Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


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tudo 
vai continuando e que aquela última palavra é só a primeira dum novo livro. Quando este 
chegar ao fim, me parece ter esvaziado o depósito do meu conhecimento a respeito do tema 
tratado; entretanto, verifico depois que, aquilo que me parecia ser um ponto de chegada, é só 
o ponto de partida do volume seguinte. E assim por diante. Na lógica do pensamento que 
naqueles livros fui registrando, o presente volume representa a fase do controle 
experimental e das aplicações práticas daquelas teorias, para ver se a realidade dos fatos 
correspondia aos princípios gerais nelas afirmados. Assim tudo vai sendo controlado 
racionalmente. Fazer isso é um dever. Quem prega uma teoria aos outros é quem mais tem a 
responsabilidade do que afirma, porque deve possuir a certeza e a garantia da verdade 
pregada. Quem ensina não pode acreditar cegamente nas teorias ensinadas aos outros; deve 
controlar a cada passo que não está sustentando fantasias, mas verdades. Ele tem de 
conhecer e oferecer as provas concretas, o serva as suas conseqüências, entrando nos 
pormenores, comparando as teorias com a realidade dos fatos, tudo submetendo ao teste da 
experimentação; estando sempre pronto a repudiar o que não resiste a esse exame, 
aceitando toda objeção e resolvendo toda dificuldade, para que tudo seja claro, lógico, 
demonstrado. 
Chegados a este ponto, pudemos hoje compreender a lógica do 
desenvolvimento do pensamento que nos levou até a este volume: Queda e Salvação. 
O Sistema havia completado a visão de A Grande Síntese e Deus e 
Universo. Os choques, porém, dos primeiros anos brasileiros chamaram a minha atenção 
para o mundo terreno da realidade biológica. Eis então que tive de olhar de outro ângulo, 
não mais para o céu mas para a Terra. Depois de ter estudado e resolvido o problema da 
criação e primeiras origens, foi necessário estudar resolver o problema da sobrevivência do 
homem evangélico no inferno terrestre, do evoluído em contato com as ferozes leis da 
animalidade humana. Essa foi a origem de onde nasceram os dois livros: A Grande Batalha 
e Evolução e Evangelho. Eis que tudo isto nos levou ao problema da conduta humana em 
geral, e surgiu a necessidade de resolvê-lo. O assunto tratado foi sempre mais se ampliando 
nos seus aspectos humanos, terrenos, práticos, após ao desenvolvido nos livros acima: Deus 
e Universo e O Sistema. Nasceram, assim, mais dois livros: A Lei de Deus e Queda e 
Salvação. Eles representam dois graus diferentes de aproximação do problema da conduta 
humana ou da ética. No primeiro, o assunto foi tratado de modo geral, acessível, prático, 
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mais próximo à compreensão do homem comum e de sua vida de cada dia, porque esta era a 
forma mais adaptada para palestras na Rádio. No segundo o mesmo assunto foi ampliado e 
aprofundado em relação a outros pontos de referência, isto é, não em junção das 
necessidades e vantagens imediatas da vida humana atual, mas em junção dos princípios 
universais fundamentais e da salvação do ser no plano geral da Criação. O presente volume: 
Queda e Salvação pode assim ser considerado como uma amplificação do outro: A Lei de 
Deus, tratando ambos do mesmo assunto, mas em forma diferente, como já foi mencionado 
anteriormente. 
Eis o fio que liga, de um pólo ao outro do conhecimento, estes livros num 
único desenvolvimento lógico, segundo um pensamento unitário que vai sempre 
continuando e se renovando. Podemos assim compreender qual foi o caminho que nos levou 
até Queda e Salvação. Neste não se trata mais, como no precedente, A Lei de Deus, de 
considerações a respeito da conduta humana, mas da construção duma verdadeira "ética 
racional", fruto, não dos impulsos do subconsciente da maioria e das interpretações das 
