Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


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Ora, fazer a vontade do 
Pai quer dizer obedecer à Lei, e obedecer à Lei significa o caminho da salvação. Eis o 
problema que aqui estudamos: o da nossa salvação. 
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IV 
 
NEGATIVIDADE E POSITIVIDADE 
 
O problema que iremos agora focalizar cada vez mais de perto, não é mais o 
da grande queda que já estudamos em outros volumes, e que na figura está expressa pela 
vertical XY; mas é os das quedas menores laterais, que há pouco nos referimos, para 
observarmos as conseqüências desses afastamentos da linha da Lei, da ética, que estabelece 
qual deve ser a conduta correta. Estas quedas menores são o que chamamos de erro ou culpa. 
Podemos agora dar a estas palavras um significado positivo de deslocamento para a desordem, 
longe da devida posição de ordem estabelecida pela Lei: ordem que a universal lei de equilíbrio 
impõe seja reconstituída todas as vezes que for violada. Podemos assim dar um valor exato 
também às palavras expiação e redenção, em função desse processo de reordenação. Revela-se-
nos assim toda a valorização da dor, como meio de recuperação e elemento fundamental na 
lógica do fenômeno da salvação. 
Essa linha da ética representa a espinha dorsal do processo de salvação. Este 
é o percurso dentro do qual está canalizado o caminho da evolução, que o ser tem de percorrer 
para recuperar o que com a queda perdeu. Todas as vezes que o ser se afastar dessa linha de 
retorno dirigido para o S, comete erro e terá de sofrer até ser neutralizado, tudo reconstruindo 
com o seu esforço e sofrimento. Também no processo desses afastamentos laterais, temos uma 
linha verde de descida para a negatividade, representando o afastamento ou trabalho de 
destruição; e temos uma linha vermelha, de volta para a positividade, representando a 
aproximação de retorno ou trabalho de reconstrução. Como a força de atração terrestre 
constrange tudo a ficar em equilíbrio aderente à superfície do solo, e voltar a ele quando se 
afasta, assim a Lei, que representa a divina bondade e vontade de salvação, constrange tudo a 
ficar em equilíbrio aderente à linha da Lei, e a voltar a ela se se afastar. 
Essa é a função da linha da Lei. Ela representa um raio do pensamento e da 
vontade de Deus, que desce no próprio centro do universo dos rebeldes para libertá-los da 
destruição em que de outro modo acabariam. Além da pequena redenção realizada por Cristo 
num dado momento em favor de uma das infinitas humanidades que povoam o universo, existe 
uma redenção muito maior, contínua, realizada por Deus no Seu aspecto imanente, em favor de 
todas as humanidades e de tudo que existe. Essa maior redenção está expressa na figura pela 
linha da Lei, YX, que sustenta o triângulo da mesma cor vermelha e sinal positivo, e o 
respectivo campo de forças que esse triângulo com a sua superfície representa e contém. Ele 
com a sua base no S e a ponta dirigida para baixo, penetra todo o triângulo do AS até o fundo, 
como uma projeção da positividade lançada no campo da negatividade, para salvá-lo com o seu 
impulso reconstrutor do aniquilamento, que seria a conclusão lógica do processo. 
Tudo o que na figura é vermelho representa o princípio de positividade do S, 
a presença de Deus, a salvação. De tudo isto deriva a grande importância de conhecer a Lei, o 
seu conteúdo, a técnica do seu funcionamento, as normas de ética com as quais ela nos dirige; 
porque conhecer tudo isto significa ver o roteiro a seguir, e ter nas mãos o leme para dirigir no 
oceano da evolução, o nosso barco para a salvação. Nós existimos e temos de funcionar dentro 
dessa grande máquina do universo, e não conhecemos a Lei que a dirige. Assim a nossa 
