Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


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logo que se fizer mau uso dela. Quem quer emborcar, 
acaba emborcando. A violação da Lei gera dor. 
 
Tudo se vai transformando com a evolução. Quanto mais o ser sobe na escala 
evolutiva, tanto mais o determinismo se abranda e suaviza, tende a desaparecer, reabsorvido na 
liberdade que sempre mais se amplia, se expande e prevalece, à medida que o ser se avizinha 
do seu estado de origem. A planta se liberta mais do que o mineral, o animal mais do que a 
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planta, o homem mais do que o animal. independência e amplitude de movimento cada vez 
maior, da água dos mares à superfície da Terra, á atmosfera com o vôo, e agora no mundo 
planetário. O homem possui uma vastidão de escolha que os animais regidos pelo instinto não 
conhecem, mas isto só na sua parte mais adiantada, a espiritual, enquanto nele sobrevivem os 
determinismos, que ele tem de aceitar, dos mundos inferiores (estrutura atômica e molecular na 
parte mineral, o metabolismo no nível vegetal, os instintos no nível animal). A grande 
liberdade começa a aparecer só em cima no espírito, gradativamente, em proporção ao 
desenvolvimento deste, tanto mais quanto mais o ser se aproxima do S. Como a nossa ética e 
mais adiantada que a das feras, assim a do homem de amanhã será mais adiantada que a do 
homem de hoje, que as gerações futuras julgarão selvagem, como nós julgamos os nossos 
antepassados das épocas primárias . Quanto mais o ser sobe, tanto mais ele se torna consciente 
e com isso cada vez menos coupulsoriamente e mais livremente obediente à Lei. Assim se vai 
transformando essa ética universal do seu ponto mais baixo no AS, até ao seu ponto mais alto 
no S. Não é estranha essa maneira de conceber a ética, porque tudo o que existe está fundido 
em Deus numa só Lei unitária. 
Chegamos assim ao conceito duma ética cósmica, em que se revela a presença 
universal da Lei de Deus, ética que nos seus níveis diferentes sustenta, em todos os seus 
andares, o edifício do ser, regulando a existência e dirigindo a evolução para reorganizar o caos 
na ordem. Ela representa a assistência contínua de Deus, no Seu aspecto imanente, ao lado e 
em favor do ser para que ele siga o caminho fatal de sua salvação. Ética viva, inteligente, 
sempre em ação. Ela dirige o contínuo transformismo do relativo, operando pouco a pouco, 
tudo disciplinando, para reconduzir o caos ao estado orgânico do S. Neste tudo estava a devida 
ordem. Se a revolta tudo deslocou na desordem, é por esse caminho que tudo vai voltando 
àquela ordem. Os egocentrismos separados, filhos da revelia, têm de fundir-se para colaborar 
em unidades coletivas sempre maiores até reconstruir a organicidade do Todo, voltando ao S. 
Ética estupenda que desce do infinito e do absoluto. Ela expressa a suprema vontade 
de ordem contida na Lei de Deus. Ética global, presente em todos os níveis da evolução, em 
formas diferentes, cada uma adaptada à posição de cada ser. Temos assim diversas formas de 
manifestação da ética: atômica, molecular, celular, dos grupos celulares reunidos em tecidos, 
de cada órgão, para cada organismo no seu conjunto, do sistema nervoso e cerebral, dos sen-
tidos, psíquica, espiritual, reguladora da ordem de uma determinada unidade. Assim todo os 
seres, caminhando na grande marcha da evolução, são orientados para um objetivo único, e 
embora adaptando-se às exigências de cada caso particular do relativo. a Lei, dirigindo-os 
todos por um mesmo princípio, os leva para a unidade. 
Agora na Terra está nascendo a nova ética social, internacional, mundial, que terá de 
reger em unidade o novo organismo coletivo da humanidade. Se a ética do homem primitivo 
do passado teve de basear-se no princípio da seleção do mais forte, que 1eva à agressividade e 
