Introduzindo Hidrologia
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Introduzindo Hidrologia


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Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema 
Nacional de Gestão de Recursos Hídricos e, mais recentemente, a Lei 9.984/00 criou 
a Agência Nacional de Águas (ANA), que tem como atribuição implementar os 
instrumentos da política nacional. No que diz respeito ao Rio Grande do Sul, a 
Constituição Estadual de 1989 e a Lei 10.350/94 estabeleceram a gestão das águas sob 
seu domínio. 
 
A Lei 10.350/94 regulamentou o Sistema Estadual de Recursos Hídricos (SERH), que 
já era contemplado na Constituição Estadual de 1989. Desde então, o SERH vem 
sendo implementado nas 23 bacias hidrográficas do Estado (figura 10.1), através da 
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criação de comitês de gerenciamento de bacias hidrográficas, e da gradativa 
implementação dos instrumentos de planejamento (Planos de Bacia e Plano Estadual) 
e gestão (outorga, tarifação e rateio de custos) previstos na legislação. A seguir são 
descritos brevemente o SERH e os instrumentos de planejamento e gestão. 
 
Figura 10.1: Bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul 
(Fonte: SEMA/RS, 2005) 
 
O Sistema Estadual de Recursos Hídricos 
O SERH se fundamenta num modelo de gerenciamento caracterizado pela 
descentralização das decisões e pela ampla participação da sociedade organizada em 
Comitês de Bacia. Assim, mesmo que o Estado seja o detentor do domínio das águas 
(superficiais e subterrâneas) de seu território, conforme determina a Constituição 
Federal, ele compartilha a sua gestão com a população envolvida. 
Fazem parte do SERH os seguintes departamentos: 
- Conselho de Recursos Hídricos (CRH); 
- Departamento de Recursos Hídricos (DRH); 
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- Comitês de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas (CGBH); 
- Agências de Regiões Hidrográficas (ARH); 
- Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM). 
 
 O Conselho de Recursos Hídricos 
O CRH é um órgão colegiado constituído por Secretários de Estado, representantes 
de Comitês de Bacias, Sistemas Nacionais de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente, 
que tem o papel de instância deliberativa superior do Sistema. É atualmente 
presidido pelo Secretário Estadual do Meio Ambiente. 
Os demais órgãos estatais que integram o sistema são: Obras Públicas e Saneamento, 
com a vice-presidência do CRH; Agricultura e Abastecimento; Coordenação e 
Planejamento; Saúde; Energia, Minas e Comunicações; Ciência e Tecnologia; 
Transportes; Casa Civil; e Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos 
Internacionais. 
São atribuídas ao CRH as seguintes funções: 
\u2022 Propor alterações na Política Estadual de Recursos Hídricos; 
\u2022 Opinar sobre qualquer proposta de alteração na Política Estadual de Recursos 
Hídricos; 
\u2022 Apreciar o anteprojeto de Lei do Plano Estadual de Recursos Hídricos; 
\u2022 Aprovar relatórios anuais sobre a situação dos recursos hídricos; 
\u2022 Aprovar critérios de outorga do uso da água; 
\u2022 Aprovar os regimentos internos dos Comitês de Bacias; 
\u2022 Decidir os conflitos de uso da água em última instância; 
\u2022 Representar o Governo Estadual, através do seu Presidente, junto a órgãos federais 
e internacionais, em questões relativas a recursos hídricos; 
\u2022 Elaborar o seu Regimento Interno. 
 
 O Departamento de Recursos Hídricos 
O DRH é o órgão responsável pela integração do Sistema Estadual de Recursos 
Hídricos. É o DRH que concede a outorga do uso da água e subsidia tecnicamente o 
CRH. 
Ao DRH são atribuídas as seguintes funções: 
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\u2022 Elaborar o anteprojeto de lei do Plano Estadual de Recursos Hídricos; 
\u2022 Coordenar e acompanhar a execução do Plano Estadual de Recursos Hídricos; 
\u2022 Propor ao Conselho de Recursos Hídricos critérios para a outorga do uso da água 
e expedir as respectivas autorizações de uso; 
\u2022 Regulamentar a operação e uso dos equipamentos e mecanismos de gestão dos 
recursos hídricos; 
\u2022 Elaborar Relatório Anual sobre a situação dos recursos hídricos no Estado; 
\u2022 Assistir tecnicamente o CRH. 
 
