita, pode gerar impulsos e com isso 
efeitos de natureza infinita. 
Mas, por que pulverização? Porque o impulso é de tipo divisionista. Ele, 
como vimos, não pode sair dos limites do campo de forças do ser. Então o divisionismo que ele 
tinha lançado contra o S, ricocheteia e começa a trabalhar dentro do indivíduo que o lançou, 
por aquele princípio de regresso à fonte, pelo qual tudo o que é lançado para fora acaba 
introvertido para a sua causa e origem, Então o princípio do divisionismo começa a transformar 
interiormente o ser, progressivamente desagregando-o sempre mais nos seus elementos 
componentes. É um processo parecido ao que vemos verificar-se num organismo biológico no 
momento da sua morte física que, com o afastamento do eu central diretor do organismo, 
representa o fenômeno da dissociação dos elementos competentes que se verifica no caminho 
involutivo. Como na desagregação do corpo físico cada célula não vive mais em função das 
outras, não mais se conhecem, se dissociam porque se dissolve a unidade orgânica; também na 
morte da célula, as moléculas dos elementos químicos componentes se separam, seguindo 
apenas os mais simples impulsos associativos da matéria inorgânica. Essa desagregação do 
edifício biológico poderia continuar até à separação dos átomos constituintes da molécula, e os 
elementos constituintes do átomo, e assim por diante... O mesmo processo de pulverização se 
verifica no caminho involutivo, de modo que a unidade orgânica do eu se vai dissolvendo 
sempre mais quanto mais desmorona a organicidade do S, e o ser, involuindo, se aprofunda no 
estado caótico 
próprio do AS. É lógico que, se o impulso foi limitado, num dado ponto, ao esgotar-se, o 
processo pára o ser, pode desemborcar a descida em subida. Mas é claro também que, se a 
revolta foi completa e definitiva, (neste caso excepcional e praticamente só possibilidade 
teórica) esse processo de desagregação terá que acabar no aniquilamento da unidade que 
constitui o ser. 
A contraprova de tudo isto a encontramos no fato de que, enquanto a 
involução se nos apresenta como um processo divisionista, a evolução é constituída por um 
processo unificador. Não vemos mais, neste segundo caso uma desagregação do estado 
orgânico do s, na desordem