Violencia e Armas   Joyce Lee Malcolm
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Violencia e Armas Joyce Lee Malcolm


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automaticamente excluídas. Uma
razão para o declínio nas taxas de apreensão tem sido a falta de vontade ou de habilidade
para contratar mais policiais. Durante um período em que o crime quadruplicou em
Londres, os números da polícia simplesmente não aumentaram, e em muitas áreas até
mesmo caíram.[ 77 ] O Sunday Times de Abril de 2000 descobriu que Southampton,
uma cidade de 215.000 habitantes, conseguia freqüentemente ajuntar apenas 7 oficiais
para patrulhar as ruas e apenas 10 oficiais para trabalhar no turno da noite, muitas
vezes até menos. Em Reading, com 200.000 habitantes, o número de policiais de
serviço algumas vezes caía para 10, e em Herefordshire algumas chamadas de emergência
\u201cnão viam a cara da polícia por três dias.\u201d[ 78 ] Para efeito de comparação, Lille, uma
cidade francesa com população menor que a de Southampton, tinha 150 policiais em
serviço em uma determinada sexta-feira à noite, e Jackson, Mississipi, com seus
200.000 habitantes, tinha 48 oficiais em patrulha e mais 44 de plantão para chamadas
de emergência. Um oficial sênior de uma cidade inglesa de 175.000 habitantes estava
relutante em dar informações sobre a força policial: \u201cNós não podíamos de maneira
alguma abrir os números. Isso destruiria a confiança pública e seria um convite a cada
criminoso e seu cachorro para virem para cá.\u201d A falta de policiais era ainda maior no
campo, onde as estações de polícia haviam sido \u201cracionalizadas\u201d \u2013 isto é, fechadas ou
consolidadas.[ 79 ] Como resultado, em 1999 mais de 70 por cento das comunidades
rurais não contavam com a presença da polícia. \u201cGraças aos orçamentos inadequados e
aos métodos policiais modernos\u201d, destacou Edward Leigh, um Membro do
Parlamento Conservador, \u201cvocê pode ter um carro de polícia percorrendo em torno de
600 milhas quadradas.\u201d[ 80 ] Em partes de New Forest as chamadas para a polícia iam
para Southampton, distante quarenta milhas. O crime se tornou tão ameaçador que o
\u201cmedo de furtos e roubos armados\u201d foi o motivo para o fechamento de agências rurais
dos correios.[ 81 ] Em 2001 a Federação dos Policiais da Inglaterra estava se
preparando para anunciar que não tinha como prevenir o crime em algumas partes das
cidades Britânicas, e presenteou o secretário do interior com os resultados de um
estudo internacional especialmente comissionado que mostrava o que um repórter do
Times havia descrito como \u201ca comparação mais surpreendente\u201d, entre Londres e Nova
Iorque. O estudo relata que a cidade de Nova Iorque tinha um policial para cada 161
cidadãos, Londres tinha um para cada 290 e, como prova do valor da abordagem de
Nova Iorque, apontava que entre 1992 e 2000 Nova Iorque teve um aumento de 42 por
cento no efetivo da polícia e uma queda de 54 por cento no crime, enquanto Londres
teve um aumento de 10 por cento na polícia e uma alta de 12 por cento no crime.[ 82 ]
Para responder às reclamações sem ter que aumentar custos, o governo resolveu
ser sincero com o povo. Depois de quase cinqüenta anos insistindo que a manutenção
da paz fosse deixada quase que inteiramente para a polícia, os autores do relatório de
1996 pediram ajuda ao público. Para localizar o crime eles pediram a formação de
vigilâncias de bairro, vigilâncias comerciais, vigilâncias de veículos, vigilâncias de
fazendas, e vigilâncias de ruas. Eles também incitaram mais recrutamento e mais
confiança nos \u201cpoliciais especiais\u201d, voluntários que serviam como policiais em seu tempo
livre e que tinham todos os poderes de um policial profissional.[ 83 ] O uso crescente
de circuitos fechados de televisão havia sido alardeado como um substituto para o
aumento de efetivo da polícia. Câmeras em parques e área comerciais podem registrar
os crimes num filme e, alegadamente, deter possíveis criminosos.[ 84 ] A Grã-
Bretanha tem hoje mais câmeras de vigilância que nenhum outro país Ocidental.[ 85 ]
Resumindo, o povo inglês conseguiu o pior dos dois mundos. A autodefesa foi
severamente desencorajada. A polícia recebeu poderes expandidos à custa das liberdades
civis. Seu governo restringiu severamente seu direito à defesa própria com a promessa
de que a sociedade os protegeria. Mas a sociedade falhou em sua obrigação e os deixou
à mercê dos criminosos.
