20 Sistema Reprodutor Feminino GARTNER (2)
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20 Sistema Reprodutor Feminino GARTNER (2)


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cobre o local da implantação. 
Desenvolvimento da Placenta 
A placenta é um tecido vascularizado derivado tanto do 
endométrio uterino, como também do embrião em 
desenvolvimento. 
A contínua erosão do endométrio, altamente vascu-
larizado, pelo sinciciotrofoblasto, também provoca 
erosão dos vasos sangüíneos maternos. O sangue 
destes vasos deságua nas lacunas d o sinciciotrofo-
blasto que envolvem o embrião. Desta maneira, o 
sangue materno promove a nutrição para o embrião 
em desenvolvimento. Com maiores crescimento e 
desenvolvimento, a placenta começa a ser formada, 
resultando na separação entre o sangue do embrião 
em desenvolvimento do sangue da mãe (sangue 
materno). Das demais células do trofoblasto desen-
volve-se o córion, o qual evolui formando a placa 
coriônica, que dá origem aos vilos coriônicos (Fig. 
20-16). 
O desenvolvimento do trofoblasto estimula mu-
danças no endométrio adjacente, alterando-o para 
dar início à formação da porção materna d a pla-
centa. Este tecido materno modificado , denomi-
nado decídua, é subdividido em três regiõe : 
488 \u2022 \u2022 \u2022 Capítulo 20 \u2022 Sistema Reprodutor Feminino 
o horas 
Estágio de 2 células 
Fertilização 
Ovócito secundário 
14-15 dias 
Cavidade coriônica 
Cavidade amniótica 
Linha primitiva 
Mesoderma -+---"-s-:~f-tj~-I:---++I 
Vaso 
sangüíneo matern·o 
Saco vitelino 
3 dias 
Estágio de 8 célu las 
Zona pelúcida 
Dentro do útero: 
5-6 dias 
Blastocisto 
Desaparecimento da 
zona pelúcida 
6-7 dias 
Início da 
implantação 
~---Endométrio 
12-13 dias 
>i~~~'~I-- Cavidade amniótica 
<=-11--_- Blastocele 
14-15 dias 
amniótica 
Figura 20-14 Processo de fertilização, formação do zigoto, múrula, desenvolvimento do blastocisto e implantação . 
\u2022 A decídua capsular, situada entre o lúmen do 
útero e o embrião em desenvolvimento 
\u2022 A decídua basal, situada entre o embrião em 
desenvolvimento e o miométrio 
\u2022 A decídua parietal, que constitui o ,restante da 
decídua 
Inicialmente, todo o embrião está envolvido pela 
decídua e é nutrido por ela. A região do córion em 
contato com a decídua capsular forma curtos vilos 
insignificantes, permanecendo, desta maneira, com 
uma superfície lisa; esta região do córion é denomi-
nada córion liso. Porém, a região da decídua basal 
torna-se altamente vascularizada pelos vasos sangüí-
neos maternos; e é nesta região que a placenta se 
desenvolve. A região da placa coriônica em contato 
com a decídua basal forma extensos vilos coriônicos, 
denominados vilos primários; por isso, esta região 
do córion é denominada córion viloso ou córion 
frondoso. 
Os vilos primários são constituídos por sincicio-
trofoblasto e citotrofoblasto. Com o desenvolvi-
mento subseqüente, células mesenquimais extra-
embrionárias penetram no centro dos vilos primá-
rios, convertendo-os em vilos secundários (Fig, 20-
17). O tecido conjuntivo do vilo secundário torna-se 
vascularizado através de extensas redes de capilares, 
que estão ligadas ao suprimento vascular em desen-
volvimento do embrião. 
Conforme o desenvolvimento continua, a popu-
lação de células do citotrofoblasto diminui, porque 
estas células se fundem ao sincício e contribuem para 
o seu crescimento. As lacunas do sinciciotrofoblasto 
se fundem, convertendo-se em amplos espaços que 
se tornam os espaços intervilosos, que são divididos 
em regiões menores pelos septos placentários, 
Capítulo 20 \u2022 Sistema Reprodutor Feminino \u2022 \u2022 \u2022 489 
Figura 20-15 Ele tromicrografia de 
varredura da fertili zação (5 .700x). Um 
grande número de espermatozóides 
tenta atravessar as células da coroa ra-
diada, mas somente um único esperma-
tozóide será capaz de fertilizar o ovócito. 
