Violencia e Armas   Joyce Lee Malcolm
229 pág.

Violencia e Armas Joyce Lee Malcolm


DisciplinaDireito Constitucional II7.964 materiais116.965 seguidores
Pré-visualização50 páginas
DADOS DE COPYRIGHT
Sobre a obra:
A presente obra é disponibilizada pela equipe Le Livros e seus diversos parceiros,
com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos
acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim
exclusivo de compra futura.
É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer
uso comercial do presente conteúdo
Sobre nós:
O Le Livros e seus parceiros disponibilizam conteúdo de dominio publico e
propriedade intelectual de forma totalmente gratuita, por acreditar que o
conhecimento e a educação devem ser acessíveis e livres a toda e qualquer
pessoa. Você pode encontrar mais obras em nosso site: LeLivros.site ou em
qualquer um dos sites parceiros apresentados neste link.
"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando
por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo
nível."
JOYCE LEE MALCOLM
VIO LÊN CIA
E A R M A S
A EXPERIÊNCIA INGLESA
apresentação de Bene Barbosa
Tradução de Flavio Quintela
SUMÁRIO
Capa
Folha de Rosto
Apresentação
Dedicatória
Agradecimentos
Introdução
1. A Idade Média: leis, bandidos e crimes de violência
Desordem ou civilidade: a visão longa
Homicídio, roubo e lei
Guerra, escassez e a taxa de assassinatos
2. Os séculos Tudor-Stuart: revolução na Igreja, estado e armamentos
Armas de fogo no início da Inglaterra moderna
O impacto das armas no crime
3. O século dezoito: \u201cfrutífero nas invenções de maldades\u201d
A Lei do Tumulto
A Lei Negra
O impacto da guerra e da economia no crime
Armas de Fogo, a Lei e o Crime Armado
4. O século dezenove: \u201cuma era de raro sucesso\u201d
Medo da desordem conforme o século se inicia
O crime violento e a reforma da legislação criminal
As forças de ordem: a nova polícia
Armas e o crime violento
O fim de uma era mais civil
5. 1900-1953: o governo toma o controle
Restringindo armas de fogo
A lei das armas de fogo de 1920
Entre as Guerras
A Segunda Guerra Mundial
Paz e desarmamento
6. 1953-2000: somente os criminosos possuem as armas
A escalada da taxa de criminalidade
Lei, desordem e segurança pública
Desarmando as pessoas
Tratando os infratores juvenis com leniência
Reduzindo sentenças e polícia
O uso das armas em crimes
Atrocidades com armas de fogo provocam restrições às armas
O arsenal ilegal
As leis severas sobre armamento baixaram os índices de crimes violentos?
7. Mais armas mais crime ou mais armas menos crime? O caso americano
Uma breve história das armas de fogo na América
As comparações internacionais sobre crimes são sólidas?
As variáveis por detrás das estatísticas
O cenário social e econômico
Proprietários de armas
Uma arma é um risco à saúde?
Cidadãos armados detêm ou aumentam o crime?
8. A equação correta
Apêndice: licenças de armas de fogo na Inglaterra e no País de Gales
Notas
Sobre a obra
Sobre a autora
Créditos
APRESENTAÇÃO
Inglaterra, século XIX:
A época foi amaldiçoada com todos os tipos de males sociais como
sendo causa da criminalidade \u2013 pobreza dolorosa ao lado de prosperidade
crescente, favelas abundantes, crescimento e deslocamento rápido da
população, urbanização, a quebra da família trabalhadora, policiamento
problemático e, é claro, a vasta propriedade de armas.
A partir dessa descrição, que consta neste livro, como se pode explicar que foi
exatamente neste século que a Inglaterra teve suas menores taxas criminais? Afinal, não
estamos acostumados ao discurso fácil \u2013 e falacioso \u2013 que se estabelece dizendo ser o
conjunto dos males elencados acima o grande problema de uma sociedade violenta?
É o que veremos nas próximas páginas, onde a competentíssima historiadora e
constitucionalista americana Joyce Lee Malcolm, a partir de uma profunda pesquisa
histórica sobre a Inglaterra, indo da época medieval até nossos dias, vai nos mostrando
como, passo a passo, lei após lei, fatia por fatia, o Estado retirou dos Ingleses o direito
de possuir e portar armas e \u2013 ainda mais importante \u2013 quais foram os reflexos dessas
políticas desarmamentistas nos índices de criminalidade e violência.