vagas afirmações das revelações religiosas, mas resultado positivo duma lógica científica, 
por isso de valor real e universal por ser produto das leis da vida, verdadeiras para todos, 
independentemente do tempo, da raça, da religião de cada um O escopo da presente obra é o 
de formular e afirmar esta nova ética, qual norma de conduta mais inteligente e adiantada 
para os evoluídos de amanhã. 
A ética atual infelizmente representa mais um desabafos dos impulsos 
primordiais da vida na tentativa de discipliná-los, quais a cobiça, o sexo e a luta para vencer, 
do que a regra com que o indivíduo se coordena em função de finalidades superiores no seio 
de uma unidade orgânica: a humanidade do futuro. Neste livro, nós, apelando ao sentido 
prático que todos possuem e a um cálculo utilitário que todos compreendem, queremos 
demonstrar quanto seria mais vantajoso praticar uma regra de vida menos primitiva e feroz, 
e mais civilizada. Isto para que possa surgir, paralelo a um mundo que pela ciência se 
tornou mais poderoso, e melhor pela inteligência e pela bondade. As gerações anuais talvez 
não compreenderão. Mas nosso objetivo é o de atingir as futuras gerações mais aptas a 
compreender, porque escolhidas em virtude de terem sido selecionadas no próximo expurgo 
terrestre, porque amadurecidas pelas grandes dores que nos esperam, as quais têm o poder 
de abrir os olhos aos cegos. 
Impelido pelo desejo irresistível de encontrar este mundo melhor, para me 
evadir do selvagem estado atual, procurei desesperadamente outro lugar; sufocado pela 
terrena atmosfera de engano, egoísmo, esmagamento e ignorância, fugi em busca de 
sinceridade, bondade, honestidade e conhecimento. Tive de viajar muito, mas encontrei o 
que procurava. Atrás dos bastidores desta peça humana de teatro, suja e trágica, me 
apareceu uma realidade mais profunda e verdadeira, a do espírito. Quando tive perante a 
vista o plano geral do universo, o horrível presente se completou num melhor amanhã, 
numa radiante visão de conjunto, em que a futura felicidade justificava os sofrimentos 
atuais. A certeza de que este amanhã tinha fatalmente de tornar-se realidade para nós um 
dia, que este futuro melhor estava garantido, para o ser amargurado pela dor, pela 
irrefreável vontade da Lei de Deus, tudo isto me encheu o coração de esperança. Vislumbrei 
ao longo do caminho das ascensões humanas o lento e fatal aproximar-se do reino de Deus, 
em que Ele triunfa, vencedor das trevas. Foi esta para mim uma grande descoberta que me 
encheu de alegria. Foi para mim uma descoberta ter chegado a perceber dentro de cada 
coisa a imanência de Deus, não daquele Deus ao Qual se costuma orar só com a boca ou 
em Quem se tem de acreditar por medo; de um Deus não só estátua e imagem, mas que 
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sentimos presente, em toda a hora e lugar, vivo, operante entre nós, pai que nos ama e ajuda 
a viver e subir para o nosso bem Finalmente era possível sair da névoa das lendas, da 
fantasia, da ignorância, da fé cega. Finalmente uma visão clara de nosso destino, um apoio 
firme, um caminho certo, u'a meta segura, a verdadeira vida. 
Tudo isto não caiu de graça do céu, mas foi o fruto de um duro trabalho de 
amadurecimento, de maceração interior, de sofrimentos profundos. Mas este fruto está aqui, 
e a minha alegria agora é de oferecê-lo, aos meus companheiros na viagem da vida, que 
sofrem e lutam para subir, para lhes mostrar o caminho da felicidade e explicar-lhes que é 
possível atingi-la, vivendo conforme a Lei de Deus. 
 
S. Vicente, (São Paulo), Brasil 
Natal de 1960 
 
 
INTRODUÇÃO: O PROBLEMA DO CONHECIMENTO 
 
Antes de iniciar este novo livro, apresentamos numa visão de conjunto, um 
rápido resumo de nosso sistema filosófico, até hoje desenvolvido na I e II Obra de doze 
volumes cada uma, que estamos acabando. Esta exposição sintética poderá ser útil como 
premissa para orientar o leitor