 Os Comitês de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas 
Os CGBH representam a instância básica de participação da sociedade no Sistema. 
Tratam-se de colegiados instituídos oficialmente pelo Governo do Estado. Exercem 
poder deliberativo, uma vez que é no seu âmbito que são estabelecidas as prioridades 
de uso e as intervenções necessárias à gestão das águas de uma bacia hidrográfica, 
bem como devem ser dirimidos, em primeira instância, os eventuais conflitos. 
Fazem parte do CGBH pessoas que têm diferentes interesses com relação ao bem 
água: os usuários (são as pessoas que têm interesse \u201cutilitário-econômico-social\u201d); a 
população (tem interesses difusos, vinculados ao desenvolvimento sócio-econômico, 
aspectos culturais ou políticos e proteção ambiental); o poder público (detentor do 
domínio das águas). 
A Lei 10.350, de 30 de dezembro de 1994, estabelece a proporção de 
representatividade nos comitê. Segundo a referida Lei, os CGBH devem ser formados 
por 40% de representantes dos usuários da água, 40% dos representantes da 
população e 20% dos representantes de órgãos públicos da administração direta 
estadual e federal. 
Ao CGBH cabem as seguintes atribuições: 
\u2022 Encaminhar ao DRH proposta relativa à própria bacia para ser incluída no 
anteprojeto de lei do Plano Estadual de Recursos Hídricos; 
\u2022 Conhecer e manifestar-se sobre o anteprojeto de lei do Plano Estadual de Recursos 
Hídricos; 
\u2022 Aprovar o Plano da respectiva bacia e acompanhar a sua implementação; 
\u2022 Apreciar o relatório anual sobre a situação dos recursos hídricos, no Estado; 
\u2022 Propor ao órgão competente o enquadramento dos corpos de água da bacia; 
\u2022 Aprovar os valores a serem cobrados pelo uso da água; 
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\u2022 Realizar o rateio do custo das obras a serem executadas na bacia; 
\u2022 Aprovar os programas anuais e plurianuais de investimentos em serviços e obras 
da bacia; 
\u2022 Compatibilizar os interesses dos diferentes usuários e resolver eventuais conflitos 
em primeira instância. 
 
 As Agências de Regiões Hidrográficas 
O CRH dividiu o Estado, para efeito de gerenciamento de Bacia Hidrográfica, em 
três regiões hidrográficas: a da Bacia do Uruguai, a da Bacia do Guaíba e a das Bacias 
Litorâneas (figura 10.2). Cada uma dessas regiões hidrográficas conta com uma ARH. 
À ARH cabe assessorar tecnicamente os CGBH na elaboração de propostas relativas 
ao Plano Estadual de Recursos Hídricos, no preparo dos Planos de Bacia e na 
tomada de decisões que demandem estudos técnicos. A ARH também pode auxiliar 
os CGBH no enquadramento dos corpos d\u2019água, operar os mecanismos de gestão, 
arrecadar e aplicar os valores correspondentes à cobrança pelo uso da água. 
 
Figura 10.2 - Agências de Regiões Hidrográficas 
(Fonte: SEMA/RS, 2005) 
 
 
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 Fundação Estadual de Proteção Ambiental 
A FEPAM é o órgão ambiental do Estado que integra o Sistema Estadual de Recursos 
Hídricos com o Sistema Estadual de Meio Ambiente. Cabe à FEPAM a concessão de 
outorga quando se trata de um uso d\u2019água que afeta as condições qualitativas dos 
recursos hídricos. 
Compete também à FEPAM a aprovação do enquadramento dos corpos de água, de 
acordo com os objetivos de qualidade, com base na proposta elaborada pelos comitês 
de bacias. 
 
Instrumentos de Planejamento 
 Enquadramento 
O enquadramento as águas brasileiras em classes de uso foi estabelecido pela 
Resolução nº 020/86 do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA. Assim, 
para as águas doces foram definidas cinco classes: especial e de 1 a 4. Para as águas 
salobras e salinas foram definidas duas classes: 5 e 6; e 7 e 8, respectivamente. Uma 
vez que estabelece o nível de qualidade a ser alcançado e/ou mantido em um 
determinado segmento de um corpo de água, ao longo do tempo, o enquadramento 
é considerado