Violencia e Armas   Joyce Lee Malcolm
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Violencia e Armas Joyce Lee Malcolm


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que o governo Whig
\u201cpreferia que qualquer tipo de força fosse empregada em caso de perturbação da ordem
em vez do uso de tropas Yeomanry locais.\u201d[ 47 ] Os governos Tories também
preferiam usar tropas comuns. Os Yeomanry eram caros e estavam sempre ocupados
durante a colheita, quando os piores tumultos tendiam a acontecer, e como residentes
da área pareciam ter interesses próprios nas disputas. Pior, eles eram acusados de ser
\u201czelosos demais no corte e no golpe.\u201d[ 48 ] Em 1839 o governo sentiu que era
necessário obter mais ajuda armada e tentou encorajar a formação de outras associações
voluntárias. Em maio uma circular foi enviada aos lordes tenentes de alguns condados,
com o compromisso de fornecer armas de fogo àqueles \u201chabitantes principais dos
distritos perturbados\u201d que estivessem desejosos de formar uma associação \u201cpara a
proteção da vida e da propriedade.\u201d[ 49 ] De início a resposta foi frustrante, com
apenas duas associações sendo formadas, embora uma, a associação dos fazendeiros
inquilinos de Monmouthshire, tenha ajudado a manter a paz durante a prisão de um
orador Cartista.[ 50 ] No final de maio e em junho, no entanto, muitas ofertas
chegaram. Algumas foram rejeitadas por Russell \u2013 elas não vinham de \u201chabitantes
principais\u201d \u2013 e quando o governo faltou com sua palavra na promessa de fornecer armas,
os voluntários ficaram rapidamente desencorajados e desistiram. Claramente, o governo
estava inquieto no tocante a armar certos grupos em oposição a outros, com medo de
que pudesse dar aos Cartistas uma desculpa para se armarem mais avidamente. Afinal,
sobre que base o governo poderia proibir os trabalhadores de possuir armas e de serem
treinados quando encorajava os grupos de classe média nesse sentido? Parecia mais
inteligente se voltar a soldados bem disciplinados que eram neutros mas bastante
prontos, se ordenados, a atirar contra multidões. Eles atiraram \u201csem objeções\u201d em
Bolton e Newport em 1839 e em Preston, Burslem e Halifax em agosto de 1842.[ 51 ]
Depois de 1839 o governo não fez mais nenhuma tentativa de desenvolver formações de
voluntários armados. Mas nessa época eles já tinham uma polícia em crescimento ao seu
dispor.
Apesar do mal-estar anterior envolvendo o uso da força contra os Cartistas, em
abril de 1848 o governo não queria correr riscos. Empossou milhares de policiais
especiais \u2013 algo em torno de 170.000 somente na área de Londres e um número similar
nas províncias \u2013 e mobilizou tropas do exército sob o comando do Duque de
Wellington.[ 52 ] De seu lado, os líderes Cartistas estavam amedrontados pela jogada
do governo de criar milhares de policiais especiais armados e tomaram cuidado para que
uma reunião marcada para 10 de abril fosse realizada sem armas. Todos os quarenta e
nove delegados que compareceram à convenção nacional assinaram uma declaração de
que não tinham como intenção uma revolução, mas que desejavam somente demonstrar
sua força moral. \u201cEram as autoridades\u201d, eles destacaram, \u201ce não os Cartistas, que
estavam armadas até os dentes em 10 de abril.\u201d[ 53 ] Todos os prédios públicos
estavam guardados por soldados armados, que confiscavam as armas de qualquer
manifestante no local.[ 54 ] Confrontados com o risco real de um derramamento de
sangue, os líderes Cartistas voltaram atrás e cancelaram a procissão planejada.[ 55 ] No
final da primavera e início do verão os líderes Cartistas foram cercados e acusados por
discurso sedicioso. Todos receberam sentenças de dois anos de prisão.
