Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


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independente da 
orientação e posição étnica, política, filosófica ou religiosa do sujeito. Ética verdadeira porque 
imparcial e positiva, não mais empírica concebida em função do homem, moral biológica, 
concebida cm função das leis da vida, da evolução e do funcionamento orgânico do universo. 
Ética à qual não se pode fugir, só pelo fato de ser descrente, cético ou ateu materialista. Não 
adianta negar, rebelar-se, pensar e agir com outra psicologia. A Lei continua funcionando igual 
para todos. Ela vence os vencedores do mundo, porque é mais poderosa e inteligente do que a 
força e a astúcia deles. Ela sabe se fazer compreender por todos, também pelo tipo involuído e 
ignorante, porque fala a linguagem da dor, linguagem que todo homem compreende, qualquer 
que seja a sua raça, nível social, crença ou forma mental. A cada erro segue automaticamente a 
dor corretora, pela qual cada um tem de se corrigir à sua custa. Trata-se de uma lei que está 
dentro da substância das coisas, sempre funcionando, que ninguém pode agredir e destruir, 
inatacável porque invisível, indestrutível porque inatingível. Ela constitui a essência do ser e 
este não a pode aniquilar, sem com isso ter de se aniquilar a si mesmo. 
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Trata-se de uma ética racional, que não se baseia no princípio de autoridade, mas na 
lógica e na demonstração das razões pelas quais é nossa vantagem obedecer. Sem mistérios são 
oferecidas as provas do motivo por que se afirma, porque temos de operar duma forma e não 
de outra, se explicam e justificam as conseqüências necessárias e inevitáveis de cada ato nosso. 
Assim ela é também uma ética utilitária, porque impõe virtudes que levam ao bem e à 
felicidade de quem as pratica, deste modo não oprimindo. mas reconhecendo o direito à vida e 
à expansão. 
Ela é uma ética objetiva, impessoal, que está acima dos instintos e forma mental da qual 
depende a ética comum, ética da própria vida e não só em função do homem e do momento 
histórico; não ética subjetiva, pessoal, relativa ao tempo e a quem a definiu para o seu uso, 
seguindo os seus gostos, os não controlados irracionais impulsos do subconsciente, seja do 
legislador, seja da massas, que para si estabelecem verdades pelo direito da maioria. 
Chegamos assim, como já foi anunciado em A Grande Síntese (caps. LXXV e 
LXXXVI), a uma ética cientificamente concebida em forma exata, não só racionalmente 
demonstrada e positivamente acertada e controlada, baseada na lógica dos fatos, mas 
geometricamente representável e matematicamente calculável, porque suscetível de expressão 
gráfica dos fenômenos da ética em forma de linhas e de campos de forças. Isto nos permite, 
como já mencionamos (no fim da Introdução) medir o valor quantitativo e qualitativo dos 
diferentes impulsos do ser, e das correspondentes reações da Lei, como também a extensão das 
superfícies dos campos de forças cobertos. ou volume do dinamismo conquistado pela po-
sitividade ou negatividade na luta entre S e AS no caminho evolutivo ou involutivo. A ética, 
assim, pode ser estudada como um momento vivo do grande fenômeno do dualismo universal, 
como um dinamismo de contínuos choques, isto é, ações e reações entre os dois termos opostos 
( + e - ) do Todo, isto é: a Lei e o ser rebelde, o S e o AS. Ética sólida, como um teorema de 
geometria. A novidade está no fato de se mostrar a possibilidade de se aplicar os métodos 
científicos exatos à ética de estudar e definir os movimentos dos seus impulsos, com a 
aplicação dos processos da matemática no cálculo dos seus valores. 
Esta é a ética que aqui oferecemos. a moral da qual o homem moderno precisa 
(proporcionada ao seu atual merecimento); ética séria, a única que os inteligentes, pela sua 
forma mental crítica e positiva, podem aceitar; moral prática, razoável, honesta, utilitária, que 
calcula com justiça e por isso convence, que dá o que promete e de tudo explica o porquê, a 
razão pela qual nos convém obedecer, e o bem que temos o direito de receber em troca do sa-
crifício que ela nos pede. Ética evidente, onde tudo está claro, porque cada um pode calcular o 
efeito dos seus pensamentos e atos. Ética justa, que nos devolve o que lhe apresentamos, 
conforme o que merecemos, premiando os justos e golpeando os injustos com a dor e a 
desilusão. Elas se explicam como conseqüência lógica e automática do caminho errado, para a 
negatividade, que o ser toma quando desobedece à Lei. Tudo isto é implícito e fatal, pela 
própria estrutura de todo o fenômeno do universo. 
O que oferecemos neste livro é somente um esquema dessa nova ética, apresentada nos 
seus elementos básicos, quanto basta para uma orientação geral que permita depois o assunto 
ser desenvolvido e os princípios gerais serem aprofundados nos seus pormenores, 
submetidos a cálculo matemático e à medição exata dos valores e das suas transformações. 
 
