Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


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Queda e Salvação Pietro Ubaldi 
 
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maneira alguma sair. A sua liberdade não chega até lá. E, aconteça o que acontecer dentro do 
rio, fora dos seus limites permanece inatingível e inalterada a ordem de Deus. 
A Lei da luta pela vida e da seleção do mais forte, vigorante em nosso 
mundo, é apenas uma lei transitória para aprender uma dada lição. Deste modo, além desta 
pequena liberdade, que chamamos de livre arbítrio e que nos parece absoluta há uma lei de 
ordem da qual ninguém pode sair. Quanto mais nós queremos ser fortes para nos rebelar, tanto 
mais ela nos constrangerá a regressar à sua ordem. Não é que ela reaja ativamente. A sua 
resistência é passiva como a da rocha, que só quer ficar onda está. E ninguém consegue 
deslocá-la. Quando os peixes rebeldes procurarem sair do rio para espalhar a sua revolta, eles 
não são repelidos por ninguém, mas tão somente pelo choque automático que recebem de 
volta, lançando-se contra as paredes, contra as quais vão bater com a cabeça. É o que 
chamamos a reação da Lei. A lição que o homem tem de aprender é esta: há paredes ou limites 
dentro dos quais cada movimento do universo, também no caos da revolta, está canalizado, de 
modo que ninguém pode sair da ordem, e se o tentar baterá com a cabeça contra as paredes 
duras da Lei e ficará preso nas dolorosas conseqüências do seu erro, até que indo esteja 
retificado na posição correta. Este é problema fundamental da vida e é o nosso assunto atual. 
Num mundo em que se acredita na liberdade indisciplinada, e que nela tudo 
seja lícito, bastando seja sustentado pela força, é necessário mostrar quantos sofrimentos custa 
ao homem o erro tremendo de violar os princípios da Lei. Este é o nosso trabalho. que é, 
também, o de estudar a medida do esforço necessário para reconstituir os equilíbrios 
destruídos, e reintegrar na ordem a desordem gerada pela liberdade indisciplinada. Como se vê 
estamos nos antípodas da concepção normal do mundo, que obedece mais aos instintos do 
primitivo, que a um verdadeiro conhecimento e demonstração racional do fenômeno da exata 
conduta humana. 
Eis, em última análise, a liberdade que o ser possui. Ele vai indo, como um 
avião livre no ar. Mas nessa sua liberdade o avião está fechado dentro de uma armação de 
forças que dominam todos o seus movimentos, dentro de um emaranhado de leis que exigem 
obediência completa, sem o que ao primeiro erro, o avião cai e tudo fracassa. Em todas as 
atividades humanas vemos surgir a necessidade duma disciplina, tanto maior quanto elas se 
tornam mais vastas e importantes, isto é: necessidade de retificar a desordem na ordem, o caos 
no estado orgânico, os métodos do AS nos do S. corrigindo a revolta com os princípios da Lei. 
No terreno da ética e das normas de sua conduta, o comportamento do 
homem atual é parecido ao de quem, pelo fato de possuir um automóvel mais poderoso, e ele 
ser mais hábil, isto é, pelo direito só da força e da astúcia, se acreditar autorizado a correr à 
vontade, sem regra, na pista cheia de outros carros, desrespeitoso de toda a disciplina do 
trânsito. Cada um pensa horrorizado nas conseqüências desse método de dirigir. Dizem que a 
perda de vidas nos acidentes rodoviários é maior do que nas guerras. Este porém é o método 
que prevalece na conduta humana. No terreno do trânsito o homem chegou a compreender a 
necessidade de uma disciplina, e que o levou até lá foram os sofrimentos duma conseqüência 
da sua ignorância. Quanto teremos ainda de sofrer as conseqüências dos nossos erros, antes de 
compreendermos que, para não ter de continuar sempre pagando, é indispensável uma igual 
disciplina também no campo da ética que dirige a nossa conduta? Tudo com o progresso passa 
do estado de desordem ao de ordem. Assim a Lei vai sempre mais se revelando e manifestando 
em nosso mundo, transformando-o cada vez mais no estado orgânico que é o do S. 
