Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


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contra o ser que quereria subjugá-las em favor do seu \u201ceu\u201d, é o que chamamos a 
reação da Lei. Esta é como a corrente dum rio, que representa um impulso para que tudo avance 
na sua direção. Como tudo o que existe, nós estamos nesse rio \u2013 a Lei. 
O resultado de tudo isto é que, se o ser seguir os impulsos da Lei acompanhando o seu 
caminho, esta o envolve em sua corrente e com isso o ajuda. Mas se, pelo contrário, o ser quer 
seguir somente os seus impulsos, com outra vontade para outro caminho, eis que a Lei com a sua 
corrente contrária resiste, não o ajuda, mas o arrasta e persegue, porque a vontade dela é que tudo 
avance para os seus objetivos. Muitas vezes o sucesso é devido ao peso de uma série de 
circunstâncias que em concordância obedecem a uma vontade que nos favorece, sem que ela seja 
a nossa. Isto nos escapa no que chamamos de imponderável. Mas o imponderável é a Lei, e a sua 
vontade é a sua corrente, que nos ajuda quando seguimo-la. No caso oposto muitas vezes o 
fracasso é devido ao peso de uma série de circunstâncias que, de acordo umas com as outras, 
obedecem a uma vontade que está contra nós, até vencer a nossa e todos os nossos esforços. Eis 
aí o outro imponderável tremendo, que se manifesta como um fardo, dirigido pelas mãos de Deus. 
Esse imponderável é sempre a Lei, essa vontade inimiga é a sua corrente, que contra nós se 
rebela, e recebemos de volta o que semeamos. É essa nossa revolta que automaticamente nos 
condena ao fracasso. Então o imponderável, isto é, a Lei, ao invés de nos salvar, nos arruina. 
Explicam-se assim muitos fracassos de indivíduos, como de acontecimentos históricos, de outro 
modo inexplicáveis. 
Tudo isto se refere ao nosso tema atual, o do fenômeno erro-dor. A tentativa do ser de 
procurar a sua utilidade contra a corrente da Lei se chama: erro. O impulso da Lei para reconduzir 
o ser dentro da corrente e com esta levá-lo para a sua salvação, contra a sua vontade que quer o 
contrário, produz o atrito que se chama: dor, (o peso do imponderável). A causa é a ação do ser. 
A reação da Lei é o efeito. É lógico que o tamanho do efeito seja proporcionado ao da causa, isto 
é, que a medida da dor seja estabelecida pelo homem com o seu erro. É lógico que, quanto maior 
for o erro, isto é, o impulso do ser contra a corrente da Lei, tanto maior será a sua resistência e se 
manifestará o impulso contrário para arrastar o ser em sua direção. Esta imagem da corrente e, 
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dentro dela, a vontade, contrária do ser, nos oferece uma idéia bastante clara do que significa a 
reação da Lei. 
De tudo isto se segue que, quanto mais formos a favor da corrente da Lei, tanto mais 
fácil será o nosso caminho, aquela corrente nos ajudará e por isso sairemos fortes; e ao contrário, 
quanto mais nos rebelarmos à corrente da Lei com as nossas tentativas de desvio, tanto mais 
difícil será o nosso caminho, porque na corrente contrária encontraremos, não ajuda, mas 
resistência, o que nos levará não para o sucesso, mas ao fracasso. Quanto maior for o nosso erro, 
tanto mais seremos vulneráveis e fracos, e tanto maior será a reação da Lei contra nós e por isso 
padeceremos o contraste de nossa amargura. A desordem gerada pela vontade do ser é 
proporcional ao impulso corretor da Lei, para reconduzi-lo à ordem. A esta ele terá de voltar, 
porque quanto mais se afastar da Lei, maior será o seu esforço para vencer a corrente contrária, 
com isso gerando atrito e sofrimento. Assim, par um automático jogo d forças, o ser ficando livre, 
não pode deixar de voltar à corrente da Lei, renegando e reabsorvendo o seu próprio impulso de 
rebelde, porque é este impulso o que gera a sua dor, que não acabará de atormentá-lo até que ele 
tenha tudo pago e voltado à ordem em obediência à Lei. 
