Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
207 pág.

Pietro Ubaldi Queda e Salvação


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia91 materiais1.836 seguidores
Pré-visualização50 páginas
religiosa. por ela monopolizado, armado 
contra os deuses de todas as outras religiões. Ele é universal, abraça todos, sem preferências e 
Queda e Salvação Pietro Ubaldi 
 
 64 
exclusividades; usa a Sua Lei e medida igual para todos. e não uma para um grupo e outro para 
os demais. Sua justiça está acima de todas as injustiças humanas. é universal e não particular; é 
amiga de todos os justos e não somente dos seguidores de um dado grupo. considerados bons, e 
inimiga dos seguidores de outros grupos. somente por isso considerados maus. Acabe-se com 
essa psicologia animal de vencedor e vencido, pela qual tudo o que o primeiro faz está certo, e 
o que o derrotado faz está errado! 
Encontramos nessa ética uma verdade firme, positiva. acima da luta, dos poderes e 
dos enganados do mundo. Ninguém lhe escapa. Não adianta possuir comando de grande chefe, 
recursos econômicos, força bélica ou política, nem ser massa de povo que, representando à 
maioria, faz o que quer. Não há como fugir. As nações têm de pagar como os indivíduos. 
Ninguém pode fazer o mal impunemente. A Lei é um torno de ferro que nos prende a todos, 
nos aperta dentro do canal das conseqüências das nossas ações, ao longo da linha dos efeitos 
que têm de amadurecer, sem distância de espaço ou de tempo que os possa parar. Cada um tem 
de colher o fruto do que semeou. Têm de pagar os grandes os pequenos os homens de todos os 
partidos ou religiões. É a derrota dos finórios do mundo, contra os quais se levanta a lei do me-
recimento. O mundo quer outras verdades, em função dos seus interesses. Mas aqui 
encontramos uma verdade mais profunda que ninguém pode abalar. 
Eis a ética por nós sustentada. Ela representa uma revolta à revolta, uma reação contra 
o AS, para voltar ao S. Isto significa trabalho de retificação para chegar à salvação. 
Procuramos aplicar à ética o método positivo da lógica, para convencer os que sabem pensar, 
oferecendo um produto de razão iluminada e não dos instintos do subconsciente. 
 
 
Estamos percorrendo o caminho da reconstrução. Com a revolta, o "eu" da criatura 
(menor), que no S existia em função de l)eus (maior), quis realizar o absurdo que Deus (maior) 
existisse em função do "eu" da criatura (menor) . Esse absurdo, isto é, que o maior possa existir 
em função do menor, constitui o ponto fraco do AS, o que nos garante a vitória final do S. Esse 
contraste, que lemos agora observado entre dois tipos de ética, expressa em nosso pequeno 
mundo a cisão e a contraposição dualista entre S e AS. Também o AS tem a sua ética, que é a 
do mundo. E nós sustentamos, em contraposição a ela, a ética do S. Ora, se a vitória do S está 
garantida, o mesmo acontece com a ética. Isso significa que ela está destinada a vencer a do 
mundo, que com o tempo terá de ficar abandonada nos níveis inferiores da evolução. 
Essa nova ética não é novo invento, porque, na substância, não é senão a do 
Evangelho. É, porém, um Evangelho racionalmente demonstrado, compreendido na sua lógica 
férrea e profunda, e sobretudo tomado a sério para ser vivido e não somente pregado. E é 
lógico que o Evangelho se encontra na linha que vai para o S. Esta ética não pode então deixar 
de repeti-lo. Ele, porém, aqui adquire outro sentido e importância. Ele se universaliza, sai dos 
limites de uma religião e se torna lei biológica, psicológica social, entrando no terreno positivo 
da ciência, que não poderá mais como até agora, afastar o problema como o seu agnosticismo. 
Assim entendida, a doutrina de Cristo não é somente produto histórico, fruto de uma casta 
sacerdotal, bastando pertencer a outra religião ou ser ateu para não ter mais valor; ela é fruto 
vivo da vida em evolução, fenômeno sempre presente e atual. O Evangelho expressa uma lei 
biológica que terá fatalmente que se realizar no futuro. Trata-se de princípios universais, em 
que neles, acima de tudo, o homem pode acreditar, pensar e realizar-se. São princípios que 
permanecem independentes de sua aceitação e que ninguém pode alterar ou destruir. 
Trata-se de uma ética universal, hoje vigorante na Terra, como caso particular no 
tempo e no espaço. Nem ela é concebida como fenômeno estático, mas em evolução, como é 
Queda e Salvação Pietro Ubaldi 
 
