Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
207 pág.

Pietro Ubaldi Queda e Salvação


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia91 materiais1.847 seguidores
Pré-visualização50 páginas
Ubaldi 
 
 62 
força, que faz mau uso do Seu poder, nos atormentando com punições dolorosas, enquanto a 
causa dos nossos sofrimentos não é Deus nem a Lei Dele, mas a nossa desordem e 
desobediência a Ele e à Sua Lei. Deus não pune. Somos nós que nos punimos a nós mesmos. 
Somente nós que estamos no AS podemos fazer alguma coisa de negativo, que vai contra a 
vida e a nossa felicidade. Representa o maior absurdo acreditar que alguma coisa desse gênero 
possa sair das mãos de Deus, que existe no S, representando o centro de toda a positividade. 
Mas quem está situado no AS não pode conceber tudo o que se encontra perfeitamente lógico 
no S, senão emborcado no absurdo de que está feito o AS. Tal é a lógica do AS, a lógica do 
absurdo. E é lógico também que a lógica do AS não possa sei. senão a lógica do absurdo. 
Eis a ética atual e as suas bases psicológicas. O tipo de ética que aqui explicamos é 
diferente. Nela não há lugar para enganos. Encontramos finalmente uma ética sem 
escapatórias. Ela é sincera, evidente, claramente demonstrada. Nela funciona em toda a hora e 
lugar, automática e infalível, a justiça de um Deus, que não é fruto pequenino da forma mental 
do homem, mas está bem acima de nosso mundo, porque junto de Sua bondade. Deus é tão 
inteligente que não há astúcia humana que O possa enganar. Embora o primeiro desejo do 
homem seja o de aproveitar-se da bondade alheia, porque a julga fraqueza, Deus tudo isto 
previu e arrumou as coisas de maneira tão justa e perfeita, que Ele pode continuar 
infinitamente bom, sem que por isso seja possível aos seres inferiores explorar esta Sua 
bondade. Pelo contrário, como estamos demonstrando neste livro, substancialmente vigora 
uma lá de justiça, soberana e absoluta, pela qual tudo volta à fonte que o gerou e quem faz o 
mal o faz a si mesmo. 
Quem entendeu a lógica e a técnica desse fenômeno sabe uma grande verdade que o 
mundo não conhece, ignorância que lhe custa caro, isto é, que fazer o mal nunca pode levar à 
própria vantagem, mas só ao próprio dano; sabe que querer ser astuto para lograr a Deus, 
significa só querer ser astuto para intrujar a si mesmo. Perante tal sabedoria da Lei as armas 
humanas da forca e da astúcia não têm poder algum. Finalmente a Lei corta as garras à fera e a 
justiça triunfa. Os inferiores podem gerar o inferno só para si. Que Deus se possa enganar é um 
absurdo em que só o involuído na sua ignorância pode acreditar. O que de fato vigora na 
substância é a lei do merecimento. Isto quer dizer o triunfo da sinceridade. bondade e 
honestidade, qualidades hoje tão desvalorizadas em nosso mundo que, seguindo a Lei do mais 
forte, as considera quase imperdoáveis fraquezas de doentes. Este é um Deus em que se pode 
confiar porque dá prova de ser de fato invencível, mais inteligente, cuja Lei não pode ser 
torcida: pode-se acreditar Nele e segui-Lo porque Ele sabe garantir a vida a quem segue a Sua 
Lei, que o inundo julga loucura; pode-se segui-Lo em segurança porque Ele é inviolável justiça 
que tudo retribui segundo o merecimento. 
É interessante observar a técnica dessa luta em que, contra a força e a astúcia do 
homem, vence a sabedoria e a justiça de Deus. O ponto fraco do método do homem é a sua 
posição emborcada de cidadão do AS. Ele é forte e astuto, mas o seu egocentrismo separatista 
o expulsa do terreno do S, que é o do conhecimento, e o deixa isolado na sua ignorância. E no 
fundo dessa sua ignorância ele continua acreditando saber tudo. A revolta, filha do ego-
centrismo, significa orgulho; e o orgulho tira a visão. Mas, apesar de cego, o homem se julga 
bem apto a dirigir-se. Isto o faz um alucinado que acredita nas ilusões do mundo, nas miragens 
criadas pelos seus desejos, pronto a cair em todas as armadilhas de que o seu ambiente terreno 
está cheio. 
É o exagerado crescimento do "eu", é o orgulho deixando-o acreditar que bastam a 
força e a astúcia individual para vencer, sem levar em conta o fator merecimento. Mas só este 
pode constituir os alicerces firmes da construção de nosso destino e posição na vida, porque só 
Queda e Salvação Pietro Ubaldi 
 