O uso das armas em crimes
Os crimes violentos aumentaram, mas as armas de fogo estão envolvidas nisso? As
estatísticas da polícia e do governo apontam para o aumento de seu uso, mas
amplificam seu impacto ao exigir que a polícia liste como arma de fogo \u201cenvolvida num
crime\u201d qualquer arma \u201cdisparada, usada para ameaças ou usada como instrumento de
golpe, ou carregada para possível uso\u201d, bem como qualquer arma de fogo (mesmo uma
antiga) roubada durante um crime, manuseada, ou obtida por fraude ou falsificação.[ 86
] Essas estatísticas do Home Office também incluem como \u201carmas de fogo envolvidas
num crime\u201d as armas de brinquedos de crianças e as imitações. Mesmo com essa
abordagem pega-tudo o número de crimes violentos nos quais os autores foram
acusados de carregar armas de fogo ou suas imitações era muito pequeno, e seguiu uma
tendência de queda mesmo com o aumento do crime em geral. Em 1950 as armas de
fogo estavam envolvidas em 17 de 1.150 casos de violência, e em 1967 em 44 de 1.919
casos, a maioria envolvendo adolescentes com armas curtas de ar comprimido.[ 87 ] Se
considerarmos apenas os crimes de violência indiciáveis em que uma arma foi realmente
usada, em vez de apenas \u201cenvolvida,\u201d as porcentagens são ainda mais modestas. Em
1957 apenas 2,3 por cento dos crimes sérios foram cometidos com armas de fogo. Em
1962 essa fatia cresceu para 3,3 por cento, mas esse aumento foi contado \u201cquase que
inteiramente\u201d por incidentes em que armas de ar comprimido foram disparadas contra
as vítimas, sem causar nenhum ferimento.[ 88 ] Da pequena fração de crimes sérios
cometidos com armas de fogo, aqueles nos quais armas legalizadas foram envolvidas
eram uma pequena parte. Por exemplo, dos 152 homicídios cometidos de 1992 a 1994
envolvendo uma arma de fogo, apenas 22, ou 14 por cento, eram armas legalizadas. O
roubo de armas legalizadas é a razão mais comum dada pelos defensores da redução da
propriedade de armas legalizadas, mas em apenas 5 por cento desses 152 homicídios
acredita-se que a arma usada era roubada.[ 89 ] Houve um padrão similar na Escócia.
Dos 669 homicídios de 1990 a 1995 somente 44 foram cometidos com armas de fogo,
e somente 3 desses, ou 0,4 por cento, foram cometidos com armas registradas e
licenciadas.[ 90 ]
Atrocidades com armas de fogo
provocam restrições às armas
O fato de que armas de fogo registradas legalmente são quase nunca usadas em
crimes sérios não deteve os governos ingleses de continuar a apertar os controles ao
armamento. O número de certificados de armas de fogo foi firmemente reduzido, e as
taxas para licenciar uma arma aumentaram.[ 91 ] De 1973 a 1978 as taxas para
registro e renovação de uma arma de fogo aumentaram 714 por cento e 800 por cento,
respectivamente, e para registro e renovação de uma espingarda foi de 1.200 por cento e
800 por cento.[ 92 ] Foi também aprovada legislação para trazer outros tipos de armas
para o controle do governo e, finalmente, para banir completamente as armas curtas.[
93 ] A introdução da exigência de um certificado para espingardas demonstra a maneira
pela qual os governos ingleses usaram as regulamentações de armas de fogo para avançar
em sua agenda distinta da segurança pública, algumas vezes em substituição a alguma
ação de efeito real que poderia proteger o público.
A noção de trazer as espingardas para dentro do sistema de certificados havia sido
considerada por algum tempo. Mas quando o secretário do interior, Sir Frank Soskice,
estudou o assunto em 1965 ele decidiu que exigir um certificado para mais de 500.000,
e possivelmente em torno de 3 milhões, de espingardas em uso legítimo seria um fardo
para a polícia e \u201cnão se justificaria pelos benefícios que traria como resultado.\u201d[