à luta, e se ao ter usado essa ética o homem atual deve o fato de ser o vencedor, dono do 
planeta, eis que hoje os objetivos que a vida tem de atingir são diferentes e por isso tem de 
mudar- a ética que dirige a conduta do homem. Assim apareceu a civilização com as suas leis 
civis e religiosas, e com isso uma nova ética, pela qual furtar e matar, que no mundo selvagem 
eram virtudes do mais forte, são pelo menos em alguns casos oficialmente reconhecidos como 
culpa e crime. Isto porque a humanidade começou a encaminhar-se para o estado coletivo 
social orgânico o da convivência pacífica na colaboração. A humanidade, sem dúvida, está 
atingindo um novo plano de existência, com a mudança das regras que a dirigem: ética 
diferente, porque tem de atingir finalidades mais adiantadas, sendo necessário conquistar outras 
qualidades com outras normas de conduta. Eis por que o Evangelho que as representa não tem, 
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como há pouco dizíamos, somente um significado religioso, mas também social e biológico. 
Está sendo construída hoje a nova unidade coletiva constituída pelo estado orgânico da 
sociedade humana, fato que requer uma nova ordem e uma nova disciplina de cada indivíduo 
em função do interesse comum: conceitos antes desconhecidos e contraproducentes, hoje úteis 
e que por isso se valorizam, virtudes novas, mas adiantadas e inteligentes, que tomam o lugar 
das velhas, da força individual, desorganizada e destruidora, velhas virtudes superadas, 
socialmente negativas e criminosas, inadmissíveis nas novas condições de vida 
Ética diferente, em função de outras finalidades a atingir, porque a vida nunca pára no 
seu trabalho de construção e agora quer levantar um outro andar do seu edifício e levar o 
homem para um mais alto plano de existência regido por leis diferentes, que têm de sobrepor-
se ao passado, até apagá-lo. Assim o método da luta entre egoísmos separados se tornará cada 
vez mais antivital e por isso condenado e repelido como desordem perigosa dentro da harmonia 
da nova ordem, dentro da qual é vantagem e interesse de todos ficar unidos em colaboração. A 
evolução progride pelo caminho da organização em unidades coletivas, cada vez mais vastas e 
complexas, dos seus elementos. O ponto final desse caminho é o estado orgânico completo do 
S, que abrange em unidade fundida em Deus todos os seres do universo O período da descida 
foi uma queda no separatismo, ou pulverização da unidade do S, num caos desordenado de 
elementos, no AS. O atual período de subida é representado por um inverso processo de 
reunião e fusão dos elementos separados, no originário estado orgânico do S. A humanidade 
não pôde deixar o caminho da evolução universal e agora tem de galgar um novo degrau em 
sua escada ascensional. 
Eis a razão positiva pela qual chegou a hora do Evangelho, razão também científica, 
porque ele representa a lei biológica no novo nível evolutivo que o homem agora tem de 
atingir. O Evangelho é exatamente a lei do "ama o teu próximo", isto é, da convivência 
pacífica, da colaboração, do altruísmo que funde os egocentrismos rivais até agora em luta. O 
biótipo, modelo da raça, julgado o melhor, será quem tiver perdido as qualidades desagregantes 
do involuído egoísta de hoje, as virtudes da fera, substituindo-as pelas do homem civilizado. 
E para explicar esse fenômeno e orientar o homem neste sentido, obedecendo às leis 
da vida, que aqui estamos falando no momento histórico e~ que a evolução está amadurecendo 
os novos destinos da humanidade. Tudo está pronto para se realizar, e se realizará esse novo 
destino, logo que a inteligência humana se desenvolver bastante para chegar a compreender. 
 
 
 
 
 
Uma das características da ética deveria ser preventiva e não repressiva. É inútil 
chegar depois que o mal foi feito. Uma ética eficiente previne e evita o mal, impede que ele se 
realize, mais do que reprimi-lo