Ao contrário do que muitos acreditam, ou melhor, são levados a acreditar, os
cidadãos ingleses estão em sua maioria descontentes com as atuais restrições e a
crescente criminalidade. The Telegraph, conceituado jornal inglês, realizou uma enquete
no início deste ano (2014) sobre qual lei precisaria ser rediscutida. A mais votada, com
cerca de 25 mil votos, ou quase 90%, é a revogação da proibição do posse e porte de
armas para defesa. Um dos leitores do periódico indagou: \u201cAfinal de contas, por que é
permitido somente aos criminosos possuir armas e atirar em pessoas desarmadas,
cidadãos indefesos e em policiais?\u201d.
É impossível ao leitor mais atento não traçar um paralelo claro e inequívoco entre
a experiência inglesa e a brasileira, onde o extremo controle de armas nas mãos dos civis
vem sendo usado e implementado desde o nosso descobrimento, não para a redução da
criminalidade e violência, mas apenas para o controle social. Enquanto colônia de
Portugal, a simples fabricação de uma arma de fogo no Brasil poderia ser apenada com a
morte. Durante o Império, foram proibidas as milícias e foi criada uma força nacional
estatal para garantir a integridade do reino. Na década de 20, o governo central
promoveu o desarmamento no sertão nordestino para inviabilizar o coronelismo. Após
a revolução constitucionalista de 1932, Getúlio Vargas aprendeu rapidamente a lição
de que não era interessante manter forças policiais estaduais e cidadãos com acesso a
qualquer tipo de armamento. Em 1997 a posse e o porte ilegais foram transformados
em crimes. Em 2003, o golpe quase fatal: a aprovação do malfadado Estatuto do
Desarmamento, que prometia retirar o Brasil do rol dos países com mais homicídios
no mundo. O resultado? Fechamos 2012 com mais de 56 mil assassinatos \u2013 isso, claro,
falando-se em números oficiais...
Da mesma forma que no Brasil, a restrição às armas de fogo na Inglaterra sempre
foi pautada no controle social e político, ora desarmando os católicos, ora desarmando
os mais pobres, mas sempre com o objetivo claro de manter certas classes sob o
domínio de outras e, ao final das contas, o domínio do próprio Estado exercido sobre
todos.
Embora o livro não aborde diretamente a questão liberais (esquerda) versus
conservadores (direita), resta claro que o desarmamento em vigor na Inglaterra veio pelas
mãos dos liberais, ou seja, pelas mãos dos políticos e partidos de esquerda.
Coincidências? Não! Como esperar que um ideologia absolutamente estatizante e
coletivista respeite os direitos e as liberdades individuais? Só com muita ingenuidade.
Em suma, este livro agrega vasto conteúdo para um assunto tão discutido e atual
em nosso país. Não se vence uma guerra sem munição, e aqui encontramos um
verdadeiro arsenal de informações, dados e estatísticas para aqueles que não se rendem
ao \u201cachismo\u201d, aos sociólogos de botequim e aos desarmamentistas hipócritas dentro de
seus carros blindados, que teimam em, de forma ideológica, desarmar o cidadão,
enquanto os criminosos, não poucas vezes aliados do próprio Estado, colocam a
sociedade de joelhos.
Boa leitura!
Bene Barbosa
Presidente do Movimento Viva Brasil
À minha família
AGRADECIMENTOS
É um prazer ter a oportunidade de agradecer àqueles que contribuíram para esta
iniciativa com seu suporte, conselho, perguntas, entusiasmo e amizade. David
Wootton é talvez o maior responsável por este livro. A sua revisão de meu estudo
anterior, Manter e Portar Armas: As Origens de um Direito Anglo-Americano, mostrou a
necessidade de uma pesquisa sobre o impacto da propriedade privada de armas nos
índices de criminalidade da Inglaterra, e o fato enigmático de que a era Vitoriana
conseguiu manter uma taxa invejavelmente baixa de crimes violentos, apesar dos
numerosos problemas