(De Phillips DM, Shalgi R , Dekel N : 
Mammalian fe rtilization as seen with the 
scanning electron microscope. Am J 
Anat 174:357-372, 1985. ) 
extensões da decídua. Os vilos secundários se proje-
tam nestes espaços vasculares e são envolvidos por 
sangue materno , que é lançado nas lacunas e em 
seguida drenado delas através dos vasos sangüíneos 
maternos da decídua basal. 
A maioria dos vilos não está ancorada na decídua 
basal, mas fica suspensa no sangue materno dos espa-
ços intervilosos, semelhantes a raízes de vegetais cres-
cidos em ambiente hidropônico; estes são denomina-
dos vilos livres. Os vilos ancorados na decídua basal 
são denominados vilos de ancoragem. Os capilares 
dos vilos livres e de ancoragem estão próximos à 
superfície dos vilos e são separados do sangue 
materno por uma pequena quantidade de tecido 
conjuntivo e pelo sinciciotrofoblasto que reveste os 
vilos secundários. Assim, o sangue mqterno e o san-
gue fetal não se misturam; em vez disso, os nutrientes 
e o oxigênio do sangue materno se difundem através 
do sinciciotrofoblasto , tecido conjuntivo e células 
endoteliais dos capilares dos vilos, alcançando o san-
gue fetal. Essas estruturas formam a barreira placen-
tária. Certas substâncias, como água, oxigênio, dió-
xido de carbono, pequenas moléculas, algumas pro-
teínas, lipídios, hormônios, drogas e alguns anticor-
pos (especialmente a imunoglobulina G) , podem 
atravessar a barreira placentária, enquanto a maioria 
das macromoléculas não consegue. 
Além de ser um local onde ocorrem trocas de 
substâncias nutrientes, catabólitos e gases, entre o 
sangue materno e fetal , a placenta (especialmente o 
sinciciotrofoblasto) atua como um órgão endócrino, 
secretando hCG, tireotrofina coriônica, progeste-
rona, estrógeno e somatomamotrofina coriônica 
(um hormônio promotor do crescimento e lactogê-
nico). Além disso, as célu las do tecido conjuntivo do 
estroma da decídua forma as células deciduais , que 
crescem e sintetizam prolactina e prostaglandinas. 
CORRELAÇÕES CLíNICAS 
O blastocisto normalmente se implanta n o 
terço superior da parede anterior ou posterior 
do útero e é nesta localização que a placenta irá 
começar a se desenvolver. Ocasionalmente, em 
uma de 200 gestações, a implantação ocorre na 
parte inferior do útero, próximo à cérvix, onde 
o endométrio é muito fino e o tecido conjun-
tivo do estroma é muito denso. Quando a pla-
centa começa a se desenvolver e aumen tar o 
seu tamanho, ela cobre parcialmente ou com-
pletamente a abertura da cérvix, o que não faz 
do parto normal uma boa opção. Esta condição 
é classificada como placenta prévia e u sual-
mente necessita da retirada do bebê através de 
uma cesanana. 
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Formação 
docórion 
Arté ria 
materna 
4-5 semanas _______ 
Decídua basal (porção 
materna da placenta) 
~---------~v~---------~ 
VAGINA 
Decídua basal 
(porção materna 
da placenta) 
Córion (porção 
fetal da placenta) 
A vagina, uma bainha fibromuscular, é constituída de três 
camadas: mucosa, túnica muscular e adventícia. 
A vagina é um órgão tubular fibromuscular, com 8 a 
9 cm de comprimento, ligada ao útero por sua por-
ção proximal e ao vestíbulo da genitália externa por 
sua porção distaI. A vagina é constituída por três 
camadas: mucosa, túnica muscular e adventícia. 
O lúmen da vagina é revestido por um espesso 
epitélio estratificado pavimentoso não-queratini-
zado (150 a 200 flm de espessura), embora algumas 
células superficiais contenham qu eratoalina. As 
células de Langerhans do epitélio atuam apr esen-
tando antígenos para os linfócitos T situados nos lin-
fonodos inguinais. As células epiteliais são estimula-
Figura 20-16 Formação do có-
rion e da decídua ; o destaque mostra a 
circulação dentro da placenta. 
das por estrógenos a sintetizar e armazenar grandes 
depósitos de glicogênio, que é liberado no lúmen 
quando as células epiteliais da vagina descamam. A 
flora bacteriana vaginal, de ocorrência natural, me-
taboliza o glicogênio, formando ácido lático, o qual 
é responsável pelo