Violencia e Armas   Joyce Lee Malcolm
229 pág.

Violencia e Armas Joyce Lee Malcolm


DisciplinaDireito Constitucional II7.963 materiais116.956 seguidores
Pré-visualização50 páginas
sua proteção e não para machucar outra pessoa.\u201d Hopwood
sugeriu que o governo legislasse sobre adagas e facas, já que o número de assassinatos e
suicídios cometidos por seus usuários era \u201cinfinitamente maior [...] que aqueles
cometidos por meio de revólveres.\u201d A respeito do estatuto de licenciamento de 1870,
esta lei foi atacada como sendo uma legislação de classe. O Sr. Conybeare pensou que
seria melhor abandoná-la \u201cpara que os esforços do Governo possam ser dedicados a
alguma medida de mais valor.\u201d[ 125 ] O debate foi adiado até o dia seguinte, mas à luz
de como foi recebido ele foi prudentemente retirado de pauta. Nos bastidores, no
entanto, um comitê da Casa dos Lordes estava trabalhando durante o ano de 1894 para
produzir uma lei mais aceitável.
O governo se tornou mais cauteloso, e quando a medida revisada voltou à pauta
em 1895, estava patrocinada por um membro privado, o Marquês de Carmarthen, que
admitiu que preferia uma lei \u201cque providenciasse que ninguém além de um soldado, um
marinheiro ou um policial pudesse ter uma arma curta.\u201d Novamente, a justificativa eram
os números \u201cgigantescos\u201d de lesões causadas por armas curtas, que podiam ser
contadas pelas centenas. A lei pedia por marcas de identificação nas armas curtas;
aumentava a taxa de licenciamento de vendas para uma libra, para restringir a venda de
armas curtas baratas; e dava a qualquer um que possuísse uma arma curta um prazo de
um mês para obter a licença, a qual deveria renovar anualmente. Herbert Gladstone deu
a bênção do governo ao \u201cexperimento\u201d, embora concordasse que \u201co mal com o qual essa
Lei procurava lidar não era de magnitude tal que justificasse a legislação por parte do
Governo\u201d mesmo. Ele então retrocedeu com base no raciocínio de que se eles
\u201cpudessem salvar uma vida ou a visão de um ser humano, então o trabalho não seria em
vão.\u201d Ele também informou a Casa que nos últimos vinte anos \u2013 provavelmente desde a
aprovação da lei de licenciamento de 1870 \u2013 sucessivos secretários do interior \u201cjuraram
a si mesmos lidar com essa questão se possível [...] A polícia era da opinião de que uma
medida desse tipo era muito necessária, e não havia ninguém no país em posição melhor
que a da polícia para saber do assunto.\u201d[ 126 ] Ele também confessou que não achava
que a medida \u201cpoderia atingir a maioria dos casos, mas que poderia atingir uma
proporção considerável deles, e se salvasse a vida de oito ou dez rapazes infelizes no
curso de um ano, e prevenisse muitos outros casos de ferimentos graves, ela estaria
fazendo um bom trabalho. A questão era, a Lei tinha chance de causar algum mal? Ele
não conseguia ver que tipo de mal ela poderia trazer, em nenhuma possibilidade.\u201d[ 127
] A restrição às vendas de armas de fogo estava claramente presente nas agendas de
governos sucessivos e da polícia, apesar do fato de que a violência com essas armas era
estatisticamente insignificante.
Hopwood liderou o ataque novamente, apontando para \u201ca futilidade absoluta de
tal legislação, seu caráter paternalista, e seu desrespeito com as liberdades individuais.\u201d[
128 ] Ele destacou que os números anteriores do governo mostravam uma taxa muito
baixa de violência com armas.[ 129 ] Hopwood e outros chamaram a lei de uma peça de
\u201clegislação de classe\u201d, da qual os ricos se safariam, enquanto \u201capenas aqueles em posição
suficientemente baixa na escala social\u201d entrariam no conhecimento da polícia. \u201cUm
homem pobre com uma arma curta seria revistado pela polícia, e o homem com um
casaco bonito não seria.\u201d[ 130 ] O Sr. Cyril Dodd se opôs à necessidade de solicitação
ao chefe de polícia; \u201cos policiais eram os servidores [...] e o povo não tinha a intenção de
torná-los seus mestres.\u201d Enquanto o Sr. Pease apoiava a lei e argumentava que a taxa
de licença de 10 xelins instituída em 1870 para o porte de armas estava \u201cinoperante\u201d, o
Sr. Cross considerou o poder de parar e revistar indivíduos \u201cmonstruoso, e de forma
alguma deveria estar no corpo de uma Lei aplicável de forma geral a um país inteiro.\u201d[
131 ] Outros afirmaram que as restrições às liberdades individuais \u201cpassaram dos
limites\u201d; não era apenas \u201cuma legislação paternalista, já era uma legislação de avós para
com netos\u201d, \u201ctola e pueril\u201d, \u201cEles não deviam ter inventado de tentar aprovar Leis
como essa\u201d, e o Sr. Moulton concluiu, \u201cinterferindo com tão grande número de
pessoas na esperança de poder reduzir uma lista de acidentes que soma algo em torno
de oito ou nove casos por ano.\u201d[ 132 ] Apesar das vigorosas objeções a lei foi enviada
ao comitê. Ela não reapareceria até o século vinte.
O fim de uma era mais civil
O século dezenove terminou com as armas de fogo plenamente disponíveis ao
mesmo tempo em que as taxas de crimes armados haviam declinado e atingiam uma
baixa recorde. Mesmo aqueles inclinados a exagerar sobre a criminalidade foram
atingidos durante o século pelo baixo nível de violência. Um Comitê Selecionado da
Polícia de 1816-1818 ouviu evidências de um oficial de polícia de que \u201ccoisas ousadas e
desesperadas parecem ter se desgastado, exceto pelas falsificações ousadas\u201d; e John
Nares, um magistrado da polícia com vinte anos de casa, confirmou seu testemunho:
\u201cO comitê tem tido a evidência e, na verdade, a observação de cada um é suficiente para
dar a informação sem qualquer evidência adicional, de que os crimes cruéis têm
diminuído consideravelmente nos últimos anos.\u201d[ 133 ] Em seu estudo sobre o crime
na Inglaterra Vitoriana, J. J. Tobias descobriu que pessoas por todo o país \u201caceitavam
o fato de que os criminosos estavam menos violentos, com cada geração observando
uma melhora sobre a anterior.\u201d[ 134 ] Em 1831 o reformador Francis Plate e o
advogado e reformador sanitarista Edwin Chadwick concordaram que os crimes haviam
decrescido \u201cem atrocidade\u201d e que os atos de violência haviam \u201cdiminuído.\u201d[ 135 ] Em
1839 uma Comissão Real sobre a Polícia dos Condados concluiu que nas cidades
\u201croubos e depredações nas ruas são agora raramente acompanhados pela violência.\u201d[
136 ] Esse estado satisfatório das coisas foi interrompido em 1862 e 1863, quando
Londres experimentou o pânico dos assaltos. Ferimentos e assaltos cresceram em
número à medida que ladrões de rua violentos saltavam sobre suas vítimas, chocando-
as. Robert Sindall argumentou que a mídia teve um papel principal ao criar o pânico
sobre os crimes nas ruas, mesmo quando a onda de criminalidade já estava em declínio.[
137 ] Qualquer que fosse o caso sobre o tamanho do problema dos assaltos, Tobias
conclui que \u201csobre o século como um todo há evidências, muitas das quais de fontes
merecedoras de nosso respeito, de que o uso da violência no crime havia decrescido; e a
conclusão de que isso é verdade parece irresistível.\u201d[ 138 ]
Um porém deve ser adicionado. A lei sobre defesa própria e proteção da
propriedade ainda mantinha que o chefe de família cuja propriedade fosse invadida podia
tomar uma atitude vigorosa para defendê-la. Assim, algumas mortes consideradas
anteriormente como defesa própria poderiam não parecer mais justificáveis agora. No
entanto, enquanto muitos proprietários de casas estavam armados, poucos ladrões
carregavam armas. E apesar das armas estarem livremente disponíveis, acidentes com
revólveres e tiroteios impulsivos eram raros, e o crime armado era mínimo. Algo que
contribuiu indubitavelmente para que o crime armado fosse tão raro foi o fato de que
estatutos como a lei de 1824 contra vagabundos e trapaceiros punia qualquer um que
carregasse uma arma de fogo ou outro tipo de arma \u201ccom Intenção de cometer um
Crime.\u201d[ 139 ] As armas de fogo claramente não contribuíram para o crime violento,
mas não é claro se a propriedade generalizada de armas ajudou a reduzi-lo. Havia uma
tradição forte de defesa própria e o encorajamento legal à intervenção para prevenir
crimes. O grande historiador Whig, Thomas Macaulay, defende que o direito a
possuir armas era \u201ca segurança sem a qual todas as outras são insuficientes.\u201d[