 65 
tudo o que existe no relativo. A ética do mundo é então relativa e progressiva e, no seu estado 
atual, representa apenas um nível de vida ou degrau da escada de subida que do AS vai para o 
S. 
Assim se deslocam as nossas concepções comuns da ética. 'Ela se torna um momento 
do fenômeno do transformismo universal. É assim que, como já mencionamos, cada plano de 
vida tem a sua ética diferente. As feras têm a sua ética que não é a do homem. Este tem a sua 
ética que não é a do super-homem. Dessa forma, desde os mais baixos níveis que se abismam 
no AS até aos mais altos que S levantam para o S, a ética, concebida no sentido mais vasto, de 
ordem e regra que dirige a vida do ser, se vai transformando, assumindo qualidades diferentes 
conforme a sua posição mais atrasada ou adiantada ao longo do caminho da subida, ou regresso 
do universo decaído para Deus. Eis então que a vemos tornar-se tanto mais determinística e 
compulsória quanto mais o ser que ela rege se encontra em baixo, perto do AS; e tanto mais 
livre e convicta, quanto mais o ser que ela rege se encontra no alto,
 
perto do S. Fenômeno que 
tem a sua lógica e razão profunda. 
Não foi Deus quem tirou a liberdade do ser, quando este involuiu pela revolta. mas foi 
o próprio impulso do ser que tudo emborcou; por ter iniciado um caminho às avessas, não pôde 
deixar de tudo emborcar, inclusive a sua liberdade na escravidão do determinismo, que é o seu 
oposto - A vontade do ser rebelde era de destruir a Lei para se lhe substituir - Mas ela estava 
acima de toda tentativa de destruição - Aconteceu então que o ser conseguiu só emborcar a sua 
posição dentro da Lei e relativamente a sua liberdade. Todavia a Lei ficou de pé, mas para o 
ser não se conservou jia forma livre do S, e sim na forma compulsória do AS. Tanto mais o 
fenômeno ocorreu, quanto mais o ser se aprofundou no AS. Eis a lógica e a razão desse 
fenômeno. 
Tornou-se assim constrangimento á força o que antes era livre aceitação. O ser pôde 
transformar a ordem em caos no AS, mas além deste a ordem ficou íntegra para lhe impor o 
regresso do caos à ordem, deterministicamente, impondo ao rebelde louco a sua salvação. Não 
se pode admitir o absurdo de um Deus vencido pela Sua criatura, a parte ser mais poderosa do 
que o todo, uma revolução que pudesse sobrepor-se ti Lei e destruir a obra de Deus - 
Esse fenômeno se explica também como o lato de que com a queda e involução a 
linha da livre expansão do ser se foi sempre mais curvando sobre si mesma, o seu dinamismo 
se foi contraindo numa cinética sempre mais apertada em si mesma, até atingir a forma de 
movimento fechado nas trajetórias do átomo - Os seus elementos não podem sair delas, 
escravos completos das leis da matéria. Esta é a sua ética, obediência forçada no AS, nos 
antípodas da obediência livre dos espíritos no S. Os cristais têm de orientar as suas moléculas e 
moldar as suas formas conforme modelos exatamente pré-estabelecidos. Esta é a sua ética. No 
mundo inferior da matéria não se concebe desobediência. Ninguém pode desobedecer à Lei, 
isto é, a Deus. A obediência se realiza sempre: no AS como no S, mas no AS às avessas, sem 
liberdade. Assim o resultado automático da revolta foi para o ser ficar aprisionado no 
determinismo. No homem, que está subindo ao longo do caminho da evolução, há liberdade, 
mas limitada e logo que cometer erros, serão sempre corrigidos à força pela dor. Permanece a 
regra geral: perde-se toda a vantagem,