Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


DisciplinaIntrodução à Teologia e História da Teologia91 materiais1.836 seguidores
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isso não na forma, mas na substância, não por maldade, mas por sua 
natureza, porque esta é a lei do seu plano, a sua ética espontânea. Para ele as qualidades de 
bondade do evoluído são ingenuidade condenável e fraqueza inadmissível, porque vale a força 
e a astúcia, que no mundo levam à vitória. Quem não atinge essa finalidade não tem valor, é 
coisa negativa e contraproducente, o que se chama com muito respeito: a loucura dos santos. 
Assim o evoluído é julgado um grande menino inexperiente, um utopista que vive de sonhos 
fora da realidade A conclusão rápida à qual chega o involuído, é que o evoluído seja um 
simplório, cuja fraqueza é justo aproveitar e explorar. Assim é a ética do involuído, a sua 
forma mental e como ele concebe coisas, e delas não sabe fugir. Não o poderá, senão quando 
conseguir evoluir, subindo para um mais adiantado plano de vida. 
O problema é o de subir, e não o de julgarem-se, por orgulho, mais adiantados, sem o 
serem de verdade. Quem em seu nível atual renuncia a sua própria supervalorização? Isto faz 
parte da forma mental do ser deste plano, corresponde ao seu impulso egocêntrico e instinto de 
luta. Pelo contrário, o ser verdadeiramente adiantado se reconhece pelo seu constante 
dinamismo construtor, pela ausência de negatividade, pela sua bondade e inteligência. A 
conseqüência lógica desta, como do valor real do evoluído, é a falta de orgulho. Quem é de 
fato superior não precisa de se inchar de vento para aparecer maior, porque já o é, e por isso 
fica espontaneamente humilde. O evoluído é fundamentalmente honesto. Não pode por isso 
aceitar os métodos da mentira e engano vigorantes no mundo. Tudo isto é lógico, porque ele se 
encontra mais próximo do S, e mais afastado do AS. O problema para o involuído não é o de 
sinceramente procurar não fazer o mal, mas o de conseguir escondê-lo com a astúcia, enquanto 
procura fazê-lo para atingir a sua própria vantagem. Ele usa o intelecto não no sentido de 
obedecer às leis para viver na ordem que representa vantagem de todos3 mas o usa para evadir-
se delas, escapando às suas sanções. Para quem está maduro para viver no estado orgânico de 
verdadeira sociedade humana, é duro ter de viver num estado caótico de egocentrismos 
desencadeados. Indivíduos desse tipo biológico, no plano de vida do evoluído, seriam isolados 
como criminosos, porque nesse nível é absurda e inadmissível a conduta descontro1ada da 
ética do subconsciente, vigente em nosso mundo. 
De fato, pelo caminho percorrido, o evoluído chegou a criar instintos diferentes, de 
modo que para ele é natural e fácil (virtudes, altruísmo, inteligência, atividade etc.), tudo o que 
para o involuído é esforço difícil; e é difícil o que é fácil, instintivo, as vezes irresistível, para o 
involuído (ataque e defesa, egoísmo, ignorância, ócio etc.). Para um selvagem é facílimo 
escalar uma árvore, correr vários quilômetros, viver na mata entre as feras. Seria, porém, muito 
difícil proferir uma palestra, escrever um livro, trabalhar em escritórios, viver num 
apartamento. E ao contrário. Que problema sério, se um tivesse que mudar para o ambiente do 
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outro! Evoluído e involuído se repelem reciprocamente. Um não se adapta a viver a vida do 
outro. 
O evoluído é evangélico, fraternal, compreensivo para cooperar Ele usa a sua forca e 
inteligência, não para lutar contra os seus semelhantes, mas contra a animalidade, para atingir a 
sua sublimação. Ele aparece no mundo como um anjo, cuja lei natural é o Evangelho. Mas a lei 
dos outros é diferente. Ele, que dá tudo, ama e perdoa, neste mundo não pode ser senão 
espoliado e desprezado. Tal mundo, depois de haver tirado dele toda a sua possível vantagem 
egoísta, o repete desdenhosamente, como se faz com um fruto espremido. O involuído 
interessa-se pelo próximo para tirar dele proveito; o evoluído para beneficiar, ajudando-o a 
subir. Entretanto, uma vez que ele caiu no plano inferior da animalidade humana, tem de 
suportar o choque com a lei deste plano. Parece. porém, que a vida queira expulsá-lo de tal 
mundo, que não é o seu. Esta é a história de Cristo e de todos os que o seguem. O encontro 
entre os dois planos de vida não pode acabar senão no martírio do evoluído. O involuído quer 
expelir do seu reino o estrangeiro. E é a este que está confiada a função de ajudar o mundo na 
sua evolução! Este explora e atormenta quem trabalha e sofre para salvá-lo. Custa caro ser 
evoluído de verdade e, quem segue esse caminho só por vaidade, não pode deixar de fracassar 
ao primeiro passo. 
Para a ciência o evoluído é um anormal. E princípio aceito em psicopatología que é 
psiquicamente doente o indivíduo rebelde ao ambiente, provido de forma mental diferente da 
maioria, enquanto é psiquicamente são o indivíduo que se adapta ajustando-se ao ambiente, 
com forma mental que corresponda à vigorante na coletividade Então o ponto de referência de 
todo o julgamento, a unidade de medida para todos, é a massa da maioria, que representa o 
modelo do biótipo ideal. Essa igualdade entre os conceitos de ambiente, maioria e valor do 
indivíduo, nivela todos no mesmo plano, expelindo os que são de outra medida, seja maior ou 
menor. Eis como os biótipos A4, ou seja, os mais adiantados, são repelidos, como o são os 
biótipos A2, ou seja, os delinqüentes. E como se um sábio fosse morar num hospital de doenças 
mentais, onde a normalidade da maioria é a loucura, para não ser expulso como louco, tivesse 
que se tornar louco. Trata-se, porém, de um ser superior que compreende e julga a loucura de 
todos os outros, procurando, pelo contrário, ajudá-los a voltar à razão, e não pode de maneira 
nenhuma adaptar-se àquele ambiente de loucos. Esse é o choque e o jogo de ações e reações, 
entre esses biótipos que pertencem a níveis evolutivos diferentes. 
 
 
IX 
 
DETERMINISMO DA LEI 
 
 
Continuemos desenvolvendo o nosso tema para cumprir a tarefa de demonstrar cada 
vez melhor o funcionamento da Lei aos que amadureceram a inteligência para compreender e 
aprender a arte da conduta certa, o único caminho que nos pode levar à felicidade. 
Procuraremos agora expor um quadro mais completo do fenômeno da evolução, para 
melhor entendermos o segredo da sua técnica, estrutura e significação profunda. Na sua 
substância, a evolução é representada pelo caminho que vai do AS para o S, isto é, de um 
estado que tem todas as características do primeiro para um estado que possui as do segundo. 
Para o ser, a que mais interessa, porque mais de perto o toca, é a da dor, qualidade do AS, e a 
da felicidade, qualidade do S. Isto é importante pelo fato de que representa o impulso 
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fundamental que impele o ser, repelido pela dor e atraído pela felicidade, a cumprir o esforço 
que lhe é necessário para subir do AS para o S. De fato, o impulso que mais movimenta o ser 
neste seu duro caminho é a carência e, por isso, a desesperada procura da felicidade. Este seu 
anseio responde a um ímpeto instintivo e irrefreável, devido a um vazio, à falta de alguma 
coisa grande e indispensável, que por certo o ser possuía no S, mas que depois foi perdido. Este 
seu anseio prova que se trata de coisa que ele bem conhecia, mas que agora não possui mais, da 
qual, porém, se lembra e de que sente infinita saudade. 
A involução, produto da queda, foi um movimento em direção errada, porque 
procurou a felicidade às avessas, isto é, não na obediência, mas na revolta. E lógico então que, 
com tal método, por esse caminho emborcado, o ser não pudesse chegar senão a um resultado 
emborcado: a dor, exatamente o contrário da felicidade. Ora, o endireitamento desse processo 
involutivo