EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho   CLT comentada
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EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho CLT comentada


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desse Direito. Nem sempre o trabalho foi objeto de nor- 
mas constitucionais. Durante muito tempo as Constitui- 
ções de todos os países não deram ao assunto maior 
destaque. À medida que a Revolução Industrial se espraia- 
va por todos os quadrantes e os problemas sociais por 
ela gerados ganhavam maior expressão, as normas cons- 
titucionais foram-se voltando para a problemática traba- 
lhista. Nossas Constituições de 34, 37, 46, 67 (inclusive a 
Emenda n. 1/69) e 1988 deram abrigo a disposições so- 
bre o assunto. Umas, de caráter programático, a indicar 
os princípios que o legislador ordinário teria de atender, 
e, outras, por não serem auto-aplicáveis, têm de ser re- 
gulamentadas por lei. É nos arts. 7º, 8º, 9º, 10, 11 e 12 da 
Constituição Federal, que se reúnem as principais dispo- 
sições sobre o trabalho assalariado. 
 
B) Lei \u2014 estritamente considerada \u2014 é a regra 
de direito abstrata e geral, de caráter permanente, que 
coercitivamente se impõe a todos os cidadãos. Dentre 
as fontes de produção estatal, a mais importante é a 
Consolidação das Leis do Trabalho, por conter o maior 
número de disposições reguladoras das relações de 
trabalho. Há, ainda, uma legislação não consolidada, 
como a Lei n. 8.036, de 11 de maio de 1990 (Lei do 
FGTS); Lei n. 7.783, de 28 de junho de 1989; a Lei n. 
6.514, de 22 de dezembro de 1977, que reformulou todo 
o capítulo da segurança e medicina do trabalho e mui- 
tos outros diplomas legais que introduziram modifica- 
ções no texto desta Consolidação. Muitas delas, pesa- 
nos dizer, não significaram mudança para melhor. A ri- 
gor, não é o regulamento de uma lei fonte de Direito do 
Trabalho. Quando muito compõe legislação secundá- 
r ia, com força específica reflexa da lei (Messineo, 
\u2015Manuale di Diritto Civile e Commerciale\u2016, vol. I, n. 9). 
O regulamento procura facilitar a execução de uma lei, 
sendo-lhe vedado ir além dos limites desta, criando ou 
reduzindo direito ou obrigações. 
 
C) O costume, para Savigny, é o primeiro indício 
exterior do direito positivo (\u2015Sistema\u2016, vol. I, § 12). De- 
fine-o Vicente Ráo (\u2015O Direito e a Vida dos Direitos\u2016, I 
tomo, 1952, pág. 287) como \u2015a regra de conduta criada 
espontaneamente pela consciência comum do povo, 
que a observa por modo constante e uniforme e sob a 
convicção de corresponder a uma necessidade jurídi- 
ca\u2016. Existindo paralelamente ao direito legislado, o cos- 
tume só se reveste de obrigatoriedade quando reco- 
nhecido por lei. Do conceito de costume se deduz se- 
rem dois os seus elementos: um intrínseco ou subjeti- 
vo (\u2015opinio juris et necessitatis\u2016) e, outro, material ex- 
presso pelo uso. 
Em face da lei, três são as categorias de costu- 
mes: \u2015consuetudo praeter legem\u2016 se tem caráter suple- 
tivo, por ser omissa a lei ou porque ela não existe; 
\u2015secundum legem\u2016 quando a lei lhe reconhece a exis- 
tência e lhe atribui eficácia revestida de obrigatorieda- 
de; \u2015contra legem\u2016 por ser contrário à lei, acarretando 
seu desuso. 
Nosso sistema legal inadmite o desuso da lei pelo 
costume. 
 
D) A jurisprudência ingressa no rol das fontes do 
Direito do Trabalho pelas mãos daqueles que a consi- 
deram uma forma nova de direito costumeiro (Planiol 
Ripert, \u2015Traité Élementaire de Droit Civil\u2016, 12ª ed., tomo 
I, pág. 7). A função criadora do juiz surge em toda a 
sua extensão na interpretação das leis, quando dá a 
esta matizes e retoques exigidos para a sua completa 
adaptação ao fato concreto discutido na lide. A juris- 
prudência, porém, jamais pode ir além dos limites da 
lei. O direito sumular do Tribunal Superior do Trabalho é 
a estandardização dos julgamentos. Estamos entre aque- 
les que não consideram a jurisprudência fonte formal do 
Direito do Trabalho. Fizemos esta breve nota ao assun- 
to, na análise das várias fontes do Direito do Trabalho, 
para nos definirmos a respeito de matéria muito contro- 
vertida na doutrina. O art. 8º, desta Consolidação, auto- 
riza o juiz a recorrer à jurisprudência, conforme o caso, 
na falta de disposições legais ou contratuais. 
 