 
 
 
 
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VI 
 
 O ERRO E RUA CORREÇÃO 
 
 
 
Entraremos nestes capítulos cada vez mais no terreno específico da ética, para 
estabelecer as suas bases positivas. Tivemos de nos afastar do assunto central da figura, 
demorando em problemas colaterais e exemplos demonstrativos, porque este era trabalho útil 
para esclarecer e compreender melhor o tema fundamental. 
Uma vez estabelecido o jogo da ação do ser contra a Lei, e da reação da Lei contra o 
ser, isto é, do erro e da dor, o problema da ética aparece por si mesmo, como norma de conduta 
indispensável para evitar esse choque, filho da revolta, conduzindo tudo para a ordem da Lei. 
Esta é a gênese, o ponto de partida e a finalidade da ética. 
Antes de penetrarmos ainda mais no estudo da técnica do fenômeno do erro e sua 
correção pela dor, será útil resumir brevemente o assunto, esclarecendo melhor o significado 
destes conceitos e definindo o valor destes dois impulsos opostos que entram em choque. O 
problema, assim observado de novos pontos de vista, nos poderá aparecer sob novos aspectos. 
Voltamos às vezes ao mesmo assunto, embora isto possa parecer repetição, quer porque não 
podemos evitar que em última análise o assunto seja 'sempre substancialmente um só \u2013 o do 
nosso universo, seja porque nunca há verdadeira repetição pelo fato de que não se pode deixar de 
dizer á mesma coisa de modo diferente, que a explica melhor, nem se pode deixar de acrescentar 
alguma observação que ilumina o assunto com uma nova luz, que no-lo esclarece sempre mais 
em todos os seus aspectos. 
Um dos efeitos da revolta foi a queda do estado orgânico do S no estado de separatismo 
do AS. A unidade se pulverizou em muitas unidades menores. Nasceram assim os \u201ceus\u201d não mais 
fundidos em unidade orgânica, mas separados uns dos outros, em posição de antagonismo, como 
os encontramos nas diferentes individuações de nosso universo, entre as quais a personalidade 
humana. Nestes níveis inferiores, próximos do AS, vigora o princípio do egocentrismo e do 
separatismo, que o encontramos em nosso mundo, Esta é a razão pela qual este é regido pela lei 
da luta. É por isso que o homem, por sua natureza, é espontaneamente levado a agredir tudo para 
subjugar, para que vença somente o seu "eu". 
Que acontece então quando o homem se encontra perante, a Lei? Ele, pelo seu método, 
entra em choque com tudo, porque não quer colaborar, mas só subjugar e dominar, Enquanto ele 
fica imerso no seu nível, este método pode ser útil para superar os seres do seu mundo. Mas 
quando, com este sistema de agressividade pelo triunfo apenas do seu \u201ceu\u201d, o homem enfrenta a 
Lei, a viola rebelando-se, então ele, com a sua conduta excita uma automática reação