Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


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exemplo e de revolta interior, a sociedade o considera 
curado e o aceita de novo, em seu seio, aquele indivíduo que se tornou pior, porque a pena 
atormenta, não convence, mas gera nova revolta. Isto, do ponto de vista educativo, revela uma 
grande ignorância. Explica-se, porém, enquanto é fruto do passado, quando os segredos da 
psicologia humana eram desconhecidos, e vigorava aquela ética, descontrolado fruto do 
subconsciente instintivo. 
O resultado lógico de tudo isto é que a delinqüência continua como câncer social 
permanente, o que revela a impotência dos métodos atuais para a solução do problema. Quando 
uma doença não se cura, em geral isto se atribui à ignorância do médico. Medicina repressiva - 
Mas a doença é uma fera a domar com a força, é antes um processo lógico que se penetra com 
a inteligência. A substância da penalogia é constituída por uma luta armada entre ações e 
reações da mesma natureza. Não é que defendemos o criminoso. Queremos só reconhecer que, 
enquanto esse método vigorar, nunca poderá acabar a luta entre o biótipo A3 e o A2, e ao 
contrário. Seria necessário antes de tudo educar os educadores. O método da luta não pode 
gerar senão luta, da guerra só pode nascer guerra. Seria necessário acabar com esse método, 
procurando compreender e ajudar, em vez de condenar e reprimir, reconhecendo que não se 
pode eliminar o direito à vida, sem que esta ressurja torcida em outra forma. Em vez de se 
ocuparem a cobrir a realidade com um manto de hipocrisia falando de justiça, quando a rea-
lidade é apenas a da defesa própria na luta, seria necessário que mais honestamente se 
enfrentasse o problema, usando de sinceridade para resolvê-lo, eliminando os ambientes onde 
nasce o mal, cuidando dos criminosos através da educação, fazendo desaparecer assim as 
causas do fenômeno. 
Dado o seu nível biológico, toda a nossa vida social se baseia não na compreensão e 
colaboração, mas na rivalidade e na luta. Todavia o problema das relações sociais não se pode 
resolver com tais métodos. O criminoso luta contra as leis, que são as armas dos seus naturais 
inimigos, com uma estratégia mais ou menos perfeita e poderosa, como qualquer guerreiro 
lutaria contra outros guerreiros. Assim se desenvolve a inteligência, mas no sentido das 
astúcias e enganos, por caminhos oblíquos. Explica-se assim a função biológica da mentira, até 
dessa hipocrisia de que agora falávamos, como meio de defesa da vida. Quem não desenvolveu 
esse ínfimo grau de inteligência, ou a desenvolveu demais para que lhe seja possível 
retrogradar até esse nível, será sempre julgado um deficiente que, por isso, merece e deve ser 
condenado. 
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A vida nos seus níveis mais evoluídos se baseia sobre princípios diferentes. Para quem 
vive neste plano não há gente fora do castelo dos vencedores, porque todos se ajudam 
fraternalmente e sabem que são elementos da mesma unidade orgânica. Só quando, superando 
o método atual de desconfiança, chegarmos à compreensão fraternal, os problemas que hoje 
nos atormentam poderão ser resolvidos. O sistema vigorante da luta é contraproducente. A 
severidade das penas demonstra a fraqueza dos dominantes, fruto do temor para que os 
rebeldes não permaneçam contra o poder. Até há poucos anos a justiça dava, como exemplo 
educador, público espetáculo, punindo ou matando os criminosos. E o povo corria para ver. 
Mas o que passava como um exemplo educador, na realidade era um escândalo, e por isso 
gostoso e procurado. E, quanto mais feroz o espetáculo, tanto mais gente corria para gozar de 
tão saboreado petisco. Claro que assim se realizava uma educação às avessas, porque o povo 
aprendia a arte do crime, acrescentando a lição que ele se torna legítimo quando o comete 
quem tem o poder nas mãos. Mas todos ficam satisfeitos: 1) os chefes, porque acreditavam dar 
um exemplo de sua força, confirmando o seu domínio; 2) os juizes, porque, agradando ao seu 
senhor e mostrando o seu poder, fortaleciam a sua posição, ao mesmo tempo que a pública 
encenação da justiça tranqüilizava a sua consciência, porque tudo se havia realizado com o 
consentimento de todos, endosso universal que, deixando as condenações dentro dos limites da 
lei e da ética, as legitimava; 3) o povo ficava satisfeito porque podia estudar a arte de matar e 
vingar-se do próximo, e ao mesmo tempo com tão gostoso espetáculo de ferocidade, seguindo 
a sua ét'.ca de luta, satisfazer o seu instinto de agressividade e destruição, que é qualidade do 
involuído. Deste modo, chefes, juizes e povo todos ficavam satisfeitos porque, cada um 
verificando a sua utilidade particular, todos juntos podiam, assim unidos, libertar-se de um 
inimigo comum e isso sem perigo, porque se tratava de um fraco vencido 
Eis qual é, brevemente resumido, o jogo das ações e reações entre o tipo A3 e o A2, e ao 
contrário. 
 \ufffd \ufffd \ufffd
 
Observemos agora o 2º caso, isto é, quando a maioria, que faz a lei para si, se dirige 
para os superiores evoluídos. Como o biótipo A3, hoje dono do planeta, trata o biótipo A4 que 
excepcionalmente aparece na Terra? Estudemos agora o recíproco jogo de ações e reações 
entre estes dois biótipos Se escolhermos como ponto de referência a posição A3, a do homem 
comum, o ser do nível A4 nos aparecerá um tipo de super-homem evolutivamente mais 
adiantado Mas, se escolhermos como ponto de referência a posição A4, o homem comum 
situado no nível A3, nos aparecerá um involuído, evolutivamente mais atrasado. Este é o 
sentido que demos, neste livro e nos precedentes, às palavras: evoluído e involuído, escolhendo 
como ponto de referência a posição ocupada pelo homem atual na escala da evolução. 
Cada uma dessas duas posições traz consigo a sua forma mental e a sua correlativa ética 
e particular lei de conduta, bem diferentes, das quais já falamos bastante. O evoluído queria 
que neste mundo a vida fosse regida pela sua ética. Mas esta não é a do biótipo dominante. 
Daqui nasce o choque. Ao involuído não interessa nada se o outro é evolutivamente superior. 
Com a forma mental do seu plano e sua ética, ele sabe que o evoluído representa um caso 
isolado ou pequena minoria, e que por isso não tem direito algum; sabe que aquele tipo não 
está armado, não usa a força, e na prática é um fraco, um covarde, um vencido, com função 
somente de obedecer. Só a quem possui a força para dominar pertencem todos os direitos. Mas 
o evoluído não pode de maneira nenhuma viver conforme uma lei que para ele é de ferocidade. 
Nem pode ele, pela sua própria natureza, impor ao mundo com o método da força ou direito 
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armado a sua ética feita de compreensão e bondade. Ninguém quer nada dele; no mundo não há 
lugar para ele. Aqui pode ser apenas um expulso, posto fora da vida. 
Os dois tipos de personalidade são tão diferentes, que uma parece o emborcamento da 
outra. Esclarecemos com um exemplo. O evoluído encontra-se completamente deslocado no 
ambiente humano, como um homem civilizado que tivesse de morar numa aldeia de 
antropófagos no centro da África. Ele teria muito que adaptar-se para sobreviver naquele 
ambiente. Tudo o que é natural e justo para os selvagens não o é para ele. Que faria um homem 
das nossas cidades se, saindo do seu apartamento, em vez de cumprimentar o seu vizinho, visse 
que era hábito normal o agredi-lo para matá-lo e cozinhá-lo, para devorá-lo no almoço? Da 
mesma forma o evoluído fica horrorizado quando vê que em nosso mundo é na prática lícito e 
comum, violando as leis penais e civis, religiosas e morais, enganando e esmagando, aproveitar 
o próximo mais fraco, só para a sua vantagem egoísta, semeando ruína ao seu redor. 
O involuído faz