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conduta é a de um cego ignorante que vai sempre cometendo erro, e jamais acaba de pagar as 
conseqüências. Quantas dores se poderiam evitar, se o homem aprendesse a movimentar-se 
com inteligência, dentro dessa máquina, porque ela é dirigida com muita inteligência, a 
inteligência de Deus! É necessário compreender essa máquina, para funcionar de acordo com 
ela, em disciplina, e não na desordem, violando-a a cada passo, batendo com a cabeça de 
encontro às suas sábias resistências. Enquanto não aprendermos a movimentar-nos deste modo, 
teremos que aceitar a dura lição da dor, necessária para aprender. Não se trata de teorias 
longínquas, mas dos mais vivos e próximos problemas de nossa existência. Trata-se de 
conhecer a Lei, o que não constitui só uma grande vantagem, mas também imenso consolo, 
porque ela representa o princípio do Amor de Deus, que tudo reordena, reconstrói e salva. 
Este é o significado da linha da Lei. Ela representa o centro dos fenômenos 
que iremos estudando. Observaremos o percurso da linha, verde da negatividade que o ser 
origina lateralmente, quando se afasta da linha da Lei; e depois a linha vermelha do retorno a 
esta: tudo isto reproduzindo em medida menor o trajeto XY e YX. O processo da queda repete-
se nestas menores tentativas da revolta, dirigidas para a construção de menores anti-sistemas 
laterais, que se constróem e se destroem, se desenvolvem e são reabsorvidos com o mesmo 
método de ida e volta. Obedecendo ao impulso inicial da desobediência, o fenômeno avança ao 
longo da linha verde, até que o impulso se esgote. A reabsorção se realiza ao longo de uma 
paralela correspondente linha vermelha, que representa a correção dos valores negativos e a 
recuperação dos valores positivos. Na figura podemos controlar o fenômeno nos seus 
movimentos, posições e medida. 
Vemos assim que o nosso erro tenta gerar um pequeno AS lateral, fugindo da 
linha da Lei YX, como na primeira queda o ser fugiu da linha WW1 do S. E igualmente esse 
processo tem de ser neutralizado por um equivalente caminho de regresso. O trajeto percorrido 
na ida pela linha verde lateral, tem de ser compensado por uma proporcional linha vermelha de 
regresso. Trata-se de um processo menor, dentro do maior da involução-evolução, regido pelo 
mesmo princípio. Eis por que vemos aqui, novamente, aparecer o modelo dualista da oposição 
de contrários. Por isso este processo se desenvolve em forma de inversão recíproca, de erro e 
sua correção. A linha da desobediência sai da linha da Lei, e volta a ela transformada em linha 
de dor. O movimento que se iniciou com o sinal negativo, volta à fonte com o sinal positivo. O 
ser adoece para voltar à saúde. É o princípio de equilíbrio que aprisiona o fenômeno dentro do 
jogo de reciprocidade. 
Vemos assim repetir-se os motivos fundamentais do universo até aos últimos 
pormenores do particular. Isto é lógico. No Todo existia somente o modelo do S, em que 
existia Deus. Não possuindo a criatura poder de criar, era incapaz de gerar outros modelos; 
sendo efeito e não causa, ela não podia ser causa de efeitos novos. Tudo o que ela podia fazer 
era alterar o que já existia. Se o S era tudo o que havia, o que podia surgir era somente a sua 
negação. Como o S permaneceu o centro de tudo, a negação não pôde seguir outro caminho 
senão o seu endireitamento para o positivo, isto é, reafirmando o que foi negado. Eis por que 
no caso ora observado, aparece primeiro a linha verde e depois a vermelha. Aqui também a 
primeira fase é a da queda, e a segunda é a da salvação. Tudo foi criado de tal modo que, para 
qualquer acontecimento ou negatividade do ser, nada se perde, tudo se resolve e se redime nos 
braços de Deus, sempre centro de tudo. 
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Analisemos de perto como se desenvolve esse processo do erro e sua 
correção. Entramos agora