Para resumir: durante a primeira e tumultuosa metade do século dezenove, o
direito dos ingleses de possuir armas permaneceu livre, com a exceção única e
temporária da Lei do Confisco de Armas. Muitos ingleses estavam armados ou tinham
como conseguir armas quando necessário, e o reino estava em perigo de se tornar um
campo armado, com uma classe se opondo à outra. O Parlamento reprimiu a realização
de treinamentos armados por pessoas não autorizadas, e também a presença em
reuniões e manifestações portando armas, e a lei de emergência contra o treinamento
armado se tornou permanente. Quando os tumultos da classe trabalhadora voltaram a
acontecer nas décadas de 1830 e 1840, o governo substituiu as táticas repressivas que
havia usado em 1819, tanto porque já havia uma bateria de medidas disponíveis como
para evitar a impressão incendiária de que estava armando uma classe contra a outra.
Felizmente, as condições econômicas melhores, a Lei da Reforma de 1832 que ampliava
o direito de voto, as Leis Fabris, e a reforma da legislação criminal ajudaram a melhorar
as vidas dos trabalhadores e a reduzir as tensões. Os Britânicos evitaram as revoluções
que varreram o continente em 1848 com os direitos individuais grandemente intactos.
O crime violento e a reforma da legislação criminal
No período de dez anos após o Massacre de Peterloo houve uma grande reforma
na legislação criminal. A lista enorme de crimes capitais presente na Lei Negra foi
reduzida drasticamente, e reformas sociais e políticas balizadoras se seguiram. Em 1796
foi estabelecida a base para punições mais humanas, em meio ao pânico da Revolução
Francesa. Muitos Parlamentares estavam ansiosos para reformar o livro de leis. Um
comitê foi apontado para examinar leis que estavam a expirar e para fazer
recomendações, embora vinte anos se passariam até que uma reforma substancial fosse
aprovada. A preocupação com um código criminal mais humano e efetivo estava
freqüentemente presente na Casa dos Comuns.[ 56 ] Em 1808, por exemplo, Sir
Samuel Romilly fez um discurso apaixonado no Parlamento sobre o que, ele dizia, \u201cjá
era reconhecido, há muito tempo, como um dos maiores borrões na lei criminal inglesa
[...] a freqüência da punição capital\u201d e conseguiu remover a pena de morte do crime de
bater carteiras.[ 57 ] Em 1811 foi feita uma tentativa de revogar a pena capital no caso
de roubos de casas e lojas, em canais e em campos de branqueamento[ xv ] Britânicos e
Irlandeses. Os argumentos usados no debate sobre a lei eram tipicamente os mesmos
levantados de tempos em tempos, tanto os favoráveis como os contrários. Os que
apoiavam a lei destacaram que a inflação havia desvalorizado a quantia de um xelim,
estabelecida há mais de um século, e que havia transferido o roubo para a categoria de
crime capital. Lorde Holland, o proponente principal dos Lordes, estava convencido de
que, uma vez que a brutalidade do código existente havia levado à subnotificação dos
crimes e à evasão das punições, as leis criminais estavam tendo um impacto contrário ao
pretendido: \u201cA partir do rigor extremo das leis existentes, as punições reais dos
criminosos se tornaram muito incertas; e assim, em vez de coibir o cometimento de
delitos, eles na verdade foram multiplicados.\u201d Lorde Eskine louvou a nação Britânica
como \u201ca mais moral de todas as nações conhecidas\u201d mas notou que \u201cquando, de mil
processos judiciais, [...] apenas um resultou em condenação e execução [...] a legislatura
precisa enxergar que a pena de morte não é aplicável a todos os crimes.\u201d Ainda assim o
lorde chanceler louvou \u201cos princípios e a prática\u201d do código criminal existente, onde
juízes tinham uma ampla discrição garantida, e concluiu que \u201ccontanto que a natureza
humana permanecesse como sempre foi, o receio da morte seria o mais poderoso
cooperador na dissuasão do crime: e ele pensou ser insensato retirar a influência salutar
desse terror.\u201d A Casa se dividiu em dez lordes a favor da revogação e vinte e sete contra.
[ 58 ] O Parlamento aboliu a pena capital para o crime de roubo em campos de
branqueamento.[ 59 ] Pouco a pouco as propostas em favor de punições mais humanas
ganharam aceitação. Em 1816 algumas leis contra o uso público do pelourinho foram
aprovadas parcialmente. Em 1817 foi proibida a punição com chicotadas para mulheres
e garotas.[ 60 ] Ainda assim, o uso amplo da punição capital continuou vigente. Em
1819, James Mackintosh fez uma petição para que uma comissão