Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


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repete às avessas, e 
assim vai cada vez mais aumentando a linha percorrida em descida involutiva em desfavor do 
ser. No 2º caso tudo está orientado em sentido positivo construtor, no 3º caso em sentido 
negativo destruidor, Trata-se de dois sistemas de forças opostas : um dirigido para o alto, o 
outro para baixo. No primeiro prevalecem os valores positivos, e é lógico então que o resultado 
final seja positivo: V(+). No segundo prevalecem os valores negativos e é lógico então que o 
resu1tado final seja negativo: D ( \u2013 ). Se no 2º caso, em subida, a linha verde ( \u2013 ) do erro 
resulta corrigida só pela linha vermelha ( + ) da dor, com a vantagem ( + ), porem, de ter 
atingido um ponto mais adiantado no caminho da evolução, no 3º caso, em descida, a linha do 
erro resulta corrigida pela linha vermelha ( + ) da dor, com a desvantagem ( \u2013 ), porém, de ter 
retrocedido para um ponto mais atrasado no caminho da evolução. 
Para voltar ao ponto de partida N, recuperando o perdido, é necessário reconstruir o 
que foi destruído, isto é, com o próprio esforço ter de cumprir de novo o trabalho de percorrer 
em subida o caminho que foi percorrido em descida E por isso que no 3º caso o trabalho 
necessário para chegar ao resgate do erro é muito maior. Enquanto no 2º caso a linha em 
sentido evolutivo representa um abatimento na dívida do ser, o que constitui um crédito em seu 
favor, no 3º caso não somente não existe essa compensação, mas a linha percorrida em sentido 
involutivo representa um acréscimo na dívida do ser, enquanto gerou um novo débito a pagar, 
que vai aumentar o outro expresso pela linha do erro. 
Se olharmos para as posições a) e b) do 3º caso, veremos a mesma tendência a um 
deslocamento de valores sempre maior que, se no 2º caso é em sentido positivo, pelo contrário 
neste 3º caso é em sentido negativo. Em outros termos, quanto no 2º caso a tendência é dirigida 
para um contínuo aumento em favor do ser, no 3º caso ela o é para um contínuo aumento em 
desfavor dele. 
Continuando por este caminho, chega-se, como vimos no 2º caso, à posição limite do 
fenômeno. Nesta posição a linha do erro tanto se inclinou para baixo, que acabou sobrepondo-
se à linha da Lei, mas às avessas, isto é, em sentido emborcado, todo negatividade, não em 
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subida mas em descida. 
Esta é o que podemos chamar a posição c) do 3º caso. 
Se no 2º caso a anulação do afastamento da linha do erro da linha da Lei levou à anulação da 
linha da dor, e no fim ficou só o trabalho positivo realizado em sentido evolutivo, neste 3º caso 
a mesma anulação do referido afastamento leva à anulação da linha da dor em outro sentido. 
Não há outros meios de recuperação que não sejam aqueles de repetir, sozinho, o esforço de 
quem, involuindo, caiu no fundo de um abismo e tem de subir novamente, escalando à sua 
custa as íngremes paredes. Não se trata mais só de uma penitência que neutraliza o pecado. 
Pela sua descida o ser retrocedeu um mais baixo nível de vida, repetindo e confirmando com 
vontade de revolta um trecho do mesmo caminho da primeira grande queda. 
Para o ser abismado nesta posição, ficou anulada até a linha vermelha da dor (+) com 
os seus poderes reconstrutores de positividade. Com isso desaparece a possibilidade do resgate 
pelo caminho do arrependimento e da dor, que representam o meio com que pode corrigir o 
erro quem ficou no mesmo nível de evolução. O ser desta vez se tornou fera, porque involuiu 
num trecho do caminho para o AS e com isso adquiriu mais qualidades deste ao mesmo tempo 
perdendo as do S; perdeu o que tinha conquistado em conhecimento, felicidade, vida, 
liberdade, proporcionalmente decaindo para a ignorância, o sofrimento, a morte, o 
determinismo e o caos do inferno. Este é o justo galardão que recebe, porque merecido, quem 
cumpre o crime da revolta absoluta contra Deus, não por erro mas, como mencionamos, por 
orgulho, por espírito de revolta, com conhecimento e vontade de praticar o mal. Este caso é 
mais raro que o do erro comum, porque requer um impulso muito mais decidido para a 
negatividade, impulso de revolta que tem de ser tanto mais poderoso quanto mais for inclinada 
a linha do erro, até ao caso limite em que ela não é mais lateral, mas só descida vertical, 
involução, posição de revolta absoluta para a vitória do AS, vontade do ser contra a da Lei. 