E) A sentença normativa da Justiça do Trabalho 
é um ato-regra, por conter regra geral, impessoal e abs- 
trata. É, de conseguinte, uma fonte do Direito do Traba- 
lho. Sem valor o argumento de que a sentença norma- 
tiva não alcança toda uma categoria profissional no pla- 
no nacional e isto pela simples razão de que ninguém 
afirma ser este ou aquele o limite máximo de extensão 
de uma norma legal. Para patrões e empregados atin- 
gidos por uma sentença normativa, é ela uma lei. Pro- 
duz direitos e obrigações de maneira impessoal, abs- 
trata e obrigatória. Tais considerações são aplicáveis 
ao pacto coletivo de trabalho (convenção ou acordo 
coletivo). É a mais típica das fontes do Direito do Tra- 
balho, cujo caráter coletivo é por ela acentuado. Para 
dar realce à convenção coletiva, na hierarquia das fon- 
tes do Direito do Trabalho, lembramos a possibilidade 
que têm empregados e empregadores, por seu inter- 
médio, de substituir \u2014 pelo menos temporariamente \u2014 
uma norma legal cogente por uma disposição contra- 
tual mais benéfica aos assalariados. 
 
F) O regulamento de empresa é, no dizer de Paul 
Pic, a lei interna da fábrica. Em nosso País, é ele fruto, 
exclusivo, da vontade do empresário. Em alguns países, 
sua eficácia jurídica fica na dependência da participação 
dos empregados no seu processo elaborativo. Nosso direi- 
to positivo do trabalho não se refere expressamente ao 
regulamento interno de empresa. Aderem indestruti- 
velmente ao contrato de trabalho suas disposições que 
se mostrarem mais favoráveis que a lei ou instituírem 
vantagens por ela ignoradas. 
 CLT INTRODUÇÃO \u2014 Art. 2º 27 
Não é imutável o regulamento de empresa. É líci- 
to ao empregador modificá-lo quando bem entender, res- 
salvado, porém, o direito anteriormente adquirido pelos 
trabalhadores a quaisquer benefícios ou vantagens. 
 
G) As normas dimanadas de fonte internacional 
e que, em maior número, são aquelas editadas no seio 
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), pas- 
sam a integrar o Direito nacional mediante a ratificação 
de seus convênios. Embora se diga que a história da OIT 
começa em 1919, suas raízes se encontram na consciên- 
cia social do século XIX, quando \u2014 em todo o mundo \u2014 
se ergueram vozes condenando os excessos do liberalis- 
mo econômico e propondo providências capazes de pro- 
teger o assalariado, independentemente de sua naciona- 
lidade, raça ou credo. Cessadas as hostilidades da Pri- 
meira Guerra Mundial, celebrou-se o Tratado de Versalhes, 
no qual se estabeleceu a criação da OIT para ser o ins- 
trumento da justiça social para os trabalhadores de to- 
das as nações. Como deixamos transparecer no início 
desta nota, as normas internacionais só se incorporam 
ao sistema legal de uma nação depois que esta, medi- 
ante processo legislativo regular, resolve fazê-lo. A nor- 
ma internacional não tem em si a força necessária para 
integrar um Direito nacional. 
 
16) A Lei n. 9.841, de 5.10.99 baixou o novo Es- 
tatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno 
Porte, dispensando-a de algumas obrigações trabalhis- 
tas e previdenciárias. 
Essa Lei foi regulamentada pelo Decreto n. 3.474, 
de 19.5.2000 ( in DOU de 22.5.2000, p.1). 
 
17) A Lei Complementar n. 107, de 26.4.2001, 
modificou os arts. 8º e 9º da LC n. 95, de 26.2.98, para 
estabelecer: a) a contagem do prazo, para entrada em 
vigor das leis que estabeleçam período de vacância, far- 
se-á com a inclusão da data da publicação e do último dia 
do prazo, entrando em vigor no dia subseqüente à sua 
consumação integral; b) as leis que estabeleçam período 
de vacância deverão utilizar a cláusula \u2015esta lei entra em 
vigor após decorridos (o número de) dias de sua publica- 
ção oficial\u2016; c) a cláusula de revogação deverá enume- 
rar expressamente as