A conclusão é que, pela própria lógica de todo o processo, a dor é destino dos rebeldes, 
enquanto e a própria Lei que com a sua corrente leva os que a seguem para o sucesso final. Então 
o segredo do sucesso está em conhecer a Lei e em lhe obedecer. Mas como pode fazer isso o 
homem que, por ser ignorante, não conhece a Lei, e por ser filho da revolta, é levado à 
desobediência? Este mundo para ele é um mundo de forças desconhecidas, que ele chama de 
imponderável, como se fosse alguma coisa de irreal, que lhe escapasse, fora da vida, enquanto é o 
imponderável a causa primeira do que depois, na sua fase de efeito, se torna bem ponderável. Eis 
como o mundo vai amontoando erros em cima de erros, e tudo tende para o fracasso. É assim 
que, tudo funcionando contra a corrente da Lei, às avessas, não se pode recolher a não ser 
desilusões e sofrimentos. 
Trata-se de forças sutis, contra as quais a prepotência do homem não tem poder algum. 
Elas trabalham no íntimo das coisas, de dentro para fora e não de fora para dentro, como acontece 
no mundo. Elas agem lentas e constantes, despercebidas na superfície, escapando aos nossos 
sentidos, tudo construindo e aumentando em nosso favor, da profundeza para cima, coma nossas 
amigas, porque navegamos obedientes à corrente da Lei; ou tudo roendo e consumindo em nossa 
perda, elas operam como nossas inimigas, porque navegamos rebeldes, contra a corrente da Lei. 
Os nossos olhos não percebem o movimento do sol. Mas vemos que ao por-se, ele deu a 
volta a todo o céu. Assim em nossa vida os acontecimentos amadurecem por pequenos 
deslocamentos imperceptíveis que, quando movidos por um impulso constante numa dada direção 
acabam traduzindo os efeitos gigantescos de uma avalanche. A vida se constrói com a soma de 
instantes com que se fazem minutos, com que se fazem horas, com horas dias, com dias meses e 
anos, com anos vidas inteiras, séculos e milênios etc. No tempo vigora o mesmo princípio das 
unidades coletivas que vigora no espaço, princípio pelo qual partículas elementares se juntam para 
construir o átomo, átomos para formar a molécula, moléculas para formar células, e depois 
órgãos, organismos, famílias de seres, cidades, nações, humanidades; da mesma forma que as 
moléculas da matéria constróem jazidas geológicas, planetas, sistemas solares, galáxias e sistemas 
galácticos etc. Assim em todos os campos cada elemento menor, associando-se com outros iguais, 
constrói uma unidade coletiva maior, que por sua vez, jungindo-se a outras iguais, forma outra 
unidade coletiva ainda maior, e assim por diante. 
Assim cada unidade resulta constituída pela junção de tantas menores partículas 
elementares; e, seja no espaço como no tempo, se organiza conforme o mesmo modelo de 
agrupamento de elementos por ritmo de ciclos, em que a confederação as unidades menores 
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edifica a unidade maior. É, deste modo que como no espaço se organizam os planetas, os sistemas 
planetários, solares e galácticos, e no terreno da vida os grupos humanos, até a humanidades e 
sistemas de humanidades, assim o desenvolvimento dos nossos destinos se realiza pelos 
deslocamentos mínimos de cada minuto, que juntando-se produzem deslocamentos de horas, dias, 
anos, séculos, sempre maiores, tudo ordenadamente segundo um ritmo de ciclos menores 
incluídos em ciclos maiores, estes em outros ainda maiores, até se cumprir o destino maior do ser, 
que é o da queda e salvação. 
Criados pela corrente da Lei, cada deslocamento mínimo vai se somando ate 
produzir um deslocamento maior que, somando-se a outros maiores, gera outro ainda maior etc. 
Transcorre assim uma quantidade de ciclos miúdos, que constituem os maiores e que, pela sua 
pequenez, passam despercebidos. Mas não há instante de nossa vida em que um destes 
deslocamentos não se realize. amadurecendo alguma coisa. Assim por sucessivos movimentos 
imperceptíveis,