Violencia e Armas   Joyce Lee Malcolm
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Violencia e Armas Joyce Lee Malcolm


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das Armas de Fogo um chefe
de família possuir armas de fogo e munição para proteger a si mesmo e sua propriedade
contra assaltantes armados. Nesta instância o chefe de polícia de Reading apelou contra
a decisão de registrador das Sessões Trimestrais de Reading, que anulou sua decisão e
permitiu a Sir John Henry Maitland Greenly ter uma permissão para comprar munição
para sua arma curta automática.[ 86 ] O advogado do chefe de polícia, um Sr.
Glazebrook, disse que ele não acreditava que a razão de Sir John Greenly para querer
munição \u2013 proteger sua casa e sua propriedade \u2013 fosse boa, embora fosse a mesma razão
descrita em 75 por cento dos pedidos. O Lorde Juiz Chefe respondeu que a questão
dependia de circunstâncias individuais, sobre as quais Glazebrook apresentou a
justificativa invocada pelo porta-voz do governo daquele dia até hoje: \u201cao mesmo tempo
em que não armar a si mesma era uma política da polícia, e para prevenir que os ladrões
se armassem, havia uma boa razão para que os chefes de família não fossem armados.\u201d O
juiz chefe respondeu, \u201cSe os criminosos mudassem sua política e não saíssem armados,
aí seria uma boa razão.\u201d Glazebrook replicou que uma minoria de criminosos andavam
armados. \u201cMais ainda\u201d, ele continuou, \u201cesse tipo de coisa poderia prover arsenais dos
quais os criminosos se abasteceriam.\u201d O juiz chefe e seus dois colegas não foram
persuadidos e negaram a apelação ao chefe de polícia, adicionando que esse era um
assunto sob critério do mesmo, mas o requerente tinha o direito de apelar nas sessões
trimestrais.
O incidente levanta dois pontos interessantes. Primeiro, os juizados e 75 por
cento dos requerentes não tinham conhecimento de que o Home Office estava
instruindo a polícia a negar os certificados para armas a quem alegasse proteção para os
seus e para a propriedade. E segundo, a justificativa de Glazebrook para a negação, de
que a polícia andava desarmada, ignora a razão de seu próprio desarmamento. Não era
para persuadir os criminosos a cometerem delitos sem usar armas. Havia leis que
puniam severamente criminosos que carregassem armas durante o cometimento de um
delito. A polícia andava desarmada porque o povo inglês do século dezenove não
tolerava o estabelecimento de uma polícia armada. Apesar do ceticismo da Corte
Divisional de Reading, a noção de que não convém a uma força policial desarmada
confrontar-se com criminosos armados e de que estes poderiam roubar armas de
cidadãos obedientes à lei tem se tornado um argumento para desarmar o público.
Uma ilustração adicional do escrutínio obsessivo da polícia sobre as armas de fogo
privadas é o caso do Xerife Hamilton em Dunfermline, que recusou a apelação do
Coronel Gavin Brown Thomson of Fife contra o chefe de polícia, que lhe havia
recusado a permissão de levar um rifle esportivo para a Alemanha, onde ele ficaria
lotado, nas bases de que constituiria uma \u201cexportação de armas de fogo\u201d da Inglaterra
para a Alemanha.[ 87 ]
O retorno da paz não produziu uma erupção de crimes relacionados a armas,
apesar dos temores desse efeito tão falados no Parlamento de tempos em tempos. Em
resposta a uma pergunta sobre essa questão em novembro de 1952 o lorde chanceler
forneceu números para casos no distrito da Polícia Metropolitana nos quais as armas
de fogo estavam presentes, mas não necessariamente envolvidas. Esses números foram
os seguintes: 1948, 48; 1949, 28; 1950, 39; 1951, 14; e pelos primeiros nove meses de
1952, 17. Embora Lorde Lawson tenha murmurado que \u201cIndubitavelmente, a mente
pública é muito perturbada sobre esta questão no presente momento\u201d, os números na
verdade mostraram uma taxa declinante do crime armado.[ 88 ] Nem pela primeira nem
pela última vez, a atenção da imprensa havia criado uma impressão contrária ao estado
real de coisas.
Olhando para trás, para a primeira metade do século vinte, que conclusões
podemos traçar sobre a relação entre armas de fogo, violência, e a lei na Inglaterra?