 63 
o merecimento representa o verdadeiro valor. Apoiando-se sobre estas bases certas, respeitando 
os princípios de equilíbrio e ordem da Lei, qualquer posição pode resistir, porque é real e não 
arrancada com a força ou fingindo fruto de mentira. 
 Sabemos que esta ética não pode satisfazer os fortes e os astutos do mundo, 
ser compreendida e aceita por eles, Mas somente pelos maduros que a merecem Nada se pode 
ganhar de graça e os que não fizeram o esforço necessário para subir, têm de ficar em sua 
ignorância, com erros e sofrimentos, até ter aprendido toda a lição, Seria fácil demais resolver 
o problema da evolução e salvação só porque alguém nos explicou o método com palavras. Os 
mestres ensinam, mas nós mesmos temos de fazer o trabalho de nosso amadurecimento, temos 
de aprender à nossa custa pagando as conseqüências dos erros para não cometê-los mais. É 
assim que os fortes e os astutos ficam surdos aos conselhos, e, acreditando saber tudo, não 
querem abrir os olhos para ver e, como é justo, ficam imersos no inferno que merecem. 
Acontece então que todos encontram no mesmo ambiente terreno as mesmas oportunidades e 
os mesmos perigos, mas cada um escolhe segundo o seu tipo, assim revelando a sua natureza e 
acolhendo as conseqüências que merece. E lógico que quem entendeu o jogo das ilusões da 
vida não cai mais nelas. É justo que quem tem cobiça seja por ela atraído e caia nos perigos e 
que os que não têm cobiça os evitem, porque isto é o que cada um merece e porque é bom que 
quem não sabe, aprenda. 
Assim quem ainda não subiu tem de subir. Quanto mais o ser se encontra atrasado em 
baixo na escala evolutiva, tanto mais para ele a lei é a forca. Mas quanto mais ele progride, 
tanto mais esta se transforma em justiça. Assim à lei do "eu" separado e rebelde, se substitui a 
lei do "eu" organizado e disciplinado. A primeira é a dura lei do AS, a segunda é a do S. Tudo 
isto também é lógico e justo, e corresponde ao merecimento. Para quem com o seu esforço 
subiu, acima de todas as prepotências humanas funciona uma lei de justiça, que ninguém pode 
torcer ou enganar. Se o passado e o presente pertencem ao mal, por lei de evolução o futuro 
pertence ao bem, que não pode deixar de ser o vencedor final. Das profundidades da vida 
responde uma voz que satisfaz a procura desesperada dos honestos em busca de justiça. Esta 
voz nos diz que há para todos uma lei de justiça à qual ninguém pode escapar, torcendo-a ou 
enganando-a. 
 	 	 	
 
 
Eis o conteúdo deste novo tipo de ética. Finalmente ao trabalho milenário do homem 
para torcer e adaptar as verdades eternas aos seus instintos inferiores e para enganar a Deus 
escapando às suas leis, é possível hoje contrapor uma concepção diferente da vida. em que o 
jogo contra a Lei é um absurdo anti-utilitário, perigoso e contraproducente. Finalmente um 
lugar onde há justiça, onde é possível ser sincero e honesto sem ter de pagar caro por isso. 
Finalmente alguém em que se pode confiar e colaborar com amizade, um amigo que ajuda e 
não um todo-poderoso que vive só para si, contra o qual teríamos que nos defender. Finalmente 
um Deus inteligente, não apegado à forma, mas que compreende a substância, que vive ao 
nosso lado, luta e sofre conosco, que com justiça imparcial é vencedor absoluto dos maus onde 
quer que eles estejam, sem favorecer grupo algum para condenar todos os demais. Caem assim 
as barreiras interesseiras humanas: cada um é julgado não pela sua posição terrena, mas 
segundo o que ele é e merece, e os maus ficam maus e pagam, e os bons ficam bons e recebem, 
qualquer que seja a sua nação, grupo, partido ou religião. 
Deus não é chefe desta ou daquela hierarquia