Não se trata mais do pecado do homem, mas, como dissemos, do de Lúcifer, que não se resolve 
só com o arrependimento percorrendo a linha da dor, mas de novo transformando-se e 
amadurecendo pela profunda e dura fadiga redentora da evolução. 
Neste caso não se trata de uma negatividade acidental, de superfície, fácil de corrigir, 
porque o erro por si só não subverte fundamentalmente a natureza do ser. Mas se trata, pelo 
contrário, de uma negatividade central, profunda, e para endireitar é necessário um 
renovamento igualmente central e profundo no sentido da positividade, pelo fato de que neste 
caso, por causa do regresso, acordam e voltam a desencadear-se as forças obscuras do AS. Este 
é o caso oposto ao dos santos, acima mencionados, que erraram na procura da verdade e do 
bem, para acabar santificando-se. Neste 3º caso em descida se trata, pelo contrário, de seres 
que quiseram fazer o mal, pelo mal, em pleno conhecimento, não por erro, mas por vontade 
decisivamente resolvida a realizar o emborcamento do S no AS. Este não é só pecado 
secundário devido à ignorância e fraqueza do ser, erro que pode gerar somente um afastamento 
lateral, que a penitência da dor pode corrigir; mas é o pecado fundamental, o primeiro e maior, 
devido ao espírito de revolta, o que gerou o processo involutivo da queda e o desmoronamento 
de todo o nosso universo. 
Eis o significado das duas posições limites c) do 2º e 3º caso. A primeira é toda em 
subida, fato que neutraliza o erro e acaba reabsorvendo a linha da dor. A segunda é toda em 
descida, fato que transforma o erro em crime, que não há arrependimento e sacrifício comum 
que possa facilmente apagar. A progressiva inclinação da linha do erro para o alto no 2º caso, 
até à referida posição limite, tende a transformar cada vez mais o erro (-) em trabalho da 
evolução (+); e esta transformação se realiza em cheio na posição limite c) do fenômeno, em 
que triunfa toda a positividade. Ao contrário, a progressiva inclinação da linha do erro para 
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baixo no 3º caso, até à sua posição limite, tende a transformar cada vez mais o erro (-) em 
trabalho de involução (-); e esta transformação se realiza em cheio na posição limite e) do 
fenômeno, em que triunfa toda a negatividade. 
Na primeira destas duas posições limites venceu a Lei e, em obediência, o ser ganhou. 
Na segunda venceu o ser e, com a revolta, ele perdeu. Nestas duas posições limites todo o 
movimento se realiza não de lado, mas dentro da linha da Lei. Adquire por isso, seja no sentido 
da positividade como no da negatividade, sentido resolutivo de progresso que é vida, ou de 
regresso que é morte. Nestes casos o deslocamento não é só afastamento lateral, que deixa o 
ser no mesmo plano de vida, mas é deslocamento de nível biológico para o S, ou para o AS, 
com todas as suas conseqüências. No 3º caso se trata do emborcamento dos valores 
fundamentais do existir, de regresso, de gênese do mal, como no caso da primeira revolta. A 
inclinação da linha do erro para o alto expressa a boa vontade, que é tanto maior quanto maior 
for a inclinação, até ser toda completa, quando as duas linhas coincidem na posição limite A 
inclinação da linha do erro para baixo expressa a má vontade, que é tanto maior quanto maior 
for a inclinação, até se completar quando as