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Então o que encontramos na realidade é o seguinte: acima de tudo a ordem 
soberana de Deus que tudo regula e à qual nada pude escapar. Contida dentro dessa ordem, e 
fechada dentro das suas paredes invisíveis, está a desordem da revolta que quer estabelecer 
como principio dominante o caos do AS. É verdade que a desordem não é senão um episódio 
dentro da ordem, senão uma sua variante excepcional e transitória, que nunca conseguirá fixar-
se em forma definitiva, porque não pude existir senão como vir-a-ser ou transformismo 
dirigido para a ordem da lei que é o seu ponto de chegada. Tudo isto é verdade, e nem por isso 
impede que a desordem constitua uma vontade contrária no seio da ordem e possa, no estado 
representado pelo nosso universo atual, nascer um choque entre as duas vontades opostas. 
Eis então como o nosso mundo se tornou um terreno de luta entre dois 
impulsos opostos, o da vontade da criatura e o da vontade do criador. Dualismo não significa 
apenas cisão em duas partes, mas oposição das duas partes, uma contra a outra porque com a 
revolta a vontade do ser não quis coordenar-se no seio do S em obediência à Lei, mas quis 
erguer-se qual principio autônomo independente. É lógico que, sendo Deus o mais forte, apesar 
da cega tentativa de revolta para substituir-se a Ele, quem por fim terá de dobrar-se vencido, 
em obediência, não será Deus perante a criatura, como esta acreditou ser possível, mas a 
criatura que é a mais fraca perante Deus que é o mais poderoso. A diferença de valor intrínseco 
entre as duas primeiras fontes de origem dos dois impulsos não pode deixar de acompanhá-los 
até à conclusão do seu caminho. 
A revolta não tirou nada à supremacia e poder de Deus. Ele, permanecendo 
dono absoluto de tudo, apenas a permitiu; a revolta foi possível, porque Deus quis deixar o ser 
livre de realizá-la. Do outro lado o ser na rebeldia viu uma prova da sua força, quando foi 
prova somente da sua fraqueza, porque no choque entre as duas vontades, quem vencerá será 
Deus com a Sua Lei e não a criatura que quis violá-la. No fim não será esta que conseguirá 
construir um AS, mas será o S que reabsorverá o AS e toda a revolta. Tudo isto porém não 
pode obstar ao fato de que a revolta se realizou e continua existindo, podendo-se repetir em 
casos menores, que agora iremos observando. 
O ser possui uma amplitude de liberdade que lhe permite afastar-se da linha 
da Lei, isto é, das normas da conduta certa. Eis a maravilha que veremos: qualquer coisa que o 
ser faça, a Lei fica inviolável, e ele, mais cedo ou mais tarde, tem de voltar para a sua ordem. O 
estudo de nossa figura nos mostrará como se desenvolve a luta entre essas duas vontades e 
como a cada impulso o movimento do ser no sentido do afastamento da linha da Lei, 
corresponde um proporcionado impulso e movimento corretor no sentido da aproximação e 
volta a ela. A conseqüência necessária é esta: como não foi possível ao ser chegar à construção 
definitiva do AS, assim também não lhe é possível afastar-se definitivamente da linha da Lei, 
isto é, do caminho que o leva à sua própria salvação. O resultado final é que o rebelde não vai 
conseguir aniquilar-se com a sua loucura. Esta é a vitória de Deus: o bem da criatura 
reintegrada na perfeição e felicidade do S. Nisto está a vantagem: que, dos dois, vença o mais 
poderoso, Deus. Eis a razão que torna saudável e justo aquele impulso da Lei para que tudo 
volte a ela, com uma outra conduta, enquadrada na sua ordem. 
Porque estamos dentro do dualismo, e que por isso tudo está cindido em dois 
termos opostos, a luta é inevitável. Ela é universal e se encontra em todos momentos e lugares, 
porque a estrutura de nosso universo se baseia na oposição e contraste entre positividade e 
negatividade; por ter nascido