Diversos pontos importantes parecem claros. Primeiro, a taxa de crime armado estava
extremamente baixa no começo do século, e continuou a cair. O crime armado e
violento era raro e se tornando cada vez mais raro. A disponibilidade fácil das armas de
fogo antes de 1920, na verdade a disponibilidade das armas nos séculos anteriores, não
aumentou o crime armado e pode mesmo ter detido o crime, já que os civis armados
tinham a responsabilidade de manter a paz. Segundo, a Lei das Armas de Fogo de
1920, que tirou o direito tradicional dos indivíduos de possuir armas, não foi aprovada
para reduzir ou prevenir o crime armado ou acidentes com armas. Ela foi aprovada
porque o governo estava com medo de uma rebelião e desejava controlar o acesso às
armas. Este foi um objetivo que se manteve por um longo tempo. Não obstante, em
tempos de graves perigos nacionais tais como a Primeira e a Segunda Guerra mundiais,
o governo armou a população para que pudessem proteger o estado e eles mesmos. A
Guarda Doméstica da Segunda Guerra Mundial teve um milhão e meio de membros.
Eles não abusaram de tal confiança. Todavia, uma vez que a emergência havia passado,
as administrações ansiaram em remover novamente as armas das mãos privadas. Os
governos ingleses queriam há tempos, e conseguiram finalmente, total arbítrio sobre
quais ingleses poderiam se armar. A noção antiga de que as pessoas tinham um dever de
proteger a si mesmas e seus vizinhos, tão central como parte da aplicação da lei na
Inglaterra e da constituição Inglesa por tantos séculos, foi revertida. O governo, eu seu
controle cada vez maior de numerosos aspectos da vida da comunidade, agora achava
que as armas não eram apropriadas para a defesa própria. A segurança pessoal poderia e
deveria ser deixada a cargo do estado. Civis e policiais desarmados poderiam convencer
criminosos de que não era necessário carregar armas. Era uma aposta séria, mas uma
que o Parlamento estava preparado para aceitar sobre a suposição de que indivíduos
obedientes à lei, como eles mesmos, ainda poderiam andar armados, e sobre a premissa
mais precisa de que o crime armado era insignificante.
xxiii Lockout é um termo em inglês que designa um impedimento de trabalho aos
funcionários de uma indústria por iniciativa do empresário. É um recurso utilizado
historicamente em grandes disputas com sindicatos. Durante um lockout o empresário
pode contratar funcionários temporários e impedir a entrada dos funcionários do
quadro, enquanto durar a disputa \u2013 NT.
xxiv A Guerra dos Bôeres consistiu em dois conflitos armados na atual África do
Sul, entre o exército britânico e os colonos de origem holandesa e francesa, conhecidos
como \u201cbôeres\u201d. Ao final da guerra, os bôeres ficaram sob domínio britânico \u2013 NT.
xxv A Guarda Grenadier é um regimento de infantaria do exército Britânico. É o
regimento mais sênior da Divisão de Guardas, sendo assim também o mais sênior dos
regimentos de infantaria. Sua origem remonta ao século XVII, e o nome Grenadier foi
dado após as Guerras Napoleônicas, por proclamação Real em julho de 1815. Existe
até os dias de hoje como regimento ativo e operante \u2013 NT.
xxvi As Cortes Divisionais inglesas são cortes onde atendem no mínimo dois
juízes. Geralmente são cortes que atendem apelações e revisões de casos. Neste caso a
referência é a corte presente na cidade de Reading, no sudeste da Inglaterra \u2013 NT.
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1953-2000: SOMENTE OS
CRIMINOSOS POSSUEM AS ARMAS
Há uma atitude policial facilmente identificável no tocante à posse de
armas por membros do público. Toda dificuldade possível deve ser colocada
em seu caminho. Nenhuma documentação pode ser tão rígida, e nenhuma
exigência de segurança tão arbitrária, a ponto de prevenir que as armas
cheguem às mãos dos criminosos.
\u2013 Revisão da polícia, 8 de outubro de 1982
A Inglaterra não é mais um reino pacífico. Estudiosos da criminologia traçaram
um longo declínio da violência interpessoal desde o final da Idade Média até uma
reversão