Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


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do nascimento chegamos à velhice e a morte. Mas no momento nada vemos, tudo 
parece ser imóvel, como o sol no céu. Porém no fim vemos que tudo mudou, o mundo se 
transformou, muitos desapareceram e não conhecemos a nova geração, porque nós mesmos nos 
tornamos diferentes. Uma mudança profunda se realizou, amontoando tantas transformações 
pequenas mas constantes, dirigidas no mesmo sentido. 
Os nossos olhos míopes, a nossa forma mental feita para ver as coisas miúdas da 
vida, percebem só as linhas deste desenho menor e lhes escapam as do maior, o desenho geral. 
Ficamos fechados no ritmo pequeno de nossa vida de cada dia. sem nos apercebermos do ciclo 
maior do qual ela faz parte, Conhecemos bem a volta quotidiana do trabalho, refeições, repouso, 
do dia e da noite, mas não sabemos para onde tudo isto avança, Vivemos a realização de 
princípios gerais que nos escapam, efetuamos amadurecimentos que, nos levam para bem longe, 
atravessando transformações profundas, estamos desenvolvendo o nosso destino, e de tudo isto 
não vemos senão uma sucessão de pormenores miúdos e episódios desconexos, cujo desenho 
geral, que constitui a nossa verdadeira vida, nos escapa. Só os evoluídos, que aprenderam a olhar 
nas profundezas, vivem conscientemente em função dos grandes ciclos da vida, onde mais 
evidente se revela a presença desses vastos impulsos da corrente da Lei, os que aqui estamos 
estudando. 
Quanto mais o indivíduo é involuído, tanto mais e apertado o círculo dos seus horizontes, 
é estreita a vista que ele domina e menor é o ciclo de sua vida, que ele conhece e regula. Para 
os momentos sucessivos ficam separados, colocados um após o outro, sem fio condutor que deles 
faça uma unidade maior, que os organize dirigindo-os para um objetivo único, os explique e 
justifique quais elementos de um plano geral que confere outro sentido à vida. É para atingir esse 
outro modo, mais profundo de concebê-la, que aqui vamos estudando o funcionamento da Lei e as 
conseqüências de nossos erros a seu respeito. Se nos acostumarmos a ver os acontecimentos de 
nossa vida não divididos como momentos isolados, cada um separado do outro, mas todos unidos 
ao longo de um fio condutor que os liga num desenvolvimento lógico comum, nos aparecerá em 
uma outra vida a longo prazo, em que se torna visível, além dos pormenores do momento, as 
grandes linhas de nosso destino. Veremos então o que escapa ao homem comum, imerso nas 
particularidades de sua vida: veremos a presença da Lei e o funcionamento do imponderável, 
realizando os princípios que aqui sustentamos. 
 
 
 
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MECANISMO DA CORREÇÃO DO ERRO 
 
Tomemos novamente as nossas pesquisas, continuando o desenvolvimento do tema do 
Cap. I a respeito do esquema gráfico do processo involutivo-evolutivo, e do tema do Cap. 1V a 
respeito dos diversos pontos de referência. Volvamos assim à nossa figura, para observar outros 
aspectos do fenômeno que ela representa. No Cap. 1 observamos o caso geral do ciclo completo 
nos seus dois caminhos de ida e volta. No Cap. IV observamos o fenômeno menor 
que, conforme o mesmo modelo, se repete no caso particular de cada erro do ser. 
É neste ponto, em que se verifica o erro do ser e a sua dor para corrigi-lo. Desponta 
assina a necessária forma orientadora para dirigir. a sua conduta, entrando no terreno específico 
da ética. Observemos o fenômeno representado em sua expressão gráfica, em nossa figura, 
Continuamos dessa forma levando as teorias dos dois livros: Deus e Universo e O Sistema às suas 
práticas conseqüências e aplicações. 
Estudamos na primeira parte do Cap. IV o caso simples de um afastamento horizontal, 
nos seus dois movimentos, de ida e volta. Conhecemos agora o significado das expressões 
gráficas da figura, quais são a linha do erro NN1 e a linha da dor N1N, inversas e 
complementares. A primeira representa a vontade do ser, que quer o emborcamento, dirigida da 
positividade para a negatividade. A segunda representa a vontade de Deus, que quer a retificação, 
dirigida da negatividade para a positividade. Se escolhemos como ponto de referência o ser, a 
primeira linha representa a satisfação do rebelde que realiza a sua vontade de vencer contra Deus; 
e a segunda linha representa o sofrimento do rebelde que tem de renegar a sua vontade de revolta 
para obedecer à vontade de Deus. Se escolhemos como ponto de referência a Lei, a primeira linha 
representa o caminho que, com a violação da Lei, vai para a desordem; e a segunda linha 
representa o caminho que, em obediência à Lei, volta à ordem. Como já dissemos no Cap. IV, o 
fenômeno pode ser observado em função de dois diferentes pontos de referência, seja Deus e a 
Sua Lei, seja o ser rebelde e a sua vontade de revolta: pontos opostos, que representam os dois 
pólos do dualismo universal. 
Procuremos agora compreender como funciona o mecanismo 
da correção do erro pela dor. A coluna central do fenômeno da queda é representada 
pelas duas linhas XY e YX. A primeira representa o desenvolvimento do impulso negativo da 
revolta, devido à vontade do ser, a segunda representa o desenvolvimento do impulso positivo do 
endireitamento, devido à vontade de Deus. O primeiro deslocamento XY quer destruir a 
positividade dirigindo-se para a negatividade; o segundo quer destruir a negatividade 
reconstruindo a positividade. O primeiro movimento vai contra Deus, o segundo contra o ser. 
Por isso o primeiro é erro, o segundo é dor. É erro a revolta para emborcar a vontade de Deus. É 
dor o endireitamento que emborca a vontade do ser. Com a dor este recebe de volta o seu próprio 
impulso de emborcamento, que por fim se volta contra si mesmo. Ele, que com a revolta quis 
torcer a Lei, fica constrangido por ela à obediência. 
O caminho da evolução não é tranqüilo, mas se realiza no choque entre essas duas forças 
contrárias. Ele representa o esforço da reconstrução, que o ser tem de realizar contra a sua 
própria vontade de destruição. O caminho YX da evolução tem de ser percorrido pelo ser, 
constrangido pela dor, contra a sua vontade rebelde, que é de afastamento e não de retorno ao S. 
Eis que chegamos ao ponto chave do problema e podemos compreender porque nasce o 
erro, isto é, a causa primeira do que se chama culpa ou pecado. A posição do ser situado ao 
longo do caminho YX da evolução, representa um contraste entre o impulso da Lei que impele o 
ser para o S, e o impulso do ser que opõe resistência porque, pelo contrário, ele quer dirigir-se 
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para a realização do AS. A vontade da Lei é de levar a ser para o ponto X. A vontade do ser é de 
realizar a plenitude da sua revolta no ponto Y. 
Disto se segue: 1) A linha do erro NN1 é produto da vontade do ser, contra a da Lei. 2) a 
linha da dor N1N é produto da vontade da Lei contra a do ser. 3) Este deslocamento lateral MAN 
é da mesma natureza do deslocamento maior XYX, do qual se apresenta como um caso menor. 4) 
Cada erro ou pecado representa uma tentativa de revolta contra o S para se aproximar do AS, 
movida por uma vontade rebelde à ordem de Deus, é efeito desse impulso de emborcamento se 
constitui uma queda que depois é necessário recuperar com a dor. 5) O deslocamento lateral 
NN1N representa um desabafo da vontade do ser que quer ir contra a da Lei. O afastamento se 
realiza em sentido lateral, porque aqui a vontade do rebelde encontra menor resistência do que se 
retrocedesse direto contra a da Lei em sentido vertical para Y. Neste caso, o ser, para atingir a 
satisfação da sua vontade, segue e caminho de menor resistência. 
Este é o caso mais simples, que estudamos primeiramente. Mas veremos