Pietro Ubaldi   Queda e Salvação
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Pietro Ubaldi Queda e Salvação


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se faz através da evolução, que representa o caminho em direção certa, o único apto 
a recuperar a felicidade perdida. 
Qual é então a posição do homem atual a este respeito? Todos lamentam que na Terra 
a felicidade é inatingível, que ela se resolva numa ilusão. Por que razão o prêmio, depois de 
tanta luta e corrida, deve ser só a amargura desse engano? Por que motivo o homem tem de ser 
traído no seu maior anseio? Somente com a teoria da queda isto se explica. 
O ser, no S, era feliz. Com a revolta ele transformou a felicidade de que gozava no S, 
na sua infelicidade, no AS. Explica-se assim, e é lógico, o seu desejo de voltar à felicidade de 
origem, e de fugir da dor em que caiu, o que revelando a sua natureza de cidadão do S, agora 
desterrado no AS, do qual quer fugir para voltar à sua pátria, o S. 
Há, porém, também o fato de que esse cidadão esta abismado no AS, possui, por isso, 
a respectiva forma mental da revolta que o leva, não para a almejada felicidade, mas para a dor. 
Eis então que o homem se encontra em contradição consigo mesmo: procura uma coisa que 
deseja desesperadamente, seguindo, no entanto o caminho que leva para o seu contrário: quer 
atingir o que ele, com os seus métodos, impede que seja atingido Ele quer chegar à felicidade, 
mas sem usar as qualidades construtivas do S, que são as de obediência na ordem, utilizando 
antes a revolta que é qualidade destrutiva, que pertence ao AS. E a mesma coisa que querer 
abrir uma porta, não empurrando-a no sentido em que ela se abre, mas no sentido em que se 
fecha. O mal está todo no princípio errado do emborcamento que o ser com a revolta, 
introduziu na sua existência. Foi assim que ao lado da perfeita lógica do S, pôde nascer este 
absurdo: para satisfazer o seu instinto certo de felicidade a qual se pode encontrar só no S, o 
homem usa a sua forma mental errada, própria do AS, aquela que o leva para o sofrimento 
Como pode então o seu esforço em procurar a felicidade atingir o seu objetivo? E lógico que 
conduza ao seu contrário, como de fato acontece. Eis por que o homem lamenta que a 
felicidade na Terra é inatingível, e sua busca é uma ilusão. Mas é lógico que, quando 
procuramos uma coisa em sentido emborcado, não seja possível encontrá-la senão em posição 
emborcada, isto é, no seu contrário. O erro não está na estrutura do sistema do universo, mas 
somente no homem, no seu espírito de revolta, no fato de ele querer usar a psicologia do AS. E 
lógico que um processo absurdo acabe no absurdo,
 
isto é, que neste caso, procurar a felicidade 
se resolva num engano e, em vez de gerar felicidade, gere dor. 
 O que de fato vemos acontecer no mundo é que o homem quer substituir o seu eu a 
Deus, a sua lei à Dele, isto é, o princípio da usurpação à força, fora da ordem estabelecida, ao 
princípio justo do merecimento dentro daquela ordem. O pecado que leva para uma felicidade 
emborcada no engano, é o querer chegar a ela não legitimamente, merecendo-a, mas 
ilegitimamente, furtando-a. O que emborca todo o processo em prejuízo do homem em vez de 
um seu favor é apenas o seu método errado. O engano que ele lamenta está no escolhido por 
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ele. Quando um erro está nas premissas, não pode deixar de aparecer também nos resultados. 
Ninguém pode impedir que o efeito seja de natureza idêntica a da causa. O absurdo que o 
homem quer realizar, o qual na sua ignorância não compreende, está no fato de querer chegar a 
possuir uma qualidade que pertence ao S, usando os métodos que a negam, e não os do S. Os 
do AS, pela sua própria natureza, não podem levar senão ao objetivo oposto ao almejado. Claro 
que uma alegria arrancada à força ou com o engano, não pode produzir senão veneno. Se o 
homem fosse inteligente deveria compreender a simples lógica de tudo isto. Mas também a 
ignorância é qualidade do AS em que ele está situado. A sua astúcia é a do ignorante, que 
termina em loucura. Explica-se, assim, como ele prefira praticar o absurdo de procurar a 
felicidade, e somente encontrar o sofrimento. 
O homem está livre de fazer o que quer; mas ninguém pode impedir que fique 
vigorando o inviolável princípio da Lei pelo qual, com a injusta usurpação, não se pode 
conquistar felicidade. Apesar de que na superfície domine e pareça vencer o princípio da força 
e da astúcia, o que de fato continua dominando e vencendo, contra toda a vontade humana, na 
substância, é a Lei de Deus, a do merecimento e da justiça. Quem se quer evadir, leva consigo 
a autopunição, porque acaba na ilusão. A Lei permanece sempre perfeitamente lógica, e o 
absurdo fica nas mãos do homem que o quis. 
Mas a sabedoria da Lei não se esgota somente com a perfeição de sua lógica. Ela não 
deixa o ser abandonado em sua ignorância a perder-se, mas sabe, para o bem dele, tirar daquela 
ignorância toda a vantagem possível. O método das ilusões pode ser útil para impulsionar um 
ser ignorante - mergulhado no AS e seguindo os seus desastrosos métodos - a voltar. apesar de 
tudo, para o S, onde só é possível encontrar a almejada felicidade. O homem deseja a felicidade 
com todas as suas forças, mas quem não sabe que ela, pela nossa insaciabilidade, se afasta de 
nós, quanto mais julgamos tê-la atingido e possuí-la? Parece que ela queira fugir de nós, de 
propósito, como uma miragem, só para nos impulsionar para a corrida contínua de quem tem 
sempre que procurar, porque nunca consegue encontrar. 
Eis então que a ilusão produz um resultado útil que é esta corrida, impelindo o ser 
insatisfeito sempre para a frente no caminho da tentativa, da experimentação, da aprendizagem 
e por fim da evolução. Então a sabedoria da Lei deixa funcionar o método da ignorância, que 
quer furtar à força a felicidade, não para chegar a esta, mas para atingir um objetivo muito mais 
útil, o de evoluir, o que quer dizer aproximar-se cada vez mais da felicidade verdadeira, que 
poderá ser encontrada somente no fim do caminho da evolução, com o regresso ao S. O 
resultado final é encontrar-se por detrás da ilusão o verdadeiro bem do ser, que assim realiza a 
atividade necessária para evoluir. O fato de o seu anseio para conquistar a felicidade não o 
levar a atingi-la, embora seja apenas um meio para impulsioná-lo a evoluir, pode parecer um 
amargo engano, enquanto na substância representa, não somente um engano justo, porque 
merecido, mas um saudável meio de redenção, pelo qual o ser, sofrendo as conseqüências do 
uso dos métodos do AS, passa da ignorância à sabedoria, o que significa conduta certa e, com 
isso, a sua salvação. 
Assim o absurdo da conduta humana tão contraproducente, resolve-se, na estrutura da 
Lei, numa lógica perfeita. Como conseqüência da queda é inevitável a cegueira e ignorância do 
ser. Isto faz parte da lógica da Lei, porque estas são qualidades do ÀS em que o ser caiu. É 
lógico que quem vive nos níveis mais baixos da evolução fique mergulhado nas trevas e o 
caminho da verdadeira felicidade aí seja desconhecido, ainda a descobrir por tentativas, como 
tem de fazer quem está no escuro. O ser comete então muitos erros, tanto maiores em número 
e gravidade, quanto mais é involuído. A eles correspondem sofrimentos e choques pro-
porcionados, que constituem experiências iluminadoras que ensinam cada vez mais a evitar 
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esses erros, como conseqüências as suas dores. Eis que automaticamente o ser é levado pelo 
sofrimento e pela miragem duma felicidade que está ainda bem longe, a aprender e evoluir, e 
com isso a eliminar a ignorância, o erro e sofrimento. O homem perseguirá em vão a miragem 
da felicidade, até compreender onde está o truque e não cair